"Joguei-a na Favela, Ela Comprou Meu Império" Capítulo 7
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A brisa morna e salgada do Atlântico beijava a orla de Copacabana, onde o icônico hotel de fachada branca reluzia sob uma constelação de holofotes e flashes de câmeras da alta sociedade.
Afastando-se da tempestade implacável de São Paulo, a elite financeira e política do Brasil reunira-se no suntuoso salão nobre do Copacabana Palace para uma noite de pura ostentação.
No centro daquele mar de espartilhos de grife, joias de esmeralda e taças de cristal tilintando, Vitória Albuquerque desfilava com um sorriso triunfante e gélido colado aos lábios.
Ela usava um vestido de alta-costura bordado com fios de ouro e diamantes verdadeiros, reafirmando perfeitamente o seu papel inquestionável de matriarca intocável do império corporativo.
Ao lado da mãe, a jovem Bianca exibia um deslumbrante vestido tomara que caia em tom rosa-choque, rindo ruidosamente ao lado de empresários influentes da Zona Sul carioca.
O motivo de tanta euforia coletiva era o anúncio oficial que seria feito dali a poucos minutos: a coroação de Bianca como a única e legítima herdeira universal do conglomerado.
Horas antes, na recepção dos funcionários subalternos, Bianca fizera questão de entregar pessoalmente um envelope amarrotado e com os dizeres de escárnio à sua arqui-inimiga secreta.
"Trabalhe direitinho servindo o champagne nas bandejas de prata, garota da favela, pois esta é a única forma de você pisar em um salão de nobres", zombara Bianca ao chutar o convite.
Sofia guardara o tal convite no bolso do casaco, ciente de que a humilhação planejada pela patricinha serviria apenas como o bilhete de entrada para a sua própria consagração histórica.
As portas duplas de madeira nobre do salão principal abriram-se com um rangido cerimonioso, atraindo imediatamente a curiosidade invejosa dos convidados que aguardavam o ápice da festa.
O burburinho de vozes altissonantes cessou de repente, substituído por um silêncio sepulcral e absoluto que varreu o recinto de ponta a ponta em questão de segundos.
Vagando com a leveza de uma pantera negra e o porte altivo de uma soberana, Sofia Rangel cruzou o batente da porta vestindo uma deslumbrante criação de veludo escuro.
O modelo longo de corte sereia abraçava perfeitamente suas curvas, com um decote profundo nas costas e uma fenda lateral dramática que deixava à mostra o salto agulha reluzente.
Seu cabelo escuro caía em ondas perfeitas sobre os ombros nus, e em seu pescoço brilhava o colar de pérolas que recuperara da caixa de metal esquecida no barraco da Rocinha.
Nenhum vestígio daquela estagiária de subsolo ou da moradora da favela restava na postura implacável e magnética da mulher que acabara de desafiar a aristocracia do país.
Bianca parou de rir instantaneamente, sentindo a taça de cristal escorregar levemente por entre seus dedos trêmulos enquanto encarava a rival com um ódio cego e misturado a pavor.
"O que essa miserável está fazendo aqui vestida assim? Quem a deixou entrar com um convite de copeira?", sibilou Bianca, puxando o braço da mãe com força excessiva.
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Vitória virou-se lentamente na direção da entrada, e o sangue em suas veias congelou ao ver os olhos âmbar de Sofia fixados diretamente nela com uma intensidade mortal.
A matriarca sentiu o mesmo calafrio aterrorizante que sentira na sala de reuniões em São Paulo, percebendo que a presença daquela jovem em nada lembrava uma simples funcionária.
"Calada, Bianca; fique quieta e não faça escândalo na frente da imprensa", ordenou Vitória em um sussurro estrangulado, tentando manter o controle diante dos jornalistas.
Sofia caminhou pelo tapete vermelho estendido no centro do salão com passos firmes, ignorando completamente os olhares de reprovação e os cochichos venenosos da alta roda carioca.
Ela parou diante de uma mesa de apoio, pegou uma taça de champagne cristalino oferecida por um garçom atônito e ergueu o recipiente em um brinde silencioso para as duas megeras.
Seus lábios pintados de vermelho carmesim curvaram-se em um sorriso irônico e desafiador que deixou claro que ela não estava ali para servir, mas sim para caçar.
"Ora vejam só quem resolveu aparecer para trabalhar de garçonete na nossa grande noite de gala", gritou Bianca tentando recuperar o controle com uma risada histérica.
"Guarde suas piadas baratas para quando a festa acabar, querida; você vai precisar de todo o bom humor do mundo para suportar o que vem a seguir", retrucou Sofia.
A voz de Sofia ecoou com clareza impecável pela acústica perfeita do salão de festas, silenciando os poucos convidados que ainda ousavam cochichar nos cantos.
Ao fundo do palco principal, erguia-se imponente uma gigantesca tela de LED de última geração, atualmente coberta por um enorme tecido de veludo preto opaco.
Nenhum dos convidados — tampouco a diretoria executiva dos Albuquerque — fazia ideia de que os cabos de transmissão daquela tela estavam plugados diretamente em um servidor externo.
Um servidor criptografado e controlado milimetricamente por Mateus, que aguardava de prontidão na parte externa do hotel flanqueado por viaturas da polícia federal.
Fora do prédio histórico, dezenas de agentes táticos e viaturas descaracterizadas formavam um cerco impenetrável, bloqueando todas as saídas de emergência e rotas de fuga.
Ninguém sairia daquele palácio à beira-mar sem que a fatura de duas décadas de crimes, desvios e assassinatos fosse rigorosamente cobrada até o último centavo.
Vitória deu dois passos trêmulos em direção à suposta subordinada, tentando impor a autoridade de uma matriarca que sentia o castelo de cartas desabar sob seus pés.
"Se você acha que pode entrar na minha festa e ameaçar a minha família sem sofrer consequências graves, você está terrivelmente enganada, sua insolente", esbravejou a patroa.
"Sua família? Que família, tia Vitória? Aquela mesma que a senhora assassinou e jogou na estrada de Paraty há vinte e dois anos?", perguntou Sofia sem alterar o tom.
A menção explícita ao nome da cidade costeira funcionou como um detonador químico sobre os nervos já estilhaçados da proprietária do conglomerado financeiro.
Vitória cambaleou para trás, precisando apoiar-se no braço de um segurança particular para não desabar diante dos fotógrafos que disparavam flashes freneticamente.
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"A senhora está passando mal? O peso da coroa de ouro roubada está finalmente esmagando o seu pescoço enrugado?", ironizou Sofia com um sorriso cortante.
O ambiente no salão nobre transformou-se instantaneamente em um cenário de suspense claustrofóbico, onde cada respiração parecia pesada demais para ser suportada.
Bianca tentou avançar contra Sofia para arrancar-lhe os cabelos, mas foi contida por um gesto imperativo e aterrorizado da própria mãe que mal conseguia respirar.
"Afaste-se dela, sua louca... afaste-se dela agora mesmo!", sussurrou Vitória, com os olhos esbugalhados fixados na figura implacável da herdeira legítima.
Sofia ergueu a taça de champagne na altura dos olhos, contemplando as bolhas efervescentes subindo à superfície antes de dar um gole lento e deliberado.
Ela sabia que o relógio marcava exatamente o segundo em que a ordem de execução da auditoria global entraria em vigor nos servidores centrais da bolsa.
Com um movimento elegante, Sofia virou-se de costas para a família Albuquerque e caminhou em direção à primeira fileira de assentos reservados aos convidados de honra.
Ela sentou-se na poltrona central, cruzou as pernas com absoluta compostura e olhou diretamente para o enorme telão de veludo negro que cobria o palco.
Um operador técnico contratado por Mateus nos bastidores do evento ajustou o painel de controle principal, preparando o sistema para a exibição do arquivo definitivo.
O silêncio no salão de Copacabana tornou-se ensurdecedor, quebrado apenas pelo som distante das ondas que batiam com força contra o calçadão da praia.
Sofia respirou fundo o ar perfumado da sala de baile, sentindo a adrenalina pura da vitória correr pelas suas veias como fogo líquido e implacável.
Ela ajeitou o colar de pérolas no pescoço, olhou para o relógio de pulso incrustado de diamantes e deu um leve sorriso de expectativa para o vazio.
Naquele exato instante, o sistema de som do hotel emitiu um bipe metálico agudo, e os refletores principais do salão de festas apagaram-se de uma só vez.
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