"Minha Neta Gritou Antes Que Meu Marido Recebesse A Injeção" Parte 3
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O silêncio que tomou conta da Mansão Montenegro naquela noite não durou muito.
Poucas horas depois da gravação deixada por Ricardo, Alexandre recebeu uma ligação urgente do Hospital São Gabriel Paulista.
O resultado da análise da seringa havia chegado.
Ele voltou imediatamente para o hospital acompanhado de Sofia.
O corredor estava cheio de tensão.
Médicos, investigadores e funcionários caminhavam de um lado para o outro.
A notícia já tinha se espalhado entre os funcionários:
A medicação preparada para Ricardo não era um simples remédio.
Era uma dose elevada de um sedativo poderoso.
Dra. Helena Duarte Campos segurava o relatório com uma expressão preocupada.
"Alexandre, precisamos conversar."
Ele olhou para o documento.
"O que descobriram?"
A médica respirou fundo antes de responder.
"A substância encontrada na seringa poderia manter Ricardo em um estado de inconsciência por muitas horas."
Alexandre ficou imóvel.
"E isso poderia colocar a vida dele em risco?"
Helena não desviou o olhar.
"Sim. Principalmente considerando a condição dele naquele momento."
Sofia ouviu a conversa e apertou a mão do pai.
Ela ainda lembrava daquele instante.
A agulha próxima ao braço do avô.
A expressão nervosa de Bianca.
E a sensação de que algo estava errado.
Alexandre tentou controlar a raiva.
"Quem preparou essa seringa?"
Todos olharam para Bianca Ferreira Alves.
A enfermeira estava sentada em uma cadeira no corredor.
Seu rosto estava cheio de lágrimas.
Ela parecia destruída.
Quando percebeu os olhares sobre ela, levantou rapidamente.
"Não fui eu."
Disse Bianca com a voz trêmula.
O delegado Rafael Moura se aproximou.
"Bianca, a seringa estava sob sua responsabilidade."
Ela começou a chorar.
"Eu sei, mas eu não coloquei nada diferente nela."
O delegado manteve o tom sério.
"Então explique por que seu nome aparece no registro da aplicação."
Bianca passou as mãos pelo rosto.
"Porque eu recebi uma ordem no sistema."
Alexandre ficou olhando para ela.
"Você recebeu uma ordem e não verificou?"
Bianca abaixou a cabeça.
"Eu confiei no protocolo."
A resposta deixou todos em silêncio.
Porque no hospital, uma pequena alteração em uma medicação poderia mudar tudo.
O delegado abriu o computador da investigação.
"Às 22h14, uma alteração foi feita no prontuário de Ricardo."
Dra. Helena se aproximou.
"Essa alteração não foi minha."
Rafael olhou para ela.
"Tem certeza?"
A médica respondeu imediatamente.
"Absoluta."
Ela apontou para o próprio relógio.
"Às 22h14 eu estava dentro do centro cirúrgico. Tenho equipe, câmeras e registros que comprovam isso."
Alexandre ficou cada vez mais confuso.
"Então alguém entrou no sistema usando o acesso dela."
Helena confirmou.
"Sim."
Sofia olhou para todos.
"Então a enfermeira não fez isso?"
Ninguém respondeu imediatamente.
Porque Bianca ainda era responsável pela seringa.
Mas agora existia uma nova possibilidade.
Ela poderia ser apenas uma peça usada por alguém.
O delegado começou a investigar todos os acessos do hospital.
Cada funcionário.
Cada computador.
Cada câmera.
Enquanto isso, Alexandre permaneceu ao lado da filha.
Ele observava Sofia.
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Mesmo com apenas 11 anos, ela havia percebido algo que todos os adultos ignoraram.
"Como você sabia que estava errado?"
Perguntou ele.
A menina olhou para o chão.
"Porque o vovô nunca esqueceria uma coisa importante."
Alexandre ficou emocionado.
Ricardo sempre dizia que Sofia tinha uma atenção diferente.
Ela observava detalhes que ninguém percebia.
Mas naquele momento, aquele detalhe poderia ter salvado a vida dele.
No final da madrugada, o delegado Rafael encontrou uma informação importante.
Ele chamou Alexandre e Helena até a sala de investigação.
"Encontramos uma movimentação estranha."
Alexandre se aproximou.
"O quê?"
Rafael colocou algumas imagens na tela.
Eram gravações do setor de medicamentos do Hospital São Gabriel Paulista.
"Vinte minutos antes da aplicação, alguém entrou no depósito."
A imagem mostrava uma pessoa usando uma roupa médica.
Máscara.
Jaleco.
Boné cirúrgico.
A pessoa parecia tentar esconder a identidade.
Mas a câmera captou algo.
O cartão de acesso usado na entrada.
Alexandre franziu a testa.
"Quem é?"
O delegado ampliou a imagem.
Depois abriu o registro do cartão.
O silêncio voltou ao ambiente.
O nome apareceu na tela.
Gabriel Vasconcelos Montenegro.
O irmão mais novo de Alexandre.
Por alguns segundos, ninguém falou nada.
Alexandre deu um passo para trás.
"Não."
Disse ele em voz baixa.
Ele não conseguia aceitar.
Gabriel sempre foi considerado o filho rebelde da família.
Mas também era seu irmão.
Alguém que ele protegeu durante toda a vida.
"Tem certeza de que esse cartão pertence a ele?"
Perguntou Alexandre.
Rafael respondeu:
"O cartão estava registrado no nome dele."
Dra. Helena observava a reação de Alexandre.
Ela percebeu a dor naquele momento.
"Alexandre, precisamos encontrar Gabriel."
Mas ele continuava olhando para a tela.
A imagem do irmão entrando no depósito parecia impossível.
Sofia se aproximou do pai.
"Pai..."
Ele olhou para ela.
"Você acha que o tio fez isso?"
Alexandre não conseguiu responder.
Porque, pela primeira vez, uma pergunta começou a machucar mais do que a própria suspeita.
E se alguém da família Montenegro realmente tivesse tentado silenciar Ricardo?
Antes que pudessem sair, o telefone do delegado tocou.
A expressão dele mudou.
"Encontramos uma coisa."
Alexandre virou imediatamente.
"O quê?"
Rafael segurou o celular.
"Gabriel não apenas entrou no depósito."
Fez uma pausa.
"Ele também tentou apagar as imagens da câmera."
Naquele instante, a última esperança de Alexandre começou a desaparecer.
Porque todas as provas apontavam para uma única direção.
Seu próprio irmão.
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