"Minha Neta Gritou Antes Que Meu Marido Recebesse A Injeção" Parte 5
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Depois que a mensagem de Valéria apareceu no celular de Gabriel, a família Montenegro entrou em uma nova fase de desconfiança.
Alexandre permaneceu em silêncio diante da tela.
Durante anos, ele acreditou conhecer completamente sua esposa.
Valéria sempre esteve ao seu lado nos momentos mais difíceis.
Ela era a mulher que cuidava da família, que participava dos eventos da empresa e que parecia proteger o nome Montenegro acima de tudo.
Mas agora havia uma pergunta impossível de ignorar.
Por que ela havia enviado uma mensagem para Gabriel naquela noite?
E por que Ricardo estava investigando o irmão dela?
Alexandre decidiu não confrontar Valéria imediatamente.
Ele precisava de provas.
Não queria acusar a esposa apenas por uma suspeita.
Mas precisava descobrir a verdade.
Naquela mesma manhã, voltou ao escritório de Ricardo na Mansão Montenegro.
A pasta verde ainda estava sobre a mesa.
Cada documento parecia revelar uma parte de uma história que seu pai tentou esconder de todos.
Alexandre começou a analisar novamente os relatórios de auditoria.
Quanto mais lia, mais percebia que Ricardo havia investigado durante meses.
Não era apenas sobre compras superfaturadas.
Existiam transferências suspeitas.
Contratos falsificados.
Empresas de fachada.
E em vários documentos aparecia o mesmo nome:
Biocrest Gestão Hospitalar.
Sérgio Almeida Vidal.
O irmão de Valéria.
Alexandre sentiu o peso daquela descoberta.
Ele pegou o celular antigo deixado pelo pai.
Dessa vez, conseguiu acessar alguns arquivos.
Havia mensagens.
Anotações.
E uma gravação de uma conversa.
A data era de três semanas antes do desmaio.
Alexandre apertou o botão.
A voz de Ricardo apareceu.
"Valéria, você precisa entender que eu não posso ignorar o que Sérgio está fazendo."
Depois veio a voz dela.
Mais nervosa do que ele já havia ouvido.
"Ricardo, por favor. Pare essa investigação."
Alexandre ficou imóvel.
A gravação continuou.
"Você não sabe o que isso pode causar."
Disse Valéria.
A voz de Ricardo permaneceu firme.
"Eu sei exatamente o que isso pode causar."
Valéria respondeu:
"Se você continuar investigando Sérgio, vai destruir minha família."
Por alguns segundos, houve silêncio.
Então Ricardo respondeu:
"Não. Foi ele quem destruiu a própria família."
Alexandre parou a gravação.
Aquelas palavras ficaram ecoando em sua mente.
Ele sempre acreditou que sua esposa era apenas uma vítima das atitudes do irmão.
Mas agora precisava saber até onde Valéria estava envolvida.
Naquela tarde, Alexandre chamou Valéria para conversar em um dos jardins da mansão.
O clima estava pesado.
Ela percebeu imediatamente que algo havia acontecido.
"Alexandre, por que você está me olhando desse jeito?"
Ele segurava o celular antigo do pai.
"Porque eu ouvi uma conversa sua com Ricardo."
O rosto de Valéria perdeu a cor.
"O quê?"
"Você pediu para ele parar de investigar Sérgio."
Ela ficou em silêncio.
Por alguns segundos, parecia procurar uma resposta.
Então seus olhos começaram a encher de lágrimas.
"Eu sabia que esse dia chegaria."
Alexandre sentiu o coração apertar.
"Você sabia que meu pai estava investigando seu irmão?"
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Valéria respirou fundo.
"Sim."
A resposta foi como um golpe.
"Há quanto tempo?"
"Alguns meses."
Alexandre deu um passo para trás.
"Você sabia que Sérgio estava roubando a empresa?"
Valéria fechou os olhos.
"Eu sabia que ele estava fazendo coisas erradas."
A voz dela tremia.
"Eu sabia que existiam contratos estranhos. Sabia que ele estava escondendo informações."
Alexandre ficou decepcionado.
"Então por que você ficou calada?"
Valéria começou a chorar.
"Porque ele é meu irmão."
"Ele tentou destruir meu pai!"
Gritou Alexandre.
Ela abaixou a cabeça.
"Eu achei que conseguiria fazer ele parar."
O silêncio entre os dois foi doloroso.
Alexandre olhou para a mulher com quem dividiu tantos anos.
"Você sabia sobre a injeção?"
A pergunta fez Valéria levantar o rosto rapidamente.
"Não."
Ela respondeu sem hesitar.
"Eu juro que não sabia."
Alexandre continuou observando.
Valéria segurou as próprias mãos.
"Eu queria apenas impedir que Ricardo entregasse Sérgio para a polícia."
"Você tentou proteger um criminoso."
Disse Alexandre.
As lágrimas caíram pelo rosto dela.
"Eu sei."
Ela respirou fundo.
"Mas eu nunca quis que meu sogro sofresse. Nunca quis que ele fosse machucado."
Alexandre ficou dividido.
Porque naquele momento percebeu que existiam duas verdades.
Valéria havia escondido informações.
Mas talvez não soubesse do plano completo.
Enquanto isso, no hospital, Sofia estava sentada ao lado do avô.
Ricardo ainda permanecia inconsciente.
Ela segurava sua mão e lembrava das palavras dele.
O delegado Rafael continuava investigando.
As peças pareciam cada vez mais confusas.
Gabriel tinha ido ao hospital.
Valéria escondia informações.
Sérgio tinha motivos.
Mas Sofia sentia que alguma coisa estava errada.
Quando Alexandre voltou para o quarto do hospital, encontrou a filha olhando atentamente para ele.
"Pai."
Disse Sofia.
Ele se aproximou.
"O que foi?"
A menina ficou alguns segundos em silêncio.
Então falou:
"Você está procurando a pessoa errada."
Alexandre franziu a testa.
"Como assim?"
Sofia segurou a mão do pai.
"Você acha que foi o tio Gabriel porque ele entrou no hospital."
Alexandre ficou quieto.
Mas a filha continuou.
"Mas ele não foi quem fez o vovô ter medo."
A expressão de Alexandre mudou.
"Sofia, do que você está falando?"
Ela olhou para Ricardo deitado na cama.
Depois voltou os olhos para o pai.
"Eu ouvi uma conversa antes dele desmaiar."
Alexandre se aproximou.
"O que você ouviu?"
A menina respirou fundo.
"Meu avô disse que precisava parar uma pessoa."
"Quem?"
Perguntou Alexandre.
Sofia respondeu com a voz baixa:
"Você está errado, pai."
Ele ficou imóvel.
A menina apertou sua mão.
"Quem tentou impedir o vovô não foi o tio Gabriel."
Alexandre sentiu um arrepio.
Sofia olhou para ele.
"Foi uma mulher."
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