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"Horas Para a Execução" Capítulo 6

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Laura afastou o telefone do rosto e tornou a aproximá-lo.

— Como assim, viu?

Samuel explicou a visita sem descrever o choro de Ethan. Contou que Rex o reconhecera, que os dois tiveram vinte minutos e que a separação fora difícil.

— Difícil pra quem? — perguntou Laura.

— Pros dois.

— Você levou aquele cachorro até uma prisão na véspera da execução?

— Levei.

— E agora?

Samuel olhou para Rex junto à porta.

— Agora ele está esperando.

Laura respirou perto do microfone. Um armário fechou do outro lado da linha.

— Por que me ligou?

— Porque amanhã você pode descobrir por uma nota de jornal que acabou.

— Eu sei a data.

— Daniel sabe?

— Sabe.

— Então eu vou desligar.

— Samuel.

Ele esperou.

— Ethan perguntou por nós?

Samuel passou o polegar sobre a costura do peitoral.

— Não durante a visita.

— Claro.

— Ele separou uma fotografia pro Daniel.

Laura não respondeu.

— A de vocês três na camionete — acrescentou.

— Daniel tinha doze.

— Eu lembro.

— Por que você ficou com essa foto?

— Não fiquei. Estava na caixa dele.

O silêncio voltou. Rex levantou a cabeça ao ouvir um carro frear diante da casa.

— Ele pediu perdão? — Laura perguntou.

— Pro cachorro.

— Entendi.

— Laura...

— Não. Não tenta corrigir. Eu só perguntei.

Samuel deixou a frase morrer.

— Ele vai morrer achando que Daniel esqueceu tudo — disse ela.

— Daniel tem direito de esquecer o que conseguir.

— Ele não conseguiu.

Laura encerrou a ligação sem se despedir.

Na sala de casa, uma televisão desligada refletia seu corpo junto à janela. Sobre a estante havia uma caixa de fitas antigas que Daniel trouxera na semana anterior. Ele estava temporariamente no quarto de hóspedes depois de terminar um relacionamento.

Laura puxou a caixa. Encontrou uma fita marcada

VERÃO — 2009

.

Daniel apareceu na porta enquanto ela ligava o aparelho.

— O que você está fazendo?

— Samuel ligou.

Daniel parou.

— Aconteceu?

— Amanhã.

— Eu sei.

Laura colocou a fita. A imagem tremeu antes de mostrar o quintal antigo. Daniel, aos cinco anos, corria atrás de Rex com uma mangueira. Ethan filmava e ria alto demais. Depois a câmera mudou de mão: Ethan montava uma bicicleta pequena, apertando a roda traseira enquanto o filho esperava de capacete.

Daniel pegou o controle e pausou.

— Desliga.

Laura desligou.

— Rex foi vê-lo hoje.

— Quem deixou?

— A prisão. Samuel levou.

Daniel sentou na ponta do sofá.

— Ele reconheceu?

— Na hora.

— E depois?

Laura entregou o telefone. A mensagem de Samuel trazia apenas uma fotografia da manta cinza e a frase:

Ele ainda está junto à porta.

Daniel aumentou a imagem até os pixels se quebrarem.

— Eu não vou lá.

— Ninguém pediu.

— Você está olhando desse jeito.

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— Estou olhando pra você.

— Não vou dar a ele uma última cena bonita. Não consigo.

Laura sentou na poltrona oposta.

— Eu também não vou.

Daniel devolveu o telefone.

— Então acabou.

Ela pegou papel e caneta na gaveta.

— Posso escrever.

— O quê?

— A verdade.

Laura começou três vezes. Rasgou a primeira página ao escrever "perdoo". Amassou a segunda quando tentou explicar os onze anos em dois parágrafos. Na terceira, deixou as frases curtas.

Escreveu que não podia mudar o crime, o julgamento nem o que a família atravessara. Escreveu que ainda havia coisas sem perdão. Disse que Daniel não conseguia visitar porque a visita daria forma a um fim que ele evitava desde os dezesseis anos.

— Quer acrescentar alguma coisa? — perguntou.

Daniel continuou olhando a tela preta.

— Não.

Laura deixou a caneta na mesa e foi até a cozinha. Quando voltou, Daniel segurava o papel.

Ele escreveu uma linha no fim, assinou apenas com a inicial e devolveu.

— Não muda o resto.

— Eu sei.

— Não quero que ele leia como perdão.

— Não vai ler.

Laura dirigiu até Westbridge naquela noite. Não entrou além da recepção. Entregou o envelope, confirmou o nome e voltou para o carro antes que alguém oferecesse uma sala de espera.

No estacionamento, ficou com as duas mãos sobre o volante. O prédio não era visível dali; apenas as luzes das torres atravessavam a chuva. Daniel mandou uma mensagem perguntando se ela havia entregue. Laura respondeu com uma fotografia do protocolo.

Ele vai ler?

Disseram que sim.

Três pontos apareceram e sumiram na tela. Daniel não enviou outra frase.

Laura abriu o porta-luvas. Guardava ali um chaveiro antigo em forma de bicicleta, presente de Daniel no primeiro Dia das Mães após a prisão. Passou o polegar pela roda de plástico e ligou o carro.

Na saída, cruzou com a camionete de Samuel. Ele estacionou ao lado, abaixou o vidro e viu o comprovante sobre o banco.

— Você escreveu.

— Não confunda com despedida.

— Não vou.

— Rex está como?

— Bebeu água. Comeu um pouco de frango.

Laura apertou o volante.

— Daniel ainda tem a bola azul que Rex roubava.

— Então guarda.

— Pra quê?

Samuel olhou para a guarita.

— Porque nem tudo precisa ser entregue amanhã.

Laura fechou o vidro e foi embora. Samuel ficou no estacionamento até as lanternas desaparecerem.

Antes de entrar, telefonou para Helen, que permanecia com Rex.

— Ele voltou pra porta?

— Deitou na manta. A respiração está boa.

— Diz o nome do Ethan. Uma vez.

Helen afastou o telefone. Após alguns segundos, chamou: "Ethan". Um gemido atravessou a linha, seguido por unhas tentando levantar.

Samuel encostou a testa no volante.

— Não fala de novo.

— Não vou.

— Fica até eu voltar?

— Fico.

Ele entrou em Westbridge carregando os documentos. Na recepção, viu o envelope de Laura registrado numa bandeja. Pediu à funcionária que confirmasse a entrega antes do café.

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— É importante?

— Pra quem escreveu e pra quem vai ler.

Na manhã seguinte, Michael levou a carta à cela.

— Chegou ontem à noite.

Ethan reconheceu a letra no envelope. Sentou na cama e demorou para romper a borda.

Leu a primeira metade sem mover o rosto. Ao alcançar o nome de Daniel, apertou a folha com força suficiente para marcar os dedos.

A última linha tinha outra caligrafia.

Ainda lembro quando você me ensinou a andar de bicicleta. Queria que você tivesse sido sempre aquele homem.

Ethan fechou os olhos. Primeiro encostou a página no peito. Depois o corpo começou a tremer.

Michael deu um passo para fora da cela.

— Reed.

— Sim?

— Faz uma cópia.

— Da carta?

— A original vai com a foto pro Daniel. Eu fico com a cópia até a hora.

Michael pegou o envelope.

Thomas chegou quarenta minutos depois. Encontrou Ethan sentado, a folha sobre os joelhos e a bandeja de café intacta.

Michael havia deixado o copo vazio a pedido de Ethan.

— Rex bebia no meu copo quando eu largava no chão — explicou. — Laura ficava furiosa.

Thomas olhou a tira da manta ao lado da carta.

— Daniel escreveu "queria" — disse Ethan. — Não escreveu "quero".

— Você leu direito.

— É o mais perto que ele consegue chegar.

— Então não puxe.

Ethan dobrou a carta na marca anterior.

— Passei a vida puxando quem queria distância.

A luz da manhã atravessava a janela estreita. Michael recolheu a bandeja, mas deixou o copo no chão.

Ethan colocou a carta sobre o travesseiro e pediu que a fotografia fosse embalada separadamente, sem qualquer bilhete adicional. Daniel já havia recebido palavras demais para carregar.

No verso do protocolo, escreveu apenas o endereço atualizado e assinou com as iniciais.

Sem recado novo.

— Está preparado? — perguntou.

Ethan olhou para a pequena janela acima da pia.

— Não.

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