"Ele Pensou Que Eu Nunca Iria Embora… Até Eu Escolher o Pai Dele" Parte 3
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Os dias passaram, mas a distância entre Isabela e Gabriel apenas aumentava.
Pela primeira vez em anos, Isabela não estava esperando uma mensagem dele.
Não estava olhando o celular a cada minuto.
Não estava tentando descobrir como recuperar um relacionamento que só existia porque ela insistia.
Ela começou a perceber uma coisa que doía mais do que a separação.
Ela havia passado tanto tempo tentando ser escolhida por Gabriel que esqueceu de escolher a si mesma.
Em Vila Mariana, Isabela retomava sua antiga rotina.
Voltava a trabalhar.
Voltava a encontrar Mariana.
Voltava a fazer pequenas coisas que havia abandonado enquanto tentava se encaixar no mundo dos Montenegro.
Mas, apesar de toda a força que demonstrava, havia uma pergunta que ainda a perseguia.
Eduardo.
Ela sabia que aquela noite tinha mudado alguma coisa.
No começo, ela tentou convencer a si mesma de que ele era apenas uma ferramenta.
Uma forma de atingir Gabriel.
Uma maneira de mostrar ao homem que a humilhou que ela também tinha poder.
Mas quanto mais pensava, mais percebia que não era tão simples.
Eduardo tinha sido diferente.
Ele não tinha rido dela.
Não tinha feito ela se sentir pequena.
Não tinha pedido nada em troca.
Ele apenas olhou para ela como uma pessoa.
E isso era algo que ela não recebia há muito tempo.
Enquanto isso, Eduardo tentava manter distância.
Ele havia prometido a si mesmo que aquilo terminaria naquela noite.
Mas a vida parecia insistir em colocar Isabela novamente em seu caminho.
Naquela tarde, Eduardo saiu de uma reunião na Avenida Faria Lima quando a viu.
Isabela estava saindo de uma pequena cafeteria.
Ela também o viu.
Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.
O passado daquela noite parecia estar entre eles.
Eduardo foi o primeiro a se aproximar.
"Precisamos conversar."
Isabela ficou tensa.
Ela sabia que aquela conversa chegaria em algum momento.
Eles caminharam até uma praça próxima.
Eduardo manteve uma expressão séria.
Não era raiva.
Era decepção.
"Naquela noite… você sabia quem eu era."
Isabela ficou em silêncio.
Ela poderia mentir.
Poderia dizer que não sabia.
Mas pela primeira vez, ela não queria esconder nada.
"Sabia."
A resposta simples fez Eduardo desviar o olhar por alguns segundos.
Ele respirou fundo.
"Então você sabia que eu era o pai de Gabriel."
Ela confirmou com a cabeça.
"Sim."
O silêncio entre os dois ficou pesado.
Eduardo passou a mão pelo rosto.
Ele não esperava aquela resposta.
Não porque se sentisse enganado apenas.
Mas porque, em algum lugar dentro dele, ele acreditava que aquele momento tinha sido verdadeiro.
Ele acreditava que aquela mulher tinha procurado abrigo nele.
Mas agora parecia diferente.
"Então eu era apenas uma arma contra ele?"
A pergunta saiu baixa.
Mas atingiu Isabela com força.
Ela abriu a boca para responder.
Mas nenhuma palavra saiu.
Porque, no fundo, aquela era a verdade que ela não queria admitir.
Naquela noite, ela não entrou naquela cobertura porque acreditava em amor.
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Ela entrou porque queria que Gabriel sentisse a mesma dor que ela sentiu.
Queria que ele percebesse o valor dela.
Queria que ele se arrependesse.
Eduardo percebeu o silêncio dela.
E isso respondeu tudo.
"Eu entendo."
Isabela levantou o olhar.
Ela esperava julgamento.
Esperava que ele a chamasse de manipuladora.
Esperava que ele fosse igual a todos os outros.
Mas Eduardo apenas parecia triste.
"Você estava machucada."
Ela ficou surpresa.
"Você não vai me condenar?"
Eduardo olhou para ela.
"Eu não disse que foi certo."
A voz dele era firme.
"Mas eu consigo entender de onde veio."
Aquelas palavras fizeram algo dentro dela quebrar.
Porque durante muito tempo ninguém tentou entender.
Todos apenas julgavam.
Gabriel julgava suas emoções.
Os amigos dele julgavam sua origem.
A família Montenegro julgava seu lugar naquele mundo.
Mas Eduardo enxergava algo diferente.
Ele enxergava a ferida antes da atitude.
Isabela abaixou os olhos.
"Eu queria que ele sofresse."
Ela finalmente admitiu.
"Queria que Gabriel percebesse que poderia me perder."
Eduardo permaneceu em silêncio.
"Eu queria que ele entendesse que eu também tinha valor."
A voz dela começou a falhar.
"Mas acho que eu estava tentando provar isso para a pessoa errada."
Pela primeira vez, Isabela não falava de Gabriel com raiva.
Falava com tristeza.
Ela percebeu que não queria mais vencer uma disputa.
Ela só queria ter sido amada sem precisar implorar.
Eduardo olhou para ela.
E naquele momento ele viu a verdadeira Isabela.
Não a mulher que entrou na sua cobertura tentando provocar alguém.
Mas uma jovem que passou anos tentando ser suficiente para uma pessoa que nunca percebeu seu valor.
"Isabela..."
Ela levantou os olhos.
"Você não precisa provar nada para Gabriel."
Ela ficou quieta.
Eduardo continuou.
"Nem para mim."
O vento passou entre os dois.
E pela primeira vez, Isabela sentiu que alguém não estava tentando conquistá-la.
Estava tentando ajudá-la a se encontrar.
Naquela noite, Gabriel percebeu que algo estava diferente.
Ele encontrou algumas fotos antigas no celular.
Fotos dele e Isabela.
Viagens simples.
Momentos que ele nunca valorizou.
Ele percebeu que, enquanto ele procurava festas, status e aprovação de outras pessoas...
Isabela estava construindo uma vida ao lado dele.
E ele destruiu tudo acreditando que ela nunca teria coragem de partir.
Ele tentou ligar novamente.
Sem resposta.
Mandou outra mensagem.
Nada.
Pela primeira vez, Gabriel sentiu medo.
Não o medo de perder uma namorada.
Mas o medo de perder alguém que sempre esteve disponível.
No dia seguinte, Eduardo voltou ao escritório.
Ricardo percebeu que havia algo diferente nele.
"Você parece preocupado."
Eduardo olhou pela janela da Torre Montenegro.
"Estou tentando entender uma coisa."
"O quê?"
Eduardo demorou alguns segundos para responder.
"Como alguém pode passar tanto tempo ao lado de uma pessoa e nunca perceber o valor dela."
Ricardo entendeu que aquela frase não era sobre negócios.
Era sobre Isabela.
No final daquela tarde, Eduardo encontrou Isabela novamente.
Dessa vez, ela parecia mais tranquila.
Mais segura.
Ele se aproximou.
"Isabela."
Ela olhou para ele.
Eduardo ficou alguns segundos em silêncio antes de falar.
"Você passou muito tempo tentando ser vista por Gabriel."
Ela não respondeu.
"Mas talvez tenha esquecido de olhar para você mesma."
Isabela sentiu os olhos marejarem.
Eduardo deu um passo para trás.
Não queria pressioná-la.
Não queria ser mais uma pessoa dizendo quem ela deveria ser.
Apenas queria que ela entendesse.
Então disse:
"Você precisa descobrir quem é sem Gabriel."
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