"A Esposa Rejeitada é a Chefe da Máfia" Capítulo 5
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O sol do meio-dia cortava as persianas metálicas do 50º andar da Torre Moretti, projetando listras de luz fria sobre a mesa de carvalho da sala de reuniões VIP.
O ambiente estava completamente tomado por um silêncio sepulcral e sufocante, quebrado apenas pelo tique-taque irritante do relógio de parede suíço.
Matteo Moretti ajustou a gola da camisa social preta, sentindo o peso esmagador de uma humilhação histórica que ele jamais imaginou vivenciar em toda a sua vida.
Apenas algumas horas após a avalanche financeira que quase destruiu o seu império, os representantes legais da misteriosa holding Vênus haviam finalmente enviado uma confirmação estrita.
A dona absoluta de todo o capital que segurava o destino da família Moretti na palma da mão concordara em receber o chefão da máfia para uma audiência em caráter de urgência.
Com o maxilar travado e o orgulho ferido sangrando por dentro, Matteo caminhou a passos largos pelo corredor acarpetado, escoltado de perto por Lucas Silveira.
"Lembre-se, senhor, de manter a compostura durante a negociação", aconselhou Lucas em tom polido, disfarçando perfeitamente a onda de expectativa maliciosa que crescia em seu peito. "A dona de Vênus não tolera arrogância de executivos falidos, e qualquer deslize pode significar a liquidação definitiva da nossa holding."
Matteo bufou com desdém, abrindo as portas duplas de mogno maciço com um empurrão violento e autoritário.
"Ninguém me dá ordens no meu próprio território, Lucas", rosnou Matteo entre dentes, entrando na sala com o peito estufado e a pose de predador que sempre funcionara. "Vou descobrir quem está por trás dessa farsa e fazer essa tal de Vênus se arrepender de ter nascido."
No entanto, as palavras congelaram em sua garganta e o passo firme estancou bruscamente assim que ele cruzou o batente da porta privativa.
A sala de reuniões estava completamente vazia, sem advogados estrangeiros, sem comitês de diretores internacionais e sem nenhum engravatado arrogante de Wall Street.
Sentada na cadeira principal da presidência, a única figura presente no recinto era uma mulher vestida com um elegante tailleur de grife cor de marfim.
Ela girava lentamente entre os dedos finos uma caneta de ouro, com as pernas cruzadas de forma displicente e o olhar fixo em um relatório financeiro confidencial.
Ao ouvir o barulho da porta, a mulher ergueu devagar o queixo, revelando o rosto perfeitamente calmo e os olhos escuros que Matteo vira de perto em circunstâncias totalmente diferentes.
Era Helena. A sua esposa desprezada. A bastarda silenciosa que ele havia trancado no quarto dos fundos da mansão do Morumbi poucas noites antes.
Matteo deu três passos para trás em disparada, com os olhos arregalados de pavor e a respiração falhando descontroladamente como se tivesse levado um tiro no peito.
"Isso... isso é algum tipo de piada de mau gosto?", gaguejou Matteo, pálido como um cadáver, agarrando-se à borda da mesa para não cair de joelhos no chão. "Onde está o representante de Vênus?! O que você está fazendo na minha cadeira executiva, Helena?!"
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Helena fechou o dossiê de investimentos com um baque seco e ritmado, recostando-se no encosto de couro com uma postura imperial e soberana.
Ela soltou um riso curto, seco e gélido, cruzando os braços e encarando o marido com um desdém infinitamente superior ao que ele já demonstrara na vida.
"Procurando por mim, meu querido marido?", perguntou Helena, com uma voz aveludada, mansa e cortante como o aço de uma navalha. "Você passou dias dizendo que eu não passava de um lixo inútil, um troféu de fachada e uma inútil sem valor."
Matteo balançou a cabeça freneticamente, sentindo o mundo desabar ao seu redor enquanto o cérebro tentava processar a realidade impossível.
"Não... não é possível! Você é apenas a filha bastarda dos Albuquerque! Como diabos a dona de Vênus, a maior acionista do mundo corporativo, seria você?!", gritou Matteo, perdendo completamente o controle e avançando em direção à mesa.
Lucas Silveira deu um passo à frente, segurando discretamente um sorriso de satisfação enquanto observava o patrão ruir diante da verdadeira rainha.
Helena levantou-se lentamente da cadeira presidencial, ajeitou a lapela do paletó com extrema elegância e caminhou na direção de Matteo, que continuava paralisado de pavor.
Ela parou a poucos centímetros dele, erguendo o rosto para encará-lo olho a olho sem demonstrar um único pingo de medo da fúria da máfia.
"Você disse na igreja que eu não tinha voz, não tinha direitos e que seria esmagada pelos seus domínios", sussurrou Helena, com um sorriso de escárnio nos lábios perfeitos. "E agora, Matteo? Aonde foi parar toda aquela sua arrogância de dono do mundo?"
Matteo sentiu as pernas fraquejarem, percebendo com horror absoluto que a falência de sua empresa e a destruição de seu império dependiam exclusivamente de uma única palavra da mulher que ele pisoteara.
Helena deu um passo de lado, olhando para ele com uma superioridade devastadora antes de proferir a frase final que o destruiu por completo.
"Você disse que viria aqui se ajoelhar e implorar por trégua", lembrou Helena, inclinando a cabeça com um brilho mortal nos olhos. "Então, vamos lá, meu querido marido... eu quero ouvir você repetir: quem é que vai se curvar para quem?"
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