"O Chefe Que Eu Ensinei a Andar" Capítulo 5
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Dario testou a maçaneta e retirou uma ferramenta fina do bolso. Massimo apontou para a porta lateral que ligava o escritório à biblioteca.
— Saímos por ali.
Teresa recolheu as fotografias. A biblioteca estava vazia; o corredor também. Quando Dario abriu a fechadura principal, encontrou uma chave quebrada no cilindro.
— Recado — disse.
Massimo tirou o relógio e o colocou sobre a mesa.
— Chame Domênico.
— Não — Teresa respondeu.
— Você já pediu tempo.
— Preciso de amostras, registro de acesso e laudo da ampola. Uma ameaça não prova sabotagem.
— Prova intenção.
— Prova arrogância. Quero algo que sobreviva a advogado.
Dario escondeu a chave num saco. Massimo voltou o relógio ao pulso.
Na manhã seguinte, Teresa assumiu a bandeja de medicamentos. Conferia lote, lacre e prescrição com Dario como testemunha. Dr. Reyes apareceu para protestar.
— Você não tem autorização para suspender analgesia.
— Não suspendi. Corrigi conforme sua prescrição verdadeira.
— Está criando conflito com a família.
— Sua assinatura clonada cria risco criminal.
Reyes fechou a porta.
— Domênico pediu que eu assinasse folhas de contingência depois da cirurgia. Protocolos para emergência.
— Em branco?
O médico passou a mão pelos cabelos.
— A casa estava caótica.
— Entregou seu certificado?
— Um token temporário.
— Para quem?
Reyes olhou para Massimo.
— Administração.
Massimo aproximou a cadeira.
— Nome.
— Domênico.
Dario gravava com o telefone sobre a mesa. Reyes percebeu e pediu advogado. Massimo apontou para a saída.
Teresa mandou a ampola a um laboratório independente. O resultado chegou no mesmo dia: concentração duas vezes maior, compatível com sedação e redução de desempenho motor.
Sem a dose clandestina, Massimo permaneceu alerta. Na sessão da tarde, levantou-se entre as barras e sustentou vinte e três segundos.
— Peso à esquerda — Teresa disse.
— Está tremendo.
— Deixa tremer. Não foge para o braço.
Ele transferiu parte do peso. O pé esquerdo deslizou dois centímetros para a frente.
Teresa sorriu antes de impedir.
— Você viu.
— Vi compensação.
— Mentirosa.
Massimo tentou outra vez. O pé avançou mais um centímetro. Quando sentou, Teresa colocou as mãos nos ombros dele.
— Isso estava aí. Alguém cobriu com remédio.
Ele tocou a cintura dela, repetindo o apoio da queda.
— Você descobriu.
— Ainda precisamos provar quem aplicou.
— Eu sei quem.
— Saber e prender são coisas diferentes.
Os rostos ficaram próximos. Teresa sentiu o calor do exercício na pele dele. Massimo olhou para a boca dela; o polegar se moveu uma vez sobre o tecido da camisa.
Uma batida interrompeu. Camila entrou com uma pasta e parou ao ver a posição dos dois.
— Escolhi um horário ruim?
Teresa recuou.
— Trouxe o quê?
Camila apresentou registros do certificado, pagamentos a uma empresa de cuidados e acordos de confidencialidade das enfermeiras. A segunda profissional recebera dinheiro três dias depois de registrar sonolência excessiva.
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— Posso localizá-la — disse.
— Faça — Massimo respondeu.
Camila fechou a pasta.
— Teresa também precisa sair. Hoje.
Massimo virou a cadeira.
— Não.
— Domênico consultou matrícula, endereço da mãe dela e dados bancários.
— Minha mãe morreu — Teresa disse. — Minha única família mora no interior.
— Ele procurou mesmo assim.
Massimo abriu a gaveta, retirou um envelope e o colocou na mesa.
— Pagamento integral. Um carro leva você. Agora.
Teresa olhou o envelope e depois para ele.
— É isso que quer?
— Quero que sobreviva.
— Perguntei se quer que eu vá.
A resposta saiu antes que Massimo ajustasse a voz.
— Não.
Camila desviou os olhos. Teresa empurrou o envelope de volta.
— Então eu fico. Medicação comigo, refeições lacradas e Dario fora da equipe de Domênico.
— Você está se colocando contra minha família.
— Já colocaram minha mensalidade na conversa. Agora é pessoal.
Massimo segurou a mão dela.
— Ficar significa que ele vai tentar de novo.
— Levanta antes dele.
As luzes piscaram. Uma vez. Duas.
O escritório mergulhou no escuro.
No andar inferior, madeira quebrou. Um tiro ecoou, seguido por um corpo atingindo o piso.
Depois da descoberta do carro, Teresa transferiu as provas para três destinos: delegacia, escritório de Camila e cofre digital fora da rede Pascale. Dario mudou códigos, bloqueou acessos de Domênico e retirou a chave da farmácia.
Massimo participou de tudo da sala de reabilitação. Sem sedativos, conseguia elevar o quadril, sustentar peso e avançar um pé. Cada progresso aumentava a urgência ao redor.
Durante o jantar, Domênico apareceu sem ser anunciado. Sentou diante do primo e olhou para Teresa como se fosse parte do mobiliário.
— O conselho vota incapacidade na próxima semana.
— Cancele — Massimo disse.
— Você permanece dependente para banho, alimentação e mobilidade.
Teresa colocou o garfo na mesa.
— Ele toma banho com supervisão, come sozinho e ficou em pé quarenta segundos hoje.
Domênico virou-se para ela.
— Ninguém pediu relatório.
— Usou dados clínicos falsos. Agora recebeu correção.
Massimo cobriu a mão de Teresa sob a mesa, impedindo que ela se levantasse. O gesto foi discreto; Domênico viu.
— Entendo — disse o primo. — A recuperação ganhou incentivo novo.
Massimo retirou o relógio e o colocou ao lado do prato.
— Saia da minha casa.
Domênico levantou. Antes de partir, inclinou-se perto de Teresa.
— As outras sabiam quando terminar o turno.
Naquela madrugada, as luzes apagaram.
Camila passou a noite na mansão organizando declarações. Lúcia aceitou depor desde que o filho entrasse em proteção. Reyes enviou cópia do token e confirmou que Domênico o usara fora do hospital.
Teresa levou o material até Massimo. Ele estava tentando transferir-se sozinho para a cama, usando técnica errada.
— Quer provar o quê agora?
— Que consigo sair sem arrastar você comigo.
— Pode começar respeitando a faixa.
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Ela se posicionou diante dele. Massimo passou o braço por seus ombros, e os dois giraram juntos. Na cama, ele não soltou a cintura dela.
— Se tudo der errado, vá com Camila — disse.
— Já aceitou que fico.
— Aceitei que não consigo ordenar sua saída.
— Progresso neurológico e moral no mesmo dia.
Ele tocou o rosto dela. Teresa inclinou-se, mas um alarme disparou no andar inferior. Dario informou que uma câmera externa fora cortada.
Massimo puxou Teresa para perto.
— A partir de agora, não anda sozinha.
— Isso é ordem?
— Pedido mal formulado.
Ela pegou a pasta de provas e permaneceu ao lado da cadeira. Horas depois, durante o jantar, Domênico entrou para anunciar a votação de incapacidade.
Lúcia prestou depoimento na mansão. Reconheceu o enfermeiro das câmeras e entregou mensagens de ameaça. Massimo pediu desculpas por ter acreditado que ela simplesmente abandonara o posto.
— O senhor quebrava objetos e recusava cuidado — Lúcia respondeu. — Domênico usou isso. Todo mundo acreditava que saíamos por sua causa.
Massimo abaixou os olhos para a cadeira.
— Parte era minha causa.
Teresa permaneceu junto à parede, deixando que ele sustentasse a frase sem resgate. Depois, Massimo pagou o saldo contratual de Lúcia e financiou proteção jurídica pelo conselho, com documentos públicos.
— Está aprendendo transparência — Teresa disse.
— Palavra desagradável.
— Combina com recuperação.
Horas depois, o sistema elétrico foi cortado e o primeiro tiro atravessou o andar inferior.
Antes do ataque, Teresa telefonou à coordenação do doutorado e pediu mais uma semana. A secretária informou que a matrícula estava preservada após o primeiro pagamento. Teresa fechou os olhos por um segundo e guardou o comprovante.
Massimo viu a tela.
— Salvou seu curso.
— Meu trabalho salvou.
— E agora?
— Agora salvo meu paciente de uma votação fraudulenta.
Ele segurou a mão dela e beijou os dedos antes que as luzes piscassem.
Dario trancou a farmácia e guardou a única chave consigo naquela noite.
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