"A Garçonete Que Ganhou o Respeito do Don" Capítulo 5
PUBLICIDADE
Sofia desceu o castiçal sobre a mão. O invasor soltou um gemido e empurrou a porta com o ombro; a cadeira virou, prendendo o pé dela sob o assento.
— Antônio!
O homem entrou até a metade. Vestia preto, o rosto coberto por uma máscara. Sofia golpeou novamente, acertando o antebraço.
A porta do corredor bateu na parede. Antônio agarrou o invasor por trás e o lançou contra o batente. A máscara escorregou, revelando uma barba grisalha e uma cicatriz perto da boca.
O homem bateu a cabeça no rosto de Antônio, escapou do braço e correu para a varanda. Um segurança surgiu no corredor. Tarde demais: o invasor saltou para o telhado baixo da garagem e desapareceu entre as árvores.
Antônio segurava o nariz. Sangue cobriu dois dedos.
— Você está ferida?
Sofia chutou a cadeira para longe.
— Ele abriu uma fechadura nova dentro da sua casa.
— Perguntei se está ferida.
— Meu pé. Só prendeu.
Ele se ajoelhou e tocou o tornozelo. Sofia puxou a perna.
— Dá pra mexer.
— Senta.
— Para de mandar em mim quando alguém acabou de invadir meu quarto.
Antônio levantou o rosto. O sangue chegara ao lábio.
— Então me diga o que fazer.
Sofia apontou para Maria.
— Confere sua mãe. Depois chama a polícia e preserva a varanda. Ninguém limpa nada.
O quarto de Maria permanecia trancado. Ela acordou irritada com o barulho e exigiu café. Celina verificou seus sinais enquanto Sofia examinava a gaveta da agenda.
A fechadura tinha riscos. Dentro, os documentos estavam revirados. A agenda médica havia sumido.
Na varanda, a polícia encontrou tecido preto preso a uma grade e uma abotoadura de prata junto ao vaso quebrado. Antônio recolheu o objeto com os olhos antes que a inspetora o lacrasse.
O brasão da holding Russo ocupava o centro.
— Quantas pessoas usam? — Sofia perguntou.
— Conselho executivo — Antônio respondeu. — Doze homens.
— Enzo estava com uma igual ontem.
Antônio pegou uma toalha e limpou o sangue do rosto.
— Ele estava no Rio às três.
— Você conferiu ou ele avisou?
A toalha parou contra o lábio. Antônio pediu as imagens das câmeras externas. Às duas e cinquenta e sete, todo o sistema havia reiniciado.
— Outra falha técnica? — Sofia perguntou.
Ele tirou o relógio e o deixou sobre a cômoda.
— Vista-se. Vamos ao Bellarosa.
— Agora você quer minha ajuda?
— Você viu o símbolo de manutenção antes dos meus homens.
— E depois vai mandar que eu fique no carro?
— Provavelmente.
— Então dirijo meu próprio carro.
O Bellarosa estava fechado quando chegaram. Marco não atendia. Júlio, o cozinheiro, abriu a porta dos fundos usando touca, chinelos e um casaco sobre o pijama.
— Cozinha fecha, panela continua falando — disse ele. — Entrem antes que o molho conte pra vizinhança.
Júlio levou os dois ao escritório. O servidor das câmeras havia sido retirado do armário. Restavam cabos cortados e uma etiqueta com a data da manutenção.
PUBLICIDADE
— Marco veio buscar ontem — Júlio explicou. — Disse que o seguro pediu.
Sofia abriu a gaveta do caixa.
— O terminal sincroniza vendas com imagens das mesas. A gente usa quando cliente contesta consumo.
— Quanto guarda? — Antônio perguntou.
— Trinta dias, se ninguém mexeu.
Ela ligou o monitor. A senha de Marco falhou. Tentou a identificação do restaurante seguida do ano de inauguração. A tela abriu.
— Você adivinhou? — Antônio perguntou.
— Ele escreve senha em gaveta.
Júlio apontou para a despensa.
— Backup maior fica ali. Escondi o HD na farinha quando Marco começou a apagar coisa. Quem respeita massa respeita prova.
Uma porta bateu no salão. Passos atravessaram o corredor.
Antônio apagou a luz e conduziu Sofia para dentro da despensa. Fechou a porta, mantendo a mão sobre a boca dela até os passos passarem.
O espaço cheirava a farinha e manjericão seco. O peito dele tocava as costas dela. Sofia afastou a mão de Antônio e virou o rosto.
— Eu sei ficar quieta.
— Você discute durante invasão.
— E você sangra em terno caro.
Ele inclinou a cabeça. A respiração tocou o cabelo solto junto à orelha dela.
— Minha mãe gosta de você.
— Sua mãe tem bom gosto.
— Ela também gosta de homens que jogam bocha aos domingos. Não interprete demais.
Sofia se virou no espaço estreito. Os corpos ficaram separados por poucos centímetros. Antônio apoiou uma mão na prateleira, ao lado do rosto dela.
— Está tentando me avisar ou avisar você? — ela perguntou.
Os passos voltaram. Uma lanterna passou sob a porta. Antônio aproximou-se, cobrindo Sofia com o corpo. O nariz dele quase tocou o dela.
A luz desapareceu. Nenhum dos dois recuou.
Sofia olhou para a cicatriz na sobrancelha. Antônio baixou os olhos até a boca dela. O polegar roçou farinha na manga do uniforme emprestado.
— Tonio? — uma voz masculina chamou do corredor.
Antônio abriu a porta de uma vez. O segurança ergueu as mãos.
— Área limpa. Era o zelador.
Sofia passou por eles com o HD contra o peito. Júlio preparou café enquanto o arquivo carregava.
Os nove minutos apareceram em baixa resolução. Maria entregava a bolsa a Marco. Ele olhava para as mesas, abria o armário e recebia de um homem uma sacola pequena.
O rosto do visitante ficava fora do quadro. A manga escura e a abotoadura prateada surgiam por três segundos. Marco tirava o organizador da bolsa, trocava dois compartimentos e colocava o frasco no bolso.
Júlio abriu outra câmera sincronizada ao caixa. Nela, Enzo chegava pela porta lateral antes de Maria e entregava a Marco um envelope. O gerente contava as notas dentro da adega.
— Ele me mandou trocar a reserva da mesa sete — Júlio disse. — Queria sua mãe longe da câmera principal.
Antônio segurou o encosto da cadeira.
— Por que não falou ontem?
— Marco mantém vinte pessoas na folha. Quem abre a boca perde aluguel, comida e plano de saúde. Eu escondi o disco. Foi o que consegui fazer.
Sofia serviu café a Júlio sem pedir. Ele segurou a xícara com as duas mãos.
— Tem mais. Enzo perguntou qual vinho dona Maria tomava. Marco disse que remédio era mais limpo.
Antônio virou o rosto para a janela. Sofia tocou o cotovelo dele; o braço permaneceu rígido sob a camisa.
— Escuta até o fim — ela disse.
Júlio contou que Marco recebera uma chave da casa e uma lista de horários médicos. A agenda roubada confirmaria quando Maria ficava sozinha.
Sofia copiou o vídeo em três discos. Um ficou com Júlio, outro seguiu para Camila e o terceiro foi lacrado no cofre de um cartório aberto vinte e quatro horas.
— Confia tão pouco em mim? — Antônio perguntou.
— Confio na prova espalhada. Gente poderosa perde arquivo quando arquivo mora num lugar só.
Ele aceitou o disco que ela lhe entregou por último.
— E eu sou o quê nessa distribuição?
— A pessoa com mais recursos e mais parentes envolvidos.
Antônio guardou o disco dentro da camisa. O quase beijo na despensa ainda ocupava o espaço entre os dois; nenhum mencionou.
— Aquele desgraçado — Júlio murmurou.
Sofia avançou o vídeo. Perto do fim, uma bandeja espelhada cruzou diante da câmera. A superfície refletiu o homem que aguardava junto ao bar.
Ela congelou o quadro e ampliou. O reflexo deformava parte do rosto, mas preservava o sorriso inclinado e o anel com o brasão Russo.
Antônio ficou imóvel atrás dela.
Sofia apontou para a tela.
— É o seu primo.
Júlio assentiu em silêncio.
PUBLICIDADE
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 11
MENINA DÁ METADE DO LANCHE A UM MENINO SEM-TETO... 25 ANOS DEPOIS, ELE VOLTA MILIONÁRIO
Aos nove anos, Gabriel Costa vivia nas ruas de São Paulo e esperava todos os dias diante do portão de uma escola particular. Foi ali que conheceu Valentina Almeida, uma menina rica que passou a dividir escondida metade do próprio almoço com ele. Quando Gabriel foi adotado por uma família de Curitiba, fez uma promessa antes de partir: "Quando eu crescer… eu volto para te buscar." Vinte e cinco anos depois, Valentina enfrenta a doença do pai, a falência do Grupo Almeida e um noivado que esconde interesses perigosos. É então que Gabriel retorna a São Paulo — não mais como o menino faminto do portão, mas como um empresário cuja fortuna ultrapassa R$ 950 milhões.Moderno13.8 mil palavras5 180 -
TerminadoCapítulo 11
MILIONÁRIO CHEGA MAIS CEDO À CASA DE CAMPO... E QUASE DESMAIA COM O QUE VÊ
Milionário chega mais cedo à casa de Campo e quase desmaia com o que vê. Alejandro para no jardim sem acreditar. Léo, seu filho, ri alto nos braços de Helena, a faxineira. O menino que diziam ser incapaz de sentir emoção, agora gargalha como nunca. Pela manhã, Carla insistiu em aumentar os sedativos, dizendo que Léo era um caso perdido. Mas ali, diante dos olhos do pai, a verdade aparece. Não era doença, era medo. Helena tenta soltá-lo, assustada, mas Léo se agarra a ela como proteção. Quando o carro de Carla surge na entrada, o sorriso some, o corpo do menino trava. Alejandro entende tudo naquele instante. Ele manda Helena agir normalmente e decide observar em silêncio. Aquela risada muda tudo. Naquela noite, ele jura proteger o filho, descobrir quem mentiu e acabar com o terror escondido dentro da própria casa. A guerra começa ali, no quintal, com um riso que salvou uma vida.Moderno13.7 mil palavras5 123 -
TerminadoCapítulo 12
Eles Pensavam Que Eu Era Uma Boneca Frágil… Até Ouvirem o Som do Gatilho
Na alta sociedade de São Paulo, Christian von Stock e Victória de Medeiros pareciam o casal perfeito: ele, um titã corporativo brilhante e irretocável; ela, uma herdeira gélida e deslumbrante. Mas o conto de fadas durou apenas até o momento em que a porta da imponente mansão se fechou. No segundo em que o último flash da imprensa sumiu, Christian revelou ser o seu pior pesadelo. Dono de uma mente brilhante e sádica, ele confiscou o passaporte, o celular e as contas de Victória, transformando-a em uma prisioneira na própria casa. Para garantir a obediência absoluta, ele escolheu a única fraqueza dela: Camila, sua irmã caçula com síndrome de down, agora vigiada de perto como refém. Aos olhos do mundo, eles eram a imagem da felicidade conjugal, com sorrisos ensaiados e jantares de gala. Entre quatro paredes, era uma guerra psicológica diária onde a respiração de Victória era controlada e a liberdade, uma lembrança distante. Christian acreditava ter quebrado o espírito de sua esposa, transformando-a em uma boneca dócil. O que ele não sabia era que, sob a pele da mulher acuada, Victória contava cada segundo, memorizava cada código de segurança e aguardava pacientemente o momento certo. Ela fingiu submissão. Ela jogou o jogo dele. E, quando o monstro finalmente cometeu o erro de subestimá-la, a frágil esposa sumiu. No lugar dela, emergiu a lâmina afiada pronta para destruir o império dele de dentro para fora. Uma mente brilhante, uma gaiola de ouro e um jogo de gato e rato onde a única regra é sobreviver para ver quem quebra primeiro.Outras|Aventura|Moderno15.3 mil palavras5 148 -
TerminadoCapítulo 10
Minha Mãe Deixou Minha Esposa Desmaiada no Chão
Arthur voltou de viagem dois dias antes e encontrou a mesa cheia, o filho de oito dias chorando e Elena desacordada no tapete. A mãe dele continuava cortando o jantar. Se você encontrasse sua esposa nessa situação e descobrisse que alguém da sua própria família havia falsificado sua assinatura, qual seria sua primeira atitude? Leia até o fimModerno10.3 mil palavras5 130 -
TerminadoCapítulo 11
Mostraram Suas Verdadeiras Faces… Sem Saber Que Eu Fingia Estar Paralisada
Fingi Estar Paralisada Por 10 Dias… Meus Filhos Disputaram Minha Fortuna, Mas A “Intrusa” Ficou... Aos 66 anos, Beatriz Montenegro Sampaio construiu um dos maiores impérios imobiliários de São Paulo. Rica, poderosa e acostumada a controlar tudo, ela acreditava conhecer os próprios filhos. Até ser envenenada durante sua festa de aniversário. Ao descobrir que sobreviveria sem sequelas permanentes, Beatriz toma uma decisão perigosa: fingir que ficou paralisada e sem conseguir falar para descobrir quem permaneceria ao seu lado quando ela não pudesse mais oferecer poder, dinheiro ou proteção.Moderno15.1 mil palavras5 352 -
TerminadoCapítulo 11
“Ela Não É Minha Filha”… Até o DNA Revelar Um Segredo Pior
No aniversário da pequena Sofia, Isabela presencia uma cena que muda para sempre sua relação com a poderosa família Montenegro. Mas o golpe mais cruel vem do próprio marido, Alexandre, que olha para a menina e declara diante de todos: "Ela não é minha filha." Isabela, porém, já conhece a verdade. Um exame de DNA confirma que Sofia é filha biológica de Alexandre com 99,9998% de probabilidade. Só que existe uma segunda página no resultado — e ela revela algo ainda mais devastador... Até onde sua própria mãe foi capaz de ir para proteger os segredos da família Montenegro?Moderno13.4 mil palavras5 287 -
TerminadoCapítulo 11
O Chefe da Máfia Mais Temido Viu Minhas Mãos Tremendo… E Fez Uma Única Pergunta
Isabela Oliveira Martins só queria sobreviver a mais um turno em um restaurante sofisticado nos Jardins, em São Paulo. Mas, ao servir a mesa 17, suas mãos começaram a tremer diante do homem que todos no salão pareciam temer: Dante Vasconcelos Montenegro, um poderoso e misterioso chefe da máfia. Quando Dante percebe as marcas no pulso da garçonete, segura sua mão e pergunta baixinho: "Quem fez isso com você?" Isabela não consegue responder. Porque o homem de quem está fugindo é Marcelo Ferraz, seu ex-namorado controlador, alguém que parece sempre saber onde ela está. O que Isabela ainda não sabe é que seu encontro com Dante está longe de ser uma coincidência do destino. Uma investigação começa a revelar que Marcelo se aproximou dela por causa de Antônio, seu pai, morto quinze anos antes em circunstâncias nunca esclarecidas. E quanto mais Isabela procura respostas, mais descobre que os Ferraz e os Montenegro escondem um passado construído sobre dinheiro, traições e silêncio. Até Dante guarda um segredo sobre a noite em que Antônio morreu. Agora, Isabela terá que descobrir em quem pode confiar — sem permitir que outro homem decida seu destino. Porque talvez seu pai não tenha morrido apenas por descobrir um crime.Bilionário|Máfia|Moderno14.3 mil palavras5 4105 -
TerminadoCapítulo 10
Três Dias Após o Funeral, Ouvi Meu Marido Planejar Minha Herança
Três dias depois de enterrar a mãe, Eliza ouviu o marido dizer ao telefone: “Assim que eu acessar as contas, a gente venceu.” Ela não desceu a escada nem exigiu explicações. Apertou o botão de gravar. Na manhã seguinte, o último vídeo de Margaret revelou que Garrett pesquisava a herança antes mesmo do casamento — e que Sienna, irmã de Eliza, havia aberto a primeira porta.Moderno9.7 mil palavras5 197 -
TerminadoCapítulo 10
A Menina Que Entrou Molhada no Baile
Com fome e encharcada, Lívia, de nove anos, entra escondida no baile beneficente do Hotel Imperial procurando a mãe. Helena Albuquerque, viúva de uma das famílias mais ricas de São Paulo, joga água no rosto da menina e a acusa de roubo. Quando Lívia cai, um colar de safira se solta de seu pescoço. Dentro da pedra existe uma fotografia que Helena não vê há vinte anos — e a prova de que a criança humilhada diante da elite é a neta que ela nunca soube que tinha.Moderno10.0 mil palavras5 110 -
TerminadoCapítulo 10
A Menina Deu Seu Último Remédio ao Temido Homem
Uma reação alérgica derruba Adrian Moretti dentro da própria mansão. Ellie Carter, filha de uma funcionária e portadora de alergia severa, usa nele seu último autoinjetor de epinefrina. Quando Adrian voltou a respirar, descobriu que aquela era a última dose dela. Minutos depois, a menina disse algo ainda mais impossível: viu um velho colocar “lágrimas azuis” no vinho. O que começou com uma injeção levou a uma chave costurada dentro de um coelho, ao assassinato encoberto de David e à filha que Adrian acreditava ter enterrado.Moderno|Romance10.1 mil palavras5 127