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"Horas Para a Execução" Capítulo 7

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Thomas puxou a cadeira até a grade da cela.

— Ainda bem que disse a verdade.

Ethan dobrou a cópia da carta e guardou no bolso da camisa.

— Eu devia dizer que fiz as pazes, certo?

— Com quem?

— Com Deus. Com a família. Comigo. Escolhe.

— Não vou escolher por você.

Ethan apoiou os antebraços nos joelhos.

— Onze anos e vocês ainda respondem pergunta com pergunta.

— Funciona quando a pergunta tenta esconder outra coisa.

O carrinho do café passou pelo corredor. Rodas pequenas vibraram nas juntas do piso. Ethan acompanhou o som até desaparecer.

— Quando contarem a história do Rex, vão dizer que um cachorro viu bondade onde todo mundo viu um monstro.

Thomas esperou.

— Já consigo ouvir — continuou Ethan. — Vão usar a cara dele, os latidos, tudo. Depois alguém escreve que talvez eu fosse inocente, ou que o amor de um animal prova alguma coisa.

— Prova que o cachorro amava você.

— Só isso.

— Isso.

Ethan assentiu.

— Eu fiz o que está no processo. Não quero que apaguem a vítima para deixar a despedida mais bonita.

— A família dela continua com o que aconteceu. Rex não tira isso deles.

— E a outra parte?

Thomas ajustou os óculos.

— Qual?

— Daniel na bicicleta. Rex esperando na porta. Eu consertava a cerca da senhora Coleman todo inverno. Essas coisas viram mentira depois do crime?

— Continuam nos lugares onde aconteceram.

— Então um homem pode ser mais de uma coisa.

— Todos são.

— Até quando uma delas é imperdoável?

Thomas inclinou o corpo para a frente.

— Ter mais de uma parte não elimina nenhuma. Você não precisa transformar a tarde da bicicleta em fraude. Também não pode usá-la para reduzir o resto.

Ethan retirou a carta do bolso e alisou a dobra.

— Era isso que eu queria ouvir.

— Eu sei.

— E falou porque é verdade ou porque estou com hora marcada?

— Se quisesse conforto fácil, teria trazido outro capelão.

Ethan soltou ar pelo nariz. A boca quase formou um sorriso.

Michael apareceu com uma pequena sacola transparente.

Antes de entregá-la, colocou sobre a mesa um formulário de ocorrência. Ethan reconheceu o nome de Rex no primeiro campo.

— Vão chamar ele de agressivo?

— Corrigi para resposta protetiva.

— Isso fica em algum cadastro?

— Interno. Sem consequência para Carter ou para o animal.

Ethan leu a descrição: bloqueio de aproximação, dois latidos, um rosnado, retirada conduzida, nenhuma lesão.

— Faltou que ele escorregou.

— Coloquei na página dois.

Ethan virou. Havia também a fotografia das marcas no piso.

— Por que fotografou?

— Procedimento.

— Mentira.

Michael recolheu as folhas.

— Minha filha perguntou se ele era um cachorro bom.

Ethan abaixou os olhos.

— E você falou o quê?

— A verdade.

— Ela sabe quem eu sou?

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— Não precisa saber seu nome para entender o cão.

Ethan apoiou os punhos na mesa.

— Um dia vai precisar saber que cachorro bom pode amar gente que fez coisa ruim.

Michael encaixou o relatório na pasta.

— Um dia. Hoje ela tem dez anos.

— Daniel tinha dezesseis quando sentou atrás do vidro. Eu ainda tentei dar respostas de criança pra ele.

O agente não encontrou uma ordem capaz de encerrar a frase. Então colocou a sacola transparente sobre a mesa.

Ethan abriu o plástico. Uma linha de pelo castanho permanecia presa à trama. Ele a guardou dentro da dobra da carta.

— Carter cortou a manta?

— Uma ponta já estava rasgada.

— Mentiu. Essa manta aguentou chuva e um cachorro de quarenta quilos cavando em cima.

Michael puxou a cadeira.

— Talvez ele quisesse que você tivesse alguma coisa real.

— A fotografia era real.

— Fotografia não tem cheiro.

Ethan colocou o tecido no bolso.

— Você devia trabalhar menos tempo aqui, Reed.

— Por quê?

— Está começando a responder como gente.

Michael permaneceu mais um minuto. Ao sair, deixou aberta a portinhola de observação. Ethan podia ver uma faixa do corredor e o relógio aproximando-se das seis.

— Carter deixou isso na portaria.

Dentro havia uma tira de tecido cinza, larga o suficiente para cobrir a palma. Uma ponta estava puída.

— Passou pela inspeção — disse Michael. — A diretora autorizou que fique com você.

Ethan pegou o tecido. Levou ao rosto sem esconder o movimento. O cheiro era fraco: sabão, casa, pelo molhado.

— A manta.

— Foi o que ele informou.

Ethan colocou a tira no bolso interno, junto à carta.

— O Rex comeu?

Michael hesitou.

— Carter disse que ainda não.

— E está onde?

— Junto à porta.

Ethan apertou o tecido através da camisa.

— Ele vai ficar lá até cair de sono.

— Carter está com ele.

— Eu sei.

Michael abriu a cela.

— A advogada trouxe os documentos finais. Precisa revisar uma alteração.

Rebecca entrou com a pasta. O conselho aceitara receber os bens em depósito enquanto a iniciativa passava por avaliação. Samuel assinaria como executor provisório. A parcela seria vendida, e o dinheiro iria para uma organização parceira caso o projeto fosse recusado.

— Assim nada volta para o espólio — explicou ela.

Ethan percorreu as páginas.

— Tira meu sobrenome do título interno.

— Precisamos identificar a origem.

— No título público.

— Isso já está previsto.

Ele assinou. Depois abriu a caixa de papelão com objetos pessoais. Separou a fotografia para Daniel, três livros para a biblioteca e um maço de cartas fechadas.

— Essas vão pra quem? — perguntou Thomas.

— Ninguém.

— Então serão destruídas.

Ethan segurou o maço. Os nomes de Laura e Daniel apareciam em envelopes de anos diferentes. Alguns tinham selos; nenhum fora enviado.

— Entrega pra Laura. Ela decide.

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— Tem certeza?

— Não.

Thomas recebeu as cartas.

O relógio do corredor marcou quinze para as seis. Michael conferiu as algemas, desta vez sem pressa. Julia aguardava perto da primeira porta. Margaret chegou com o pedido original dentro de uma pasta azul.

— O conselho aceitou a análise emergencial — informou.

— Não precisa me contar pra facilitar.

— Não facilito execução, Miller. Estou dizendo o que aconteceu.

Ele olhou para ela.

— Obrigado por deixar ele entrar.

Margaret segurou a pasta contra o corpo.

— Ele deixou marcas no piso.

— Vão trocar?

— Não enquanto eu estiver aqui.

Michael conduziu Ethan pelo corredor. Thomas caminhava dois passos atrás. Ninguém mencionou os quinze minutos restantes.

Na última barreira, Michael pediu que a equipe esperasse. Aproximou-se de Ethan e baixou a voz.

— Carter vai cuidar do Rex.

— Eu sei.

— E eu vou acompanhar o fundo.

Ethan o examinou. O agente mantinha os ombros rígidos, mas os olhos não se desviaram.

— Cuida do Samuel quando chegar a hora do Rex.

Michael demorou a entender.

— Vou tentar.

— Não fala "vamos". Vai você.

— Eu vou.

A fechadura liberou com um estalo. Ethan colocou a mão algemada sobre o bolso interno, sentiu a carta e a tira da manta, e atravessou a última porta.

Thomas recolheu o maço de cartas deixado na mesa. No primeiro envelope, Ethan havia escrito o endereço antigo da família; no último, apenas o nome de Daniel. O capelão corrigiu o endereço no formulário de entrega e lacrou a caixa.

Margaret guardou o pedido de Rex na pasta azul. Michael permaneceu diante das marcas no piso antes de seguir a equipe.

— Reed — chamou Julia.

— Já vou.

Ele tocou um dos riscos com a ponta da bota. A cera havia saído, revelando a lajota fosca. Nenhuma limpeza comum apagaria aquilo sem trocar a peça.

Michael fotografou as quatro linhas e guardou o telefone.

Depois alcançou a equipe sem olhar para trás.

O rádio permaneceu mudo.

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