"O Anel Que Trouxe Minha Esposa de Volta" Parte 5
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Gabriel Augusto Almeida saiu do antigo estúdio de Helena carregando uma mistura de sentimentos que ele não conseguia explicar.
A gravação da esposa ainda ecoava na sua mente.
A voz dela.
O medo.
O pedido para proteger Sofia.
Durante dez anos, Gabriel acreditou que Helena tinha partido sem deixar respostas.
Agora ele sabia que ela tentou avisar.
Ela tentou proteger a filha.
E alguém fez de tudo para impedir que aquela verdade chegasse até ele.
Naquela noite, Gabriel quase não dormiu.
A pulseira de prata de Sofia estava sobre a mesa.
O anel de Helena estava ao lado.
Dois objetos pequenos que carregavam uma história grande demais.
Pela primeira vez, ele percebeu que aqueles objetos eram mais do que lembranças.
Eram provas.
Na manhã seguinte, Gabriel tomou uma decisão.
Ele iria até a pessoa que mais poderia saber da verdade.
Ricardo Montenegro.
O pai de Helena.
Durante anos, Ricardo sempre foi um homem respeitado por Gabriel.
Um empresário poderoso.
Um homem conhecido em São Paulo pela influência e pelo dinheiro.
Quando Helena morreu, foi Ricardo quem apareceu para ajudar.
Foi ele quem organizou parte do funeral.
Foi ele quem disse a Gabriel para aceitar a perda e seguir em frente.
Mas agora Gabriel se perguntava:
Ricardo estava ajudando?
Ou estava controlando a história?
A mansão Montenegro ficava no Jardim Europa.
Era uma das maiores propriedades da região.
Portões altos.
Jardins enormes.
Seguranças na entrada.
Tudo naquela casa mostrava poder.
Gabriel estacionou o carro e entrou sem avisar.
Os funcionários ficaram surpresos ao vê-lo.
Depois de alguns minutos, Ricardo apareceu na sala principal.
Ele tinha a mesma aparência de sempre.
Elegante.
Calmo.
Controlado.
Mas quando viu Gabriel, sua expressão mudou levemente.
"Gabriel. O que você está fazendo aqui?"
Gabriel não respondeu ao cumprimento.
Ele colocou a fotografia de Helena sobre a mesa.
Depois colocou o anel.
Ricardo olhou para o objeto.
Por um segundo, seus olhos demonstraram medo.
Mas rapidamente voltou a controlar a expressão.
"Eu encontrei isso."
Gabriel falou.
Ricardo permaneceu em silêncio.
"Quero saber a verdade sobre Helena."
A sala ficou completamente quieta.
Ricardo respirou fundo.
"Você está confundindo uma dor antiga com uma investigação."
Gabriel deu um passo à frente.
"Minha esposa deixou mensagens dizendo que estava em perigo."
Ricardo levantou as sobrancelhas.
"Helena sempre foi muito sensível."
Gabriel ficou imóvel.
"O que você quer dizer?"
Ricardo caminhou lentamente pela sala.
"Minha filha tinha problemas emocionais."
Aquelas palavras fizeram Gabriel sentir raiva.
"Você está dizendo que Helena inventou tudo?"
Ricardo respondeu sem emoção:
"Estou dizendo que Helena não estava bem."
Gabriel fechou os punhos.
"Eu conheci minha esposa durante anos."
Ricardo olhou para ele.
"Às vezes as pessoas escondem coisas até de quem amam."
A frase parecia uma provocação.
Gabriel pegou a gravação do bolso.
"Então por que ela deixou isso?"
Ricardo ficou sério.
"O que é isso?"
"Uma mensagem dela."
O rosto de Ricardo mudou.
Pela primeira vez, ele parecia preocupado.
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Gabriel percebeu.
E aquela reação confirmou algo.
Ricardo sabia.
Ele sabia mais do que dizia.
"Você sabia que ela estava tentando me contar alguma coisa."
Ricardo respondeu rapidamente:
"Você está criando uma história absurda."
Gabriel não desviou o olhar.
"Uma história absurda envolvendo a morte da sua própria filha?"
O clima ficou pesado.
Ricardo aproximou-se.
"Tenha cuidado com suas acusações."
"Eu só quero respostas."
"Você quer destruir uma família por causa de uma fantasia."
Gabriel ficou em silêncio.
Então seus olhos caíram sobre a mão de Ricardo.
E seu corpo inteiro parou.
No dedo do empresário havia um anel.
Um anel de ouro antigo.
Com marcas desgastadas.
Exatamente igual ao que Sofia tinha encontrado na Feira da Liberdade.
Gabriel sentiu o coração acelerar.
"Esse anel."
Ricardo olhou para a própria mão.
Depois fechou os dedos rapidamente.
"O que tem ele?"
Gabriel se aproximou.
"De onde você tirou esse anel?"
Ricardo ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois respondeu:
"É uma joia antiga da família."
Mas Gabriel sabia.
Não era verdade.
Ele conhecia aquele anel.
Tinha colocado um igual nas mãos da esposa antes do enterro.
A mesma peça.
A mesma marca.
A mesma história.
"Por que você tem o anel da minha esposa?"
Ricardo ficou irritado.
"Chega."
Sua voz aumentou.
"Você está ultrapassando limites."
Gabriel não recuou.
"Ou talvez eu finalmente esteja chegando perto da verdade."
Naquele momento, Ricardo perdeu a calma.
"Helena estava envolvida com coisas que você não entendia."
Gabriel ficou atento.
"Que coisas?"
Ricardo percebeu o erro.
Ficou em silêncio.
Mas era tarde.
Gabriel já tinha ouvido.
Ele sabia que existia algo escondido.
Antes de sair, Gabriel olhou uma última vez para Ricardo.
"Eu vou descobrir o que aconteceu com Helena."
Ricardo respondeu friamente:
"Algumas verdades destroem as pessoas que procuram por elas."
Gabriel saiu da mansão.
Mas agora ele tinha certeza.
A família Montenegro escondia alguma coisa.
No carro, ele ligou imediatamente para Eduardo.
"Eduardo, descubra tudo sobre o anel que Ricardo Montenegro usa."
O investigador ficou em silêncio por alguns segundos.
"Gabriel, você tem certeza?"
"Tenho."
Ele olhou para a mansão pelo retrovisor.
"Esse homem sabe o que aconteceu com Helena."
Enquanto isso, dentro da mansão, Ricardo caminhava nervoso pela sala.
Ele pegou o celular.
Poucos minutos depois, Patrícia Montenegro entrou.
Ela percebeu a expressão do pai.
"O que aconteceu?"
Ricardo ficou olhando para a fotografia antiga de Helena.
"Ele encontrou."
Patrícia ficou tensa.
"Encontrou o quê?"
Ricardo respondeu baixo:
"O anel."
O rosto de Patrícia perdeu a cor.
Durante alguns segundos, nenhum dos dois falou.
Então ela perguntou:
"Ele sabe da verdade?"
Ricardo apertou a fotografia nas mãos.
"Ainda não."
Patrícia respirou aliviada.
Mas o pai dela continuou:
"Porém, se ele encontrou o anel..."
Ele olhou para a porta.
"...ele está muito mais perto do que imaginamos."
Naquele momento, Patrícia pegou o telefone e enviou uma mensagem.
Apenas quatro palavras.
"Ele já encontrou o anel."
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