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"Horas Para a Execução" Capítulo 2

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Samuel manteve o telefone junto ao ouvido. Rex continuou olhando para ele.

— Repete — pediu.

A funcionária de Westbridge repetiu a solicitação. Visita supervisionada. Avaliação veterinária. Transporte autorizado. Vinte minutos, se todas as etapas fossem aprovadas.

Samuel passou a mão pelo focinho grisalho do cão.

— Quando?

— Amanhã de manhã.

— Vocês avisam com menos de vinte e quatro horas e chamam isso de procedimento?

— Senhor Carter, eu só estou transmitindo...

— Eu sei. Me passe para quem decide.

Houve música de espera. Rex tentou se levantar, apoiou primeiro as patas dianteiras e hesitou quando a traseira direita precisou sustentar peso. Samuel encaixou a mão sob o quadril dele.

— Devagar, velho.

Margaret Hall entrou na linha.

— Senhor Carter, sou a diretora de Westbridge.

— Rex tem treze anos. Artrite, uma lesão antiga e coração de cachorro novo quando escuta o nome errado.

— Então o senhor considera a visita perigosa para ele?

Samuel olhou para a porta da frente. Rex também olhava.

— Considero a segunda despedida perigosa.

Margaret não respondeu de imediato.

— A veterinária pode avaliar hoje?

— Pode.

— Se ela reprovar, cancelamos.

— E se aprovar?

— Eu garanto uma sala sem outros presos, sem contato com imprensa e com tempo para ele se acalmar antes de sair.

Samuel apertou a base da orelha de Rex, onde o pelo ainda guardava a maciez dos primeiros anos.

— Ethan sabe que talvez o cachorro não queira chegar perto?

— Sabe.

— Ele perguntou isso?

— Foi a primeira preocupação que registrou depois do pedido.

Samuel fechou os olhos por um instante.

— Mande os documentos.

A dra. Helen Brooks chegou duas horas depois com uma bolsa preta e um pacote de biscoitos que Rex fingia não gostar. Examinou as articulações, ouviu o coração e observou o cão caminhar pelo quintal.

— A viagem é de uma hora e quarenta — disse Samuel.

— Ele aguenta com uma parada. O piso da camionete precisa estar coberto. Nada de escadas.

— E o encontro?

Helen guardou o estetoscópio.

— Não tenho como medir isso.

— Você recomendaria?

— Recomendo que a escolha seja pelo Rex. Leve. Se ele travar na entrada, vocês voltam. Se der sinais de exaustão, acaba. Ninguém força aproximação para produzir uma despedida bonita.

Samuel assentiu.

— Westbridge vai querer a guia curta.

— Use o peitoral preto. Distribui melhor a pressão.

Rex tocou a bolsa com o focinho. Helen entregou um biscoito.

— E leve a manta dele.

— Ele dorme na porta, não na manta.

— Então leve a porta.

Samuel soltou uma risada curta. Rex mastigou com cuidado, os dentes gastos quebrando o biscoito em três partes.

Naquela noite, Samuel não contou histórias. Separou água, remédios, uma toalha e a manta cinza guardada no armário. Tinha sido comprada por Ethan numa loja de estrada. Uma ponta ainda trazia a marca de dentes de quando Rex era jovem.

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O cão acompanhou cada movimento.

— Vamos fazer uma viagem amanhã.

Rex inclinou a cabeça.

Samuel abriu a gaveta onde guardava documentos antigos e encontrou uma fotografia dobrada. Ethan estava ao lado da camionete, mais largo, cabelo sem fios brancos, uma mão pousada no teto. Rex ocupava a carroceria com a língua para fora.

— Vamos ver Ethan.

As duas orelhas de Rex avançaram.

Samuel repetiu o nome.

O cão ficou de pé rápido demais. A pata traseira escorregou no tapete. Ele recuperou o equilíbrio e foi até a porta.

— Você ainda sabe.

Rex cheirou a fresta inferior e esperou.

Samuel estendeu a manta no chão ao lado dele. Deitou-se sobre o tecido, usando o próprio braço como travesseiro. Durante a madrugada, acordou três vezes. Em todas, Rex estava com o focinho apontado para a maçaneta.

A chuva começou antes do amanhecer.

Samuel abriu a traseira da camionete adaptada e colocou a rampa. Rex subiu devagar, parou no meio e olhou para a casa.

— Podemos desistir.

O cão terminou de subir.

Samuel prendeu o cinto especial ao peitoral e cobriu o piso com duas mantas. No bolso lateral, guardou o laudo de Helen e uma folha com instruções: água a cada hora, descanso após escorregar, interrupção se a respiração ultrapassasse o limite marcado.

Durante o primeiro trecho, Rex permaneceu deitado. Ao cruzarem a ponte, levantou o focinho e cheirou a saída de ar. Samuel conhecia aquele gesto. O cão procurava uma direção, como fazia quando Ethan demorava a voltar do trabalho.

— Não cria expectativa — disse Samuel, mantendo os olhos na pista.

Rex encostou o queixo no banco.

Samuel desligou o rádio. Guardava raiva suficiente para os dois. Ethan tivera anos para escrever, telefonar, pedir notícia. Fizera duas tentativas no começo, depois apenas cartões curtos no aniversário do cão. Samuel nunca respondeu. Ainda assim, conservara todos numa gaveta.

Num sinal fechado, abriu o porta-luvas e tocou o envelope mais antigo.

Cuida dele por mim.

Quatro palavras, sem explicação.

— Você merecia mais que isso.

Rex soltou o ar e fechou os olhos.

Na estrada, não dormiu. Observou árvores, placas e caminhões através do vidro. Quando um motor mais grave se aproximava, levantava as orelhas. Samuel diminuía o rádio para escutar a respiração dele.

Fizeram uma parada num posto. Rex bebeu pouca água e cheirou o pneu de uma camionete antiga. O motorista ligou o motor; a cauda do cão se moveu duas vezes.

— Não é aquela — disse Samuel.

Rex voltou para a rampa.

Westbridge apareceu atrás de uma cortina de chuva: muros de concreto, cercas sobrepostas, torres quadradas. Samuel estacionou na área indicada e entregou os documentos a três pessoas diferentes.

Rex passou por um detector manual. Permitiu que examinassem o peitoral. Um agente pediu que Samuel abrisse a boca do cão.

— Você pode pedir — respondeu Samuel. — Eu não vou forçar a mandíbula de um malinois velho para satisfazer curiosidade.

Michael Reed surgiu no corredor de acesso.

— Está liberado. Sem objetos metálicos além da fivela aprovada.

Samuel o avaliou.

— Você estava na sala quando fizeram o pedido?

— Estava.

— Como ele está?

Michael passou o cartão na primeira porta.

— Mais magro.

— Não perguntei isso.

O agente segurou a porta para Rex.

— Está esperando.

Os primeiros corredores cheiravam a desinfetante e roupa úmida. Rex caminhou junto à perna de Samuel, sem puxar. Portas se abriam e fechavam à distância. Rádios estalavam. O cão observava cada mudança, mas mantinha a cauda baixa.

Depois da terceira barreira, o piso mudou de concreto áspero para lajotas lisas.

Rex parou.

Samuel afrouxou a guia.

O focinho do cão subiu. Ele puxou o ar uma vez, depois outra. A cauda se moveu devagar.

— Sentiu alguma coisa?

Rex avançou. A pata com artrite já não arrastava. No fim do corredor, duas portas metálicas separavam a visita da área de espera.

Michael passou à frente.

Rex tocou o joelho de Samuel com o focinho, pedindo passagem.

— Segure curto até a porta abrir.

Samuel enrolou a guia uma vez na mão, deixando espaço suficiente para o cão escolher.

Do outro lado, Ethan estava sentado havia dez minutos. As algemas prendiam seus punhos à corrente da cintura. Dois agentes ocupavam o fundo da sala. Thomas Avery permanecia perto da parede, mãos cruzadas.

Ethan ouviu o primeiro toque das unhas no piso.

O som era irregular: quatro passos, uma pausa curta, quatro passos.

Ele endireitou a coluna.

As unhas se aproximaram. Ethan fechou os olhos quando reconheceu a pequena falha na passada traseira, um ritmo que Rex carregava desde a lesão no inverno de 2009.

A maçaneta girou.

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