"Joguei-a na Favela, Ela Comprou Meu Império" Capítulo 3
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O sol da tarde de São Paulo cortava as persianas de alumínio da sala de reuniões principal, banhando o ambiente corporativo com uma luz crua e impiedosa.
Sofia organizava metodicamente os gráficos de desempenho da sua equipe no telão interativo, quando a porta blindada se abriu de supetão com um estrondo metálico.
Bianca Albuquerque entrou pisando firme, com seus sapatos de sola vermelha de grife ecoando no piso de granito polido, ostentando um sorriso de puro escárnio nos lábios.
Atrás dela, duas puxa-sacos da diretoria carregavam pastas de couro sintético, prontas para aplaudir qualquer crueldade que a herdeira estivesse prestes a descarregar sobre a novata.
"Ora, ora, vejam só quem tenta brincar de gente grande nos corredores da nossa empresa", disparou Bianca, cruzando os braços com uma pose deliberadamente teatral e arrogante.
"O que a senhorita deseja, diretora Bianca? Esta sala está reservada para a auditoria de logística que sua tia autorizou esta manhã", respondeu Sofia com voz firme.
Sem dizer uma única palavra em resposta à pergunta direta, Bianca pegou uma xícara de café fumegante e escuro que sua assistente segurava trêmula na bandeja de prata.
Com um movimento rápido e calculado, a herdeira virou o líquido quente diretamente sobre o relatório impresso que Sofia segurava nas mãos, manchando de marrom todo o trabalho.
"Ops, que descuido imperdoável da minha parte, garota da favela", debochou Bianca, rindo histericamente enquanto o papel encharcado rasgava sob a força do café fervente.
"Mas o pior de tudo não é a sua incompetência com os relatórios, Sofia, e sim o fato de que você é uma ladra nojenta que veio roubar nossos projetos", gritou Bianca.
As assistentes imediatamente abriram uma gaveta da mesa de reuniões e jogaram um protótipo de colar de diamantes caríssimo sobre a bolsa de lona barata de Sofia.
"Encontramos essa joia sumida da diretoria dentro dos pertences pessoais desta criminosa de meia-pataca", berrou Bianca para que todos os funcionários no corredor pudessem ouvir.
Os empregados e executivos que passavam pelo corredor pararam de andar imediatamente, colando os rostos nos vidros fumês para assistir ao espetáculo público de humilhação.
Sofia sentiu o sangue ferver em suas veias, mas manteve o rosto completamente inexpressivo, recusando-se a dar a satisfação de uma lágrima àquelas hienas corporativas.
"Vocês realmente acham que uma acusação tão infantil e malfeita vai me destruir?", perguntou Sofia com um tom de voz gélido que fez o sorriso de Bianca vacilar.
"Guarde sua pose de heroína de novela para o tribunal de pequenas causas, sua lixeira ambulante", retrucou Bianca, perdendo a paciência com a frieza inabalável da adversária.
"Seguranças, tirem esta ladra da minha frente agora mesmo e dêem um jeito nela na praça de convivência do térreo", ordenou a herdeira com uma fúria descontrolada.
Dois seguranças corpulentos de terno preto agarraram Sofia pelos braços com força brutal, arrastando-a pelos corredores intermináveis até o saguão principal do arranha-céu.
No centro do saguão, rodeado por palmeiras ornamentais e uma fonte de água cintilante, dezenas de clientes e acionistas observavam a cena chocados com o barraco corporativo.
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"Lugar de lixo é na lama, sua impostora insolente!", gritou Bianca, desferindo um empurrão violento que mandou Sofia direto para dentro da água fria da fonte.
O impacto da queda espalhou gotas por todo o piso de mármore, molhando o tailleur cinza de Sofia e fazendo o cabelo escuro colar-se molhado em sua testa.
Um silêncio sepulcral caiu sobre o saguão, quebrado apenas pelo barulho relaxante da água da fonte contrastando com a crueldade gratuita daquela cena deplorável.
Bianca abriu os braços vitoriosa, esperando ver a garota da favela chorando e implorando perdão de joelhos diante de toda a elite financeira de São Paulo.
No entanto, lentamente, Sofia apoiou as mãos na borda de pedra da fonte, flexionou as pernas e levantou-se com a postura altiva de uma verdadeira imperatriz.
Sua roupa estava encharcada, mas o olhar de suas pupilas cor de âmbar cortava o ar com uma força magnética e aterrorizante que paralisou quem a encarava.
Com movimentos deliberadamente calmos, Sofia tirou do bolso interno do blazer uma pequena flanela de seda e secou delicadamente o rosto, sem desviar os olhos de Bianca.
"Terminou o seu espetáculo de circo, herdeira de mentira?", perguntou Sofia com um sussurro cortante que ecoou perfeitamente pela acústica perfeita do saguão.
O sorriso triunfante de Bianca sumiu instantaneamente, substituído por uma onda repentina de calafrios que subiu pela sua espinha ao ver a serenidade mortal da rival.
"Você... você perdeu o juízo, sua louca varrida? Eu vou fazer com que você nunca mais consiga emprego nem para lavar pratos neste país!", guinchou Bianca.
"Guarde suas ameaças para o momento em que a polícia vier buscar sua família inteira", sussurrou Sofia, deixando escapar um sorriso enigmático e perturbador.
O que Bianca sequer imaginava era que a minicâmera de alta definição fixada na lapela interna do blazer de Sofia havia gravado cada segundo daquela agressão gratuita.
Além disso, o sistema de segurança do saguão pertencia à subsidiária técnica onde o próprio Mateus havia garantido o acesso remoto irrestrito aos servidores centrais.
Enquanto isso, escondido atrás de uma coluna de sustentação revestida de mármore importado, Mateus observava toda a cena com as mãos enfiadas nos bolsos do terno.
Seus olhos verdes brilhavam com uma mistura de admiração profunda pela resiliência de Sofia e um ódio mortal direcionado à família Albuquerque que pagaria caro.
Mateus sacou discretamente o smartphone do bolso, enviando um arquivo criptografado direto para a mesa do juiz plantonista da Vara Criminal da Fazenda Pública.
"A jogada de mestre está apenas começando, minha rainha", pensou Mateus consigo mesmo, dando um passo discreto para a penumbra antes de ser notado pelas câmeras.
Sofia girou os calcanhares, ignorando completamente os cochichos maldosos dos curiosos, e caminhou em direção aos elevadores privativos com passos firmes e decididos.
Bianca permaneceu estática no centro do saguão, sentindo um pavor irracional crescer em seu peito sem conseguir entender o motivo daquela sensação de derrota iminente.
"O que você está olhando, seu bando de inúteis? Voltem para o trabalho!", gritou Bianca para os funcionários, tentando desesperadamente recuperar a autoridade perdida.
No trigésimo andar, Sofia entrou no banheiro privativo da diretoria, trocou a blusa molhada por uma peça seca que guardava na bolsa e respirou fundo diante do espelho.
Ela tocou a superfície fria do vidro com a ponta dos dedos, sentindo que o cerco estava finalmente se fechando ao redor da torre de marfim dos Albuquerque.
A pasta digital contendo o vídeo da agressão e os registros de desvio de verba já estava sincronizada com a nuvem de um servidor seguro localizado fora do Brasil.
Faltavam apenas alguns minutos para que a bomba regulatória estourasse nos principais telejornais do horário nobre de toda a América Latina.
Sofia ajeitou os cabelos, abriu a porta do banheiro com elegância e caminhou em direção à sala de reuniões onde a auditoria final estava prestes a começar.
Nesse exato momento, o telefone celular de Bianca, que descansava sobre a mesa de mogno da presidência, começou a vibrar violentamente com uma chamada de emergência.
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