"A Mulher Que Todos Chamaram de Traidora… Era Minha Salvadora" Parte 5
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Alexandre permaneceu alguns segundos parado diante do cofre aberto.
Ele ainda segurava a fotografia nas mãos.
Seu pai.
Roberto Montenegro Vasconcelos.
Ao lado de Clara.
A imagem parecia impossível.
Porque aquela fotografia tinha sido tirada antes de Alexandre conhecer sua esposa.
Antes do casamento.
Antes de todos acreditarem que Clara havia entrado na família Montenegro por interesse.
Ele sentiu o coração acelerar.
Durante anos, acreditou conhecer todos os capítulos da história do próprio pai.
Agora descobria que existia uma parte escondida.
Uma parte que Clara conhecia.
Alexandre colocou a fotografia sobre a mesa e começou a analisar o conteúdo do cofre.
Havia vários documentos antigos.
Relatórios financeiros.
Cópias de contratos.
Um pequeno gravador.
E uma pasta com o nome de Marcos Augusto Ferraz.
A raiva voltou imediatamente.
Ele abriu a pasta.
O primeiro documento era uma lista de transferências bancárias.
O segundo era uma análise de empresas falsas.
O terceiro fez seu corpo ficar completamente imóvel.
Era um relatório sobre acidentes planejados.
Alexandre continuou lendo.
O documento mencionava o nome dele.
Não como vítima de fraude.
Mas como alvo.
Ele sentiu a respiração ficar pesada.
Marcos não queria apenas roubar a empresa.
Ele queria remover Alexandre do caminho.
Pegou o gravador.
Apertou o botão.
Por alguns segundos, apenas um ruído apareceu.
Então uma voz surgiu.
Era Marcos.
"Quando Alexandre desaparecer, o controle ficará mais fácil."
Alexandre congelou.
A voz continuou:
"Todos vão acreditar que foi um acidente."
O gravador caiu lentamente da mão dele.
A sala ficou em silêncio.
Pela primeira vez, Alexandre percebeu a dimensão real do perigo.
Ele não estava enfrentando apenas uma traição financeira.
Alguém tinha planejado o fim da sua vida.
Naquele momento, todas as dúvidas sobre Clara ficaram ainda mais confusas.
Porque se ela realmente queria prejudicá-lo, por que guardaria provas contra o homem que poderia destruir tudo?
Ele pegou o telefone.
Precisava falar com ela.
Precisava ouvir da boca dela.
Encontrou Clara em um pequeno apartamento no bairro de Vila Madalena.
Depois de sair da mansão, ela tinha escolhido ficar longe de todos.
Quando abriu a porta e viu Alexandre, seu rosto mudou.
Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.
Havia muita coisa entre eles.
Dor.
Desconfiança.
Medo.
Alexandre entrou lentamente.
Ele segurava a pasta.
Clara percebeu.
"Você abriu."
Ele confirmou.
"Por que você nunca me mostrou isso?"
Ela desviou o olhar.
"Porque eu sabia que, quando você descobrisse tudo, sua vida mudaria."
Alexandre colocou os documentos sobre a mesa.
"Minha vida já mudou."
A voz dele carregava mágoa.
"Eu descobri que meu melhor amigo queria me matar."
Clara fechou os olhos.
"Eu tentei impedir isso."
Ele olhou para ela.
"Mas não confiou em mim."
A frase atingiu Clara.
Porque era exatamente a parte que mais doía.
Ela queria proteger Alexandre.
Mas, para isso, precisou esconder a verdade dele.
"Eu confiei em você."
Ela respondeu.
"Mais do que em qualquer pessoa."
Alexandre ficou confuso.
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"Então por que fez tudo sozinha?"
Clara respirou fundo.
"Porque Marcos tinha pessoas em todos os lugares."
Ela se aproximou da mesa.
"Ele controlava funcionários."
"Ele tinha acesso a informações internas."
"Ele sabia tudo sobre a empresa."
Alexandre ouviu em silêncio.
Clara continuou:
"Se eu contasse para você no começo, ele saberia."
"E você achou que fingir ser uma traidora era melhor?"
Ela olhou para ele.
"Eu achei que era a única maneira de manter você vivo."
O silêncio entre os dois foi profundo.
Alexandre queria ficar bravo.
Mas cada prova mostrava que ela tinha colocado a própria reputação em risco.
Ela perdeu a confiança dele.
Perdeu a própria casa.
Perdeu a imagem que todos tinham dela.
Tudo para destruir Marcos.
Mas ainda existia algo que incomodava Alexandre.
A conta em Lisboa.
Ele pegou um documento específico.
"O que é isso?"
Clara ficou em silêncio.
Alexandre percebeu.
"Clara."
Ela sabia que aquele momento chegaria.
"A conta em Lisboa."
Ele colocou o documento diante dela.
"Marcos falou sobre ela."
Clara fechou os olhos.
"Eu sabia que ele usaria isso contra mim."
Alexandre sentiu o coração acelerar.
"Então existe uma conta."
Ela não respondeu imediatamente.
E aquela pausa foi suficiente.
"Você abriu essa conta?"
Clara levantou o olhar.
"Sim."
A resposta deixou Alexandre sem reação.
Mesmo depois de todas as provas.
Mesmo depois de saber sobre Marcos.
Aquela confirmação ainda doía.
"Por quê?"
Clara sentou-se lentamente.
"Porque eu precisava criar um caminho para recuperar o dinheiro que Marcos desviou."
Alexandre franziu a testa.
"Recuperar?"
Ela abriu outro documento.
"Marcos escondia os valores em várias contas internacionais."
Ela apontou para os registros.
"Eu precisava de um lugar onde pudesse reunir as provas sem que ele descobrisse."
Alexandre ficou olhando para os documentos.
"Então aquela conta não era para roubar."
"Não."
"Era para investigar."
"Sim."
Ele passou a mão pelo rosto.
Tudo estava mudando novamente.
Mas uma pergunta ainda permanecia.
"Por que esconder isso de mim?"
Clara respondeu:
"Porque se você soubesse, Marcos saberia."
Alexandre ficou em silêncio.
Ela continuou:
"Ele observava cada movimento seu."
"Cada ligação."
"Cada decisão."
"Se eu tivesse contado, você teria agido como sempre fez."
Ele olhou para ela.
"Como?"
"Confrontaria ele."
Alexandre não respondeu.
Porque era verdade.
Ele sempre enfrentava os problemas de frente.
E Marcos conhecia isso.
Clara segurou os documentos.
"Eu precisava que Marcos acreditasse que tinha vencido."
Alexandre olhou para a mulher diante dele.
A mesma mulher que horas antes ele tinha expulsado da própria casa.
Agora ele começava a entender o tamanho da batalha que ela enfrentou sozinha.
Mas a dor ainda existia.
Ele respirou fundo.
"Então você realmente mentiu para mim."
Clara ficou imóvel.
A frase saiu baixa.
Mas carregada de tudo que ele sentia.
"Alexandre..."
Ele interrompeu.
"Eu vi você com ele."
"Eu vi o dinheiro."
"Eu vi meus documentos."
Ele apontou para a pasta.
"Eu pensei que a mulher que eu amava estava tentando destruir minha vida."
Os olhos de Clara ficaram cheios de lágrimas.
"Eu sei."
"E agora descubro que você escondia uma investigação inteira."
Ele fez uma pausa.
"Então você realmente me enganou?"
Clara ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois respondeu:
"Sim."
Alexandre sentiu o peso daquela palavra.
Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Clara completou:
"Mas não foi para machucar você."
A frase ficou entre os dois.
Porque, naquele momento, Alexandre percebeu que a verdade podia ser tão dolorosa quanto uma mentira.
Ele olhou novamente para a pasta.
Para os documentos.
Para a fotografia do pai.
E para a mulher que tinha colocado tudo em risco.
Mas então seu telefone tocou.
Era Victor.
Alexandre atendeu.
A voz do delegado estava tensa.
"Alexandre, precisamos conversar imediatamente."
"O que aconteceu?"
Houve alguns segundos de silêncio.
Então Victor respondeu:
"Encontramos quem estava vazando informações da investigação."
Alexandre ficou sério.
"Quem?"
A resposta de Victor veio baixa.
"Alguém que trabalha dentro da Polícia Federal."
Clara e Alexandre se olharam.
Porque naquele instante entenderam uma coisa.
Marcos nunca esteve sozinho.
E o inimigo que procuravam ainda estava muito mais perto do que imaginavam.
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