"Joguei-a na Favela, Ela Comprou Meu Império" Capítulo 5
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A imponente sala de reuniões da diretoria executiva no trigésimo andar do Grupo Albuquerque exalava o cheiro sufocante de poder, charutos caros e dinheiro sujo.
As persianas de vidro blindado filtravam a luz implacável da tarde paulista, projetando sombras longas sobre a mesa de mogno maciço onde a cúpula do conglomerado estava reunida.
Vitória Albuquerque liderava a sessão com sua habitual pose de imperatriz intocável, embora uma leve contração em sua pálpebra esquerda traísse um nervosismo recém-adquirido.
À sua direita, o irmão e diretor financeiro Bernardo limpava o suor frio da testa com um lenço de linho caro, trêmulo diante dos relatórios de auditoria que circulavam.
A pauta oficial do dia girava em torno de uma volumosa expansão de investimentos internacionais na região costeira do estado do Rio de Janeiro, especificamente na turística Paraty.
"Precisamos garantir que a aquisição daquelas terras litorâneas seja concluída antes do final do trimestre, sem qualquer interferência de órgãos ambientais ou fiscais", ordenou Vitória.
Enquanto os executivos balançavam a cabeça em sinal de concordância mútua, a porta lateral da sala abriu-se silenciosamente, revelando Sofia trajada com o uniforme social de assistente.
Carregando uma bandeja de prata polida com xícaras de porcelana europeia fumegantes, Sofia caminhou com passos firmes e deliberados em direção ao centro da mesa executiva.
Ninguém na sala deu a mínima atenção àquela suposta funcionária subalterna do subsolo, completamente cegos pela soberba e pela certeza absoluta de sua impunidade corporativa.
Sofia aproximou-se primeiro de Bernardo, servindo-lhe o café com uma precisão cirúrgica, enquanto observava o homem tremer a ponto de fazer a xícara tilintar no pires.
Em seguida, ela deu a volta na mesa de mogno e parou exatamente atrás da cadeira de espaldar alto onde Vitória Albuquerque revisava documentos confidenciais com desdém.
Um aroma sutil, exótico e terroso começou a se espalhar sutilmente pelo ar climatizado da sala, misturando-se ao cheiro do café e despertando memórias ancestrais e macabras.
Era a inconfundível fragrância silvestre de lavanda silvestre colhida nas encostas úmidas de Paraty, exatamente o mesmo perfume que impregnava a noite daquela tragédia de vinte anos atrás.
Vitória interrompeu a leitura abruptamente, inspirando o ar com força enquanto seus olhos cinzentos se arregalavam em um reflexo instantâneo de puro pânico irracional.
Antes que a matriarca pudesse erguer a cabeça para identificar a origem daquele cheiro fantasmagórico, Sofia inclinou-se levemente sobre o seu ombro direito.
"O café está ótimo, tia Vitória, especialmente quando apreciado com a mesma brisa fresca que soprava naquela noite fatídica na estrada de Paraty", sussurrou Sofia bem perto do ouvido dela.
O impacto daquela frase foi o equivalente a um tiro de canhão disparado a queima-roupa no cérebro da mulher mais poderosa daquela mesa de reuniões.
A xícara de porcelana fina escorregou dos dedos de Vitória, despencando desastrosamente sobre a mesa de mogno e espalhando o líquido escuro por cima dos papéis oficiais.
"Quem... quem ousa falar essa barbaridade nesta sala?", gritou Vitória levantando-se de um salto, com o rosto completamente pálido e os lábios trêmulos de pavor.
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Todos os diretores e executivos viraram-se assustados para a presidência, sem entender absolutamente nada sobre o motivo daquele colapso repentino da patroa implacável.
"Desculpe-me pelo descuido, senhora presidente; foi apenas um lapso verbal da minha parte ao lembrar da rota turística da nossa nova aquisição", retrucou Sofia com voz fria.
Os olhos âmbar de Sofia cravaram-se nos olhos cinzentos de Vitória com uma intensidade magnética e aterrorizante que paralisou a mente da orgulhosa matriarca dos Albuquerque.
Vitória sentiu o ar sumir de seus pulmões, tendo a nítida e aterrorizante sensação de que o fantasma da sobrinha que mandara matar havia retornado do inferno para cobrá-la.
"Foi você... foi você que falou aquela asneira sobre Paraty, sua insolente de merda!", balbuciou Vitória, apontando um dedo trêmulo e cravando as unhas na madeira.
"A senhora parece pálida, diretora; talvez a pressão alta da velhice esteja finalmente cobrando o seu preço pelas decisões tomadas no passado", sussurrou Sofia com um sorriso cínico.
O diretor financeiro Bernardo levantou-se desajeitadamente da cadeira, tentando acalmar a irmã enquanto gotejava suor frio pela gola da camisa social apertada.
"Vitória, por favor, controle-se diante dos acionistas; esta garota é apenas uma estagiária incompetente que precisa ser demitida sumariamente agora mesmo", balbuciou Bernardo.
"Não, Bernardo... ela não é apenas uma estagiária comum", gaguejou Vitória, sentindo o suor frio escorrer por sua testa enquanto as pernas ameaçavam falhar.
A atmosfera na sala de reuniões havia mudado de um clima de triunfalismo corporativo para uma cena digna de um thriller psicológico de suspense claustrofóbico.
Aproximando-se ainda mais da matriarca apavorada, Sofia deixou escapar um sussurro quase inaudito que apenas as duas puderam escutar no silêncio mortal da sala:
"O passado nunca morre, tia Vitória; ele apenas espera o momento certo para voltar e arrancar a coroa de ouro da sua cabeça manchada de sangue."
Vitória deu um passo para trás em desespero, esbarrando na parede revestida de painéis acústicos e soltando um gemido abafado de puro terror psicológico.
"Cale a boca! Saia daqui imediatamente, sua bruxa desgraçada!", berrou Vitória, perdendo completamente a compostura e a pose de dama da alta sociedade paulista.
Os diretores presentes entreolharam-se em choque profundo, jamais imaginando que a implacável dona do império financeiro pudesse sofrer um surto emocional daquela magnitude.
Sofia endireitou a postura, ajeitou a bandeja de prata sobre a palma da mão com absoluta elegância e deu meia-volta para abandonar o recinto corporativo.
"Com licença, senhores, continuem com a reunião; os esqueletos no armário de Paraty não vão se defender sozinhos", declarou Sofia antes de caminhar em direção à porta.
A porta de vidro fosco fechou-se suavemente atrás dela, abafando o som dos gritos histéricos que Vitória começava a descarregar sobre o irmão aterrorizado na sala vazia.
Enquanto caminhava pelo corredor iluminado em direção aos elevadores privativos, Sofia sentia a adrenalina da vitória parcial pulsar com força em suas veias blindadas.
Aquele pequeno teste psicológico provara empiricamente que a fachada de gelo e aço de Vitória Albuquerque escondia uma alma apodrecida pela culpa e pelo medo da verdade.
No entanto, o que Sofia ainda não sabia era que, naquele exato instante, os terminais de segurança da portaria principal acabavam de disparar um alarme vermelho.
Um homem misterioso, usando um terno de grife amarrotado e segurando uma maleta de couro envelhecido, passava pelas catracas exigindo falar com urgência com a presidência.
As câmeras de segurança do saguão capturaram o rosto calejado e os olhos marejados daquele visitante inesperado que trazia consigo um documento explosivo.
Era o antigo delegado aposentado de Paraty, o mesmo homem que havia assinado o laudo adulterado daquele acidente trágico há mais de duas décadas atrás.
O velho policial caminhou lentamente até o balcão de atendimento, colocou um envelope amarelado debaixo da luz da recepção e murmurou para a atendente assustada:
"Diga à senhora Albuquerque que o passado que ela pagou para enterrar na areia acabou de bater à porta do seu império para cobrar a fatura final."
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