"Fingi Ter Perdido A Memória Depois Do Acidente… Mas Meu Marido Me Apresentou Outro Homem Como Meu Esposo" Capítulo 4
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Desde o dia em que Rafael viu Isabela segurando a mão de Victor, algo dentro dele havia mudado.
Durante anos, ele acreditou que tinha controle sobre tudo.
Controlava suas empresas.
Controlava suas decisões.
Controlava os caminhos da própria vida.
E principalmente, acreditava controlar o coração da mulher que carregava seu sobrenome.
Para Rafael Vasconcelos, o casamento com Isabela era uma certeza.
Ela o amava.
Ela sempre o escolheria.
Ela sempre estaria esperando por ele.
Esse pensamento foi exatamente o que permitiu que ele criasse aquele plano absurdo.
Na cabeça dele, Isabela era como uma casa onde ele sempre teria a chave.
Ele poderia sair.
Poderia voltar.
E tudo continuaria igual.
Mas agora, pela primeira vez, aquela certeza começava a desaparecer.
Porque Isabela não parecia uma mulher esperando pelo retorno do marido.
Ela parecia uma mulher descobrindo que podia viver sem ele.
Naquela manhã, Rafael ficou horas olhando para o celular.
Ele escreveu várias mensagens.
Apagou todas.
Tentou ligar.
Desistiu.
Ele não sabia como falar com a própria esposa.
Uma mulher que durante anos contou todos os seus medos para ele.
Agora parecia uma desconhecida.
Finalmente, decidiu tomar uma atitude.
Ligou para ela.
Depois de alguns segundos, Isabela atendeu.
A voz dela era calma.
"Alô?"
Rafael fechou os olhos.
Até a maneira como ela falava parecia diferente.
"Isabela, eu queria conversar com você."
"Sobre o quê?"
Ele ficou alguns segundos em silêncio.
Antes, ele teria respondido sem pensar.
Agora, cada palavra parecia perigosa.
"Sobre nós."
Do outro lado da linha, houve silêncio.
"Rafael, eu não sei se existe um nós que eu consiga lembrar."
Aquela frase machucou mais do que ele esperava.
Porque ele sabia que era uma consequência das próprias escolhas.
Mesmo assim, tentou.
"Eu sei que você está confusa."
"Eu não estou confusa."
A resposta veio firme.
E Rafael percebeu algo.
A mulher que estava falando não era a mesma que ele deixou para trás.
"Eu só preciso entender algumas coisas."
"Podemos jantar hoje?"
Ele perguntou rapidamente.
"Em um lugar tranquilo. Só nós dois."
Isabela ficou em silêncio.
Ela sabia exatamente o que ele queria.
Queria medir seus sentimentos.
Queria saber se ainda existia espaço para ele.
E, principalmente, queria confirmar se Victor era apenas uma fase.
Ela aceitou.
Mas não iria sozinha.
Naquela noite, o restaurante escolhido por Rafael ficava nos Jardins, um dos lugares mais sofisticados de São Paulo.
Era um ambiente elegante.
Luzes baixas.
Mesas afastadas.
Música suave.
O tipo de lugar onde Rafael costumava levar Isabela quando queria impressioná-la.
Ele chegou cedo.
Vestia um terno escuro perfeitamente ajustado.
Trouxe as flores favoritas dela.
Lírios brancos.
As mesmas flores que Victor colocava no quarto dela todos os dias.
Quando percebeu isso, Rafael ficou incomodado.
Até aquele detalhe simples havia se tornado uma lembrança de outro homem.
Ele respirou fundo.
Não.
Ele não podia pensar assim.
Victor era apenas temporário.
Ele repetiu isso várias vezes em sua mente.
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Apenas temporário.
Até que a porta do restaurante abriu.
E Isabela entrou.
Mas ela não estava sozinha.
Ao lado dela estava Victor Henrique Almeida.
Rafael ficou completamente imóvel.
Porque aquilo não fazia parte do plano.
Ele esperava encontrar uma mulher confusa.
Uma esposa esperando respostas.
Uma pessoa que ainda procurava segurança nele.
Mas encontrou outra coisa.
Isabela estava elegante.
Confiante.
Sorrindo.
E Victor segurava sua mão.
Não como um homem tentando provocar.
Mas como alguém que tinha uma intimidade verdadeira.
O choque maior veio quando Rafael percebeu:
Isabela não soltou a mão dele.
Ela poderia ter afastado.
Poderia ter fingido.
Mas não fez.
Ela simplesmente continuou caminhando ao lado de Victor.
Como se aquilo fosse natural.
Como se aquele lugar pertencesse aos dois.
Rafael sentiu o peito apertar.
Victor cumprimentou.
"Boa noite, Rafael."
A voz dele era tranquila.
Sem arrogância.
Sem provocação.
Isso deixou Rafael ainda mais irritado.
Porque Victor não precisava provar nada.
Ele simplesmente estava ali.
"Eu não sabia que você viria."
Rafael olhou para Isabela.
Ela respondeu:
"Victor está comigo."
A frase era simples.
Mas para Rafael parecia uma sentença.
Eles se sentaram.
Durante os primeiros minutos, ninguém falou muito.
O garçom trouxe os pratos.
O vinho foi servido.
Mas a tensão naquela mesa era impossível de esconder.
Rafael observava tudo.
A maneira como Victor perguntava se Isabela gostava da comida.
A maneira como ela sorria quando ele fazia uma brincadeira.
Pequenos detalhes.
Detalhes que antes pertenciam apenas ao casamento deles.
Depois de alguns minutos, Rafael decidiu atacar.
"Victor, você não acha que está indo longe demais?"
Victor levantou os olhos.
"Não entendi."
Rafael olhou para Isabela.
"Ela passou por um trauma. Ela está tentando entender a própria vida."
Victor permaneceu calmo.
"Sim."
"Então você deveria lembrar que isso é temporário."
O silêncio caiu sobre a mesa.
Isabela observou os dois.
Victor respirou fundo.
Mas não respondeu com raiva.
Ele apenas disse:
"Você tem razão em uma coisa."
Rafael esperou.
"Ela passou por um trauma."
Victor olhou para Isabela.
"Mas isso não significa que ela não consiga sentir."
Rafael apertou a taça.
"Você está confundindo as coisas."
Victor respondeu:
"Não."
"E você?"
Rafael ficou em silêncio.
Victor continuou:
"Você acha que porque ela esqueceu algumas lembranças, ela deixou de ser uma pessoa capaz de escolher."
A expressão de Rafael mudou.
Porque aquela frase atingiu exatamente onde doía.
Ele não queria admitir.
Mas era isso que estava fazendo.
Tratando Isabela como alguém sem escolha.
Como alguém que precisava apenas esperar ele decidir o futuro.
Durante o jantar, Rafael tentou várias vezes recuperar a antiga conexão.
Falou de viagens.
Falou da casa deles.
Falou dos momentos que viveram.
Ele queria despertar alguma lembrança.
"Você lembra da nossa viagem para Fernando de Noronha?"
Isabela olhou para ele.
"Não."
Rafael ficou frustrado.
"E do nosso primeiro jantar?"
Ela balançou a cabeça.
"Não."
Então Victor perguntou:
"Você quer lembrar?"
Isabela olhou para ele.
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A pergunta era diferente.
Rafael perguntava como alguém tentando recuperar algo que perdeu.
Victor perguntava como alguém preocupado com o que ela queria.
Ela respondeu:
"Eu não sei."
Victor apertou suavemente a mão dela.
"Então não tenha pressa."
Rafael viu.
E aquilo doeu.
Porque ele percebeu que Victor estava oferecendo exatamente o que ele nunca ofereceu.
Tempo.
Paciência.
Liberdade.
Depois do jantar, Rafael seguiu os dois até a saída.
Ele não conseguiu se controlar.
"Isabela."
Ela parou.
Ele se aproximou.
"Você precisa entender que tudo isso é uma confusão."
Victor ficou ao lado dela.
Mas não interferiu.
Rafael continuou:
"Você ainda é minha esposa."
Isabela olhou para ele.
E pela primeira vez, Rafael viu dúvida no olhar dela.
Mas não a dúvida que ele esperava.
Não era dúvida sobre amar ele.
Era dúvida sobre acreditar nele.
"Rafael..."
Ele deu um passo mais perto.
"Ela só esqueceu de mim."
Disse olhando para Victor.
"Ela só está temporariamente confusa."
Victor ficou em silêncio por alguns segundos.
Então respondeu calmamente:
"Não."
Rafael encarou ele.
Victor continuou:
"Ela não esqueceu quem você é."
"Ela apenas finalmente está vendo quem você nunca foi."
O rosto de Rafael ficou sério.
Victor segurou a mão de Isabela.
"Ela não está perdida."
"Ela apenas descobriu que merece mais."
Aquelas palavras ficaram ecoando na cabeça de Rafael.
Porque pela primeira vez ele percebeu algo assustador.
Victor não estava apenas cuidando dela.
Não estava apenas fingindo ser marido.
Ele estava ocupando um lugar que Rafael achava que seria dele para sempre.
Enquanto Isabela entrava no carro ao lado de Victor, Rafael ficou parado na calçada.
Observando a mulher que ele acreditava nunca perder.
E naquele momento, pela primeira vez na vida...
Rafael Vasconcelos sentiu medo.
Não medo de perder dinheiro.
Não medo de perder poder.
Mas medo de perder aquilo que nenhum império poderia comprar.
O amor de Isabela.
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