"Eles Me Deixaram Morrer Pelo Meu Dinheiro" Capítulo 16
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"Eu não colocaria nesses termos."
"Mas é verdade."
Augusto levantou.
"Eu tentei evitar que seu nome vazasse."
"Não conseguiu."
"Não."
"Agora Caio acha que precisa de mim."
"Sim."
"Então a proteção não é exagero."
"Não."
Mariana olhou para Helena.
"E vocês estão esperando ele fazer o quê?"
Helena respondeu:
"Errar."
"Mais do que já errou?"
"Precisamos fechar a ligação entre ameaça, fraude e eventual preparação de violência."
"Vocês acham que ele está preparando alguma coisa."
Helena hesitou.
"Achamos possível."
Mariana riu sem humor.
"Vocês sempre falam assim?"
"Assim como?"
"Como se uma pessoa pudesse estar planejando matar alguém e ainda fosse um item de relatório."
Augusto respondeu:
"É uma forma de não deixar o medo comandar."
"Talvez eu prefira sentir medo."
"Eu não."
"Porque você nunca aprendeu a sentir nada na hora certa."
A frase foi dura.
Augusto aceitou.
Mariana continuou:
"Você sente culpa cinco anos depois."
Ele não respondeu.
"Sente decepção depois de perder milhões."
Silêncio.
"E agora sente medo depois que alguém manda uma foto de uma cova."
"Eu senti medo."
Ela parou.
Augusto baixou a voz.
"Quando você saiu sozinha ontem, eu senti."
Mariana não esperava.
"Por mim?"
"Sim."
"Ou porque eu estragaria seu plano?"
Augusto ficou ferido.
Dessa vez ela viu claramente.
"Por você."
Mariana desviou o olhar.
Augusto continuou:
"Se eu quisesse apenas provas, teria deixado você no apartamento sem proteção."
Ela ficou em silêncio.
"Se eu quisesse usar você como isca, Caio já teria recebido um endereço verdadeiro."
Mariana virou.
"Recebido?"
Augusto e Helena trocaram um olhar.
Ela percebeu.
"Que endereço ele recebeu?"
Helena respondeu:
"Um falso."
"De quem?"
"De um homem chamado Marcelo Duarte."
Mariana lembrou vagamente do nome.
"Quem é?"
"Ex-funcionário do Grupo Valença."
"E trabalha para vocês."
"Agora, sim."
"Caio acha que trabalha para ele?"
"Renato também."
Mariana ficou chocada.
"Vocês colocaram um informante dentro da investigação deles."
Augusto respondeu:
"Eles colocaram por conta própria."
"Como assim?"
"Renato procurou Marcelo."
"E ele aceitou."
"Com nossa autorização."
Mariana sentou.
Aquilo parecia grande demais.
"Então tudo que eles fazem..."
Helena respondeu:
"Nem tudo."
"Mas parte."
"Transferências, pedidos de informação, movimentações."
"E ameaças?"
"Temos registro."
"Compra de armas?"
Helena parou.
Mariana percebeu imediatamente.
"Tem?"
Augusto fechou os olhos.
Helena respondeu:
"Há indícios."
Mariana levantou outra vez.
"Indícios?"
"Um antigo segurança dispensado foi procurado."
"Para quê?"
"Ainda estamos confirmando."
"Vocês acham que eles estão montando uma equipe?"
Ninguém respondeu.
O silêncio respondeu por eles.
Mariana ficou pálida.
"E você está aqui sentado."
Augusto se levantou.
"Porque correr não resolve."
"Talvez sobreviver resolva."
"Por isso você está protegida."
"E você?"
"Também."
"Caio ameaçou matar você primeiro."
"Eu lembro."
"Então por que está tão calmo?"
Augusto respondeu:
"Porque agora sei que ele está se movendo."
"E isso é bom?"
"É previsível."
Mariana balançou a cabeça.
"Você é impossível."
"Já me disseram."
"Eu estou falando sério."
"Eu também."
Helena interrompeu:
"Mariana."
Ela olhou.
"Há uma coisa importante."
"O quê?"
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"Você pode sair formalmente da estrutura."
Augusto virou para Helena.
Ela continuou:
"Mas isso não muda o que Caio acredita hoje."
Mariana entendeu.
"Então mesmo se eu desistir..."
"Ele pode achar que é mentira."
"E continuar atrás de mim."
"Sim."
"Por quanto tempo?"
"Até entender que não consegue nada."
Mariana sentiu a garganta apertar.
"Ou até ser preso."
Helena assentiu.
"Ou até ser preso."
Na mesma noite, Caio estava em um apartamento na região da Berrini.
Cortinas fechadas.
Celulares sobre a mesa.
Duas garrafas vazias.
Renato andava de um lado para outro.
"Isso está indo longe demais."
Caio nem levantou a cabeça.
"Longe demais foi Augusto congelar nossas contas."
"Não estou falando de dinheiro."
"Eu estou."
"Você mandou aquela foto."
Caio sorriu.
"Funcionou."
"Ela não assinou nada."
"Ainda."
"Porque talvez não possa."
Caio finalmente olhou.
"Como assim?"
"Eu estou tentando entender a estrutura."
"Então entende mais rápido."
"Patentes desse tamanho não são transferidas com uma assinatura em guardanapo."
"Eu sei."
"Não parece."
Caio levantou.
"Você quer desistir?"
"Quero parar de piorar."
"É tarde."
"Não é."
"É."
Caio abriu uma pasta.
Jogou alguns documentos sobre a mesa.
"Olha."
Renato leu.
Eram extratos.
Transferências.
Fornecedores.
Contratos.
Seu rosto endureceu.
"De onde conseguiu?"
"Não importa."
"Isso é parte da auditoria."
"Exato."
Renato folheou.
"Quanto eles têm?"
"Não sei."
"Se tiverem isso..."
"Vão ter o resto."
Renato sentou.
Caio continuou:
"Você acha que Augusto está fazendo instituto porque acordou bonzinho?"
"Não."
"Ele está construindo proteção."
"Eu sei."
"Quando entregar o material ao Ministério Público, acabou."
Renato passou a mão no rosto.
"Talvez seja melhor negociar."
Caio riu.
"Negociar?"
"Devolver parte."
"Parte?"
"Assumir erro administrativo."
"Você enlouqueceu."
"É melhor que cadeia."
Caio se aproximou.
"Você acha que ele quer dinheiro?"
"Não sei."
"Ele quer destruir a gente."
Renato respondeu:
"Depois do hospital, talvez tenha motivo."
Caio ficou imóvel.
"Você está me culpando?"
"Estou dizendo que a gente fez uma coisa estúpida."
"A gente?"
"Sim."
"Foi você quem confirmou o testamento."
"E foi você quem falou para deixar ele morrer."
"Você não me impediu."
"Eu sei."
Os dois ficaram em silêncio.
Renato baixou a voz.
"Foi um erro."
Caio respondeu:
"Erro é coisa que ainda dá para consertar."
"E isso dá?"
"Sim."
"Como?"
Caio abriu uma gaveta.
Retirou uma folha.
Havia horários.
Endereços.
Placas de carros.
Rotas.
Renato olhou.
"O que é isso?"
"Rotina."
"De quem?"
"Mariana."
O sangue sumiu do rosto de Renato.
"Você mandou seguir ela."
"Estou resolvendo."
"Isso não é resolver."
"Ela precisa assinar."
"Você nem sabe se a assinatura vale."
"Vai valer."
"Como?"
"Ela vai fazer o que precisar."
Renato ficou de pé.
"Não."
Caio olhou para ele.
"Não?"
"Eu não vou participar de sequestro."
Caio deu uma risada curta.
"Não usa essa palavra."
"Que palavra você prefere?"
"Pressão."
"Você está falando em levar uma mulher contra a vontade."
"Por algumas horas."
"Isso é sequestro."
"Então chama do que quiser."
Renato pegou o celular.
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"Eu estou fora."
Caio segurou o braço dele.
"Não está."
"Me solta."
"Você está em todas as contas."
Renato ficou imóvel.
"Em todas as empresas."
"Eu sei."
"Em todas as transferências."
"Eu sei."
"Seu nome aparece mais do que o meu em algumas."
"Porque você mandava eu assinar."
Caio sorriu frio.
"E você assinava."
Renato puxou o braço.
"Não muda nada."
"Muda tudo."
Caio chegou perto.
"Se você sair agora, Augusto entrega tudo."
"Ele vai entregar de qualquer jeito."
"Não se a gente resolver antes."
"Resolver o quê?"
"Mariana."
Renato encarou o irmão.
"Você está doente."
"Não."
Caio abriu outra gaveta.
Dessa vez retirou uma arma.
Colocou sobre a mesa.
Renato ficou em silêncio.
"Para quê isso?"
"Segurança."
"Não."
"Se Augusto estiver com ela, melhor ainda."
Renato recuou.
"Caio."
"A gente pega os dois."
"Você enlouqueceu."
"Faz ela assinar."
"Não sabemos se funciona."
"Então descobrimos."
"E depois?"
Caio ficou calado por um instante.
Renato percebeu.
"Depois o quê?"
"Depois ninguém vai poder dizer que foram obrigados."
"Como?"
Caio olhou para a arma.
Renato entendeu.
"Você está falando de matar os dois."
"Estou falando de evitar testemunhas."
"Meu Deus."
"Para com isso."
"Não."
Renato começou a andar em direção à porta.
Caio falou:
"Se você sair, eu mando para Augusto tudo que tenho com sua assinatura."
Renato parou.
"Você não faria isso."
"Quer testar?"
Ele virou lentamente.
Caio sorriu.
"Agora entende."
Renato olhou para os documentos.
Depois para a arma.
Depois para o irmão que conhecia desde criança.
Pela primeira vez, Caio parecia um estranho.
"Isso vai dar errado."
"Não vai."
"Augusto sempre pensa antes."
"Ele quase morreu."
"E voltou diferente."
Caio não respondeu.
Renato respirou fundo.
"E se ele souber?"
"Não sabe."
"E se Mariana já contou tudo?"
"Melhor. Fica mais fácil localizar os dois."
"E se a segurança estiver esperando?"
Caio pegou a arma.
Verificou o carregador.
Renato sentiu um arrepio.
Então perguntou:
"E se ele estiver esperando por nós?"
Caio encaixou o carregador novamente.
Ergueu os olhos.
"Então desta vez a gente garante que ele morra."
Parte 9
A Casa Que Não Era Uma Casa
A porta fechou atrás de Mariana com um clique seco.
Ela ainda estava tentando entender tudo o que Helena havia dito sobre as patentes quando percebeu que Augusto não estava indo em direção ao elevador.
Ele seguia por um corredor lateral.
"Para onde você está indo?"
"Para casa."
Mariana franziu a testa.
"Qual delas?"
Augusto quase sorriu.
"Uma que você conhece."
Ela parou.
"Não."
"Sim."
"Você está falando do meu prédio?"
"Estou."
"Eu achei que fosse perigoso."
"É."
"Então por que vamos voltar?"
"Porque agora chegou a hora de você conhecer o prédio de verdade."
Mariana ficou alguns segundos olhando para ele.
"Augusto, eu já estou cansada de frases que parecem saídas de filme."
"Essa é a última."
"Você sempre fala isso."
Ele não respondeu.
Rafael apareceu atrás deles.
"Carro pronto."
Mariana olhou para o segurança.
"Você também sabia?"
"Sobre o quê?"
"Se eu soubesse, não perguntava."
Rafael olhou para Augusto.
Depois para ela.
"Sim."
Mariana soltou uma risada nervosa.
"Claro."
O caminho até o prédio foi silencioso.
São Paulo passava do lado de fora em luzes, semáforos e carros.
Mariana olhava pela janela.
A cada moto que se aproximava, seu corpo tensionava.
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