"A Mulher Que Todos Chamaram de Traidora… Era Minha Salvadora" Parte 6
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Depois da ligação de Victor, Alexandre permaneceu em silêncio por alguns segundos.
A informação parecia impossível.
Alguém dentro da Polícia Federal estava ajudando Marcos.
Isso significava que a investigação inteira poderia estar comprometida.
Mas, pela primeira vez em muitos dias, Alexandre e Clara estavam do mesmo lado.
Não como marido e esposa.
Ainda não.
Mas como duas pessoas tentando sobreviver ao mesmo inimigo.
No apartamento da Vila Madalena, Victor chegou acompanhado de dois agentes de confiança.
Ele fechou todas as portas e colocou os documentos sobre a mesa.
"Descobrimos quem estava enviando informações para Marcos."
Alexandre ficou atento.
"Quem?"
Victor respirou fundo.
"Agente Ricardo Nunes."
Clara ficou surpresa.
"Ricardo?"
Victor confirmou.
"Ele tinha acesso aos relatórios internos da operação."
Alexandre olhou para Clara.
"Então tudo que vocês fizeram poderia ter sido descoberto."
"Sim."
Victor respondeu.
"Por isso Marcos sempre parecia estar um passo à frente."
O silêncio tomou conta do apartamento.
Aquela descoberta explicava muitas coisas.
As fugas.
As mudanças de estratégia.
A facilidade com que Marcos sabia onde procurar.
Mas ainda existia uma pergunta.
Como capturar alguém que já sabia todos os movimentos?
Victor abriu outra pasta.
"Existe uma vantagem."
Alexandre olhou para ele.
"Qual?"
"Marcos ainda acredita que está vencendo."
Clara completou:
"E é exatamente isso que precisamos manter."
Alexandre olhou para ela.
Pela primeira vez, percebeu que o plano de Clara era muito maior do que imaginava.
Ela não estava apenas investigando.
Ela estava interpretando um papel.
Um papel que destruiu sua própria imagem.
Victor colocou algumas gravações na mesa.
"Essas conversas mostram como Marcos pensava."
Alexandre ouviu uma delas.
A voz de Marcos apareceu.
"Clara finalmente entendeu de que lado deve estar."
Alexandre fechou a mão.
Victor pausou o áudio.
"Ele acreditava que tinha conquistado ela."
Clara explicou:
"Eu precisei fazer ele acreditar nisso."
Alexandre ficou olhando para ela.
"Então todas aquelas cenas..."
Ela sabia exatamente do que ele estava falando.
A mão de Marcos segurando a dela.
Os documentos sobre a mesa.
O dinheiro.
Tudo.
"Era uma encenação."
Alexandre respirou fundo.
"Você deixou que eu visse."
Clara abaixou o olhar.
"Eu precisava."
A resposta ainda doía.
Mesmo sabendo da verdade.
Porque ele lembrava daquele momento.
Lembrava da sensação de perder a pessoa que mais amava.
"Você sabia que eu poderia nunca mais confiar em você."
Clara respondeu:
"Sim."
"E mesmo assim fez."
Ela confirmou.
"Porque Marcos precisava acreditar que eu estava do lado dele."
Alexandre caminhou até a janela.
A cidade de São Paulo continuava movimentada.
Milhares de pessoas sem saber que uma guerra silenciosa acontecia dentro de uma das famílias mais poderosas do país.
"Como você conseguiu continuar?"
Clara demorou para responder.
"Eu lembrava que cada dia que você me odiava era um dia que você estava vivo."
A frase deixou Alexandre sem resposta.
Porque agora ele entendia.
Ela não estava tentando salvar apenas a empresa.
Ela estava tentando salvar ele.
Victor continuou explicando o plano.
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Marcos acreditava que Clara tinha acesso aos documentos finais.
Os originais que poderiam transferir parte dos bens de Alexandre para empresas controladas por ele.
"Ele quer dar o último passo."
Alexandre perguntou:
"Qual?"
Victor mostrou uma cópia de um contrato.
"Uma transferência definitiva de patrimônio."
Clara ficou séria.
"Ele quer controlar tudo."
Victor assentiu.
"Não apenas o dinheiro."
Alexandre olhou o documento.
"Ele quer o grupo inteiro."
Durante os dias seguintes, a equipe decidiu manter a aparência de que Clara ainda estava afastada de Alexandre.
Era necessário.
Se Marcos percebesse qualquer mudança, desapareceria.
Alexandre voltou para a mansão.
Mas agora tudo era diferente.
Ele sabia que cada movimento precisava parecer real.
Até mesmo a distância entre ele e Clara.
Quando Marcos ligava, Clara precisava fingir.
Quando encontrava os aliados de Marcos, precisava sorrir.
Quando todos diziam que ela era uma mulher ambiciosa, precisava permanecer em silêncio.
Era o preço de destruir um homem que acreditava ser intocável.
Enquanto isso, Marcos avançava.
Ele começou a organizar uma reunião final.
O encontro aconteceria em um escritório particular na Avenida Faria Lima.
Segundo Victor, seria o momento em que Marcos revelaria seu verdadeiro plano.
Alexandre queria participar.
Mas Clara tentou impedir.
"É perigoso."
Ele respondeu:
"Eu não posso continuar escondido."
Ela olhou para ele.
"Você quase morreu porque tentou enfrentar tudo sozinho."
Alexandre ficou em silêncio.
A frase atingiu porque era verdade.
Durante anos, ele acreditou que força significava não depender de ninguém.
Mas agora entendia que confiança também era uma forma de força.
Finalmente, chegou o dia da reunião.
Clara entrou no escritório de Marcos usando a identidade que ele acreditava conhecer.
A mulher que queria dinheiro.
A mulher que queria poder.
A mulher que supostamente tinha escolhido abandonar Alexandre.
Marcos sorriu quando a viu.
"Eu sabia que você faria a escolha certa."
Clara manteve a expressão controlada.
"Eu só quero o que foi prometido."
Marcos se aproximou.
"Você terá muito mais."
Ele abriu uma pasta.
Dentro estavam documentos preparados.
Clara reconheceu imediatamente.
Eram os últimos papéis.
A etapa final.
"Depois disso, Alexandre perde o controle da empresa."
Marcos sorriu.
"E ninguém poderá impedir."
Clara fingiu interesse.
"Quando será?"
Marcos respondeu:
"Em três dias."
Ela sentiu o coração acelerar.
Três dias.
Era muito pouco tempo.
Mas então Marcos continuou.
"Existe apenas um problema."
Clara ficou alerta.
"Qual?"
Ele colocou uma foto sobre a mesa.
Era uma imagem dela entrando no apartamento de Victor.
O sangue de Clara gelou.
Marcos observava sua reação.
"Interessante, não?"
Ela tentou manter a calma.
"Não sei do que está falando."
Marcos sorriu.
"Não minta para mim."
Ele pegou a fotografia.
"Eu comecei a desconfiar quando você demorou demais para entregar os arquivos."
Clara ficou em silêncio.
Marcos aproximou-se.
"Você acha que eu não percebo quando alguém joga dos dois lados?"
Naquele instante, ela percebeu.
Ele sabia.
Talvez não soubesse tudo.
Mas sabia o suficiente.
Marcos colocou a fotografia de volta sobre a mesa.
"Me diga uma coisa, Clara."
Ela levantou os olhos.
"Você ainda está comigo?"
O silêncio ficou pesado.
Porque qualquer resposta poderia destruir meses de trabalho.
Clara respirou profundamente.
E respondeu aquilo que precisava para sobreviver.
"Sim."
Mas Marcos continuou olhando para ela.
Com um sorriso diferente.
Um sorriso de alguém que já estava preparando uma armadilha.
"Então prove."
Clara sentiu o perigo se aproximar.
Porque, pela primeira vez, Marcos não estava apenas desconfiado.
Ele estava testando ela.
E se ela falhasse naquele momento, toda a verdade seria revelada.
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