"A Mulher Que Todos Chamaram de Traidora… Era Minha Salvadora" Parte 3
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Na manhã seguinte, a mansão dos Montenegro Vasconcelos parecia completamente diferente.
O lugar que sempre representou segurança e poder agora carregava um peso impossível de ignorar.
Alexandre passou a noite inteira acordado.
Ele caminhou pelos corredores vazios, olhando para as fotografias espalhadas pela casa.
Em uma delas, estava ao lado de Marcos durante a inauguração da nova sede da empresa.
Os dois sorriam.
Pareciam irmãos.
Naquele dia, Alexandre acreditava que tinha ao seu lado uma pessoa que jamais o abandonaria.
Agora aquela mesma pessoa estava sendo acusada de planejar sua morte.
Ele segurou a fotografia por alguns segundos.
"Como eu não percebi?"
A pergunta ficou perdida no silêncio da sala.
Clara apareceu atrás dele.
Ela parecia cansada.
A última noite também tinha destruído tudo dentro dela.
"Alexandre..."
Ele não virou imediatamente.
"Quantas coisas você sabia que eu não sabia?"
A pergunta fez Clara parar.
Ela esperava raiva.
Esperava acusações.
Mas aquela tristeza era ainda pior.
"Eu sabia que Marcos estava escondendo dinheiro."
Alexandre finalmente olhou para ela.
"Desde quando?"
"Desde quatro meses atrás."
Ele respirou fundo.
"Quatro meses."
A repetição daquela frase carregava uma mistura de mágoa e incredulidade.
"Durante quatro meses você acordou ao meu lado sabendo que alguém estava tentando destruir minha vida."
Clara abaixou o olhar.
"Sim."
"Por quê?"
Ela demorou alguns segundos.
"Porque cada passo errado poderia colocar você em perigo."
Alexandre passou a mão pelo rosto.
Ainda era difícil aceitar.
A mulher que ele amava tinha mentido.
Mas a mentira dela parecia ter sido criada para protegê-lo.
E isso tornava tudo ainda mais confuso.
Naquele momento, Victor entrou na sala acompanhado de dois investigadores da Polícia Federal.
Ele carregava uma pasta cheia de documentos.
"Precisamos conversar."
Alexandre percebeu pela expressão do delegado que as notícias não eram boas.
Todos foram para o escritório.
O mesmo lugar onde, poucas horas antes, Alexandre acreditou ter descoberto uma traição.
Agora aquele cômodo parecia o centro de uma guerra.
Victor abriu a pasta.
"Continuamos analisando os dados financeiros do grupo Montenegro Vasconcelos."
Ele colocou vários relatórios sobre a mesa.
"Descobrimos que Marcos Ferraz desviava dinheiro há pelo menos seis anos."
Alexandre ficou olhando para os documentos.
Seis anos.
Não eram alguns meses.
Era quase uma década.
"Quanto?"
Victor respondeu:
"Ainda estamos calculando o valor total, mas ultrapassa dezenas de milhões de reais."
Alexandre fechou os olhos por alguns segundos.
Marcos conhecia todos os contratos.
Todas as contas.
Todos os investimentos.
Ele tinha acesso a tudo.
"Ele destruiu a empresa enquanto fingia protegê-la."
Clara completou:
"Essa era a estratégia dele."
Victor concordou.
"Marcos precisava continuar sendo visto como indispensável."
O delegado mostrou novas provas.
Transferências.
Relatórios.
Contratos falsos.
Mas então Alexandre percebeu algo estranho.
Ele pegou um dos documentos.
Depois outro.
E mais outro.
Todos tinham algo em comum.
O nome de Clara aparecia em diferentes etapas.
A autorização.
A análise.
O acompanhamento financeiro.
Ele ficou imóvel.
"Por que o nome dela está em todos esses documentos?"
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O silêncio apareceu novamente.
Victor percebeu a mudança no olhar de Alexandre.
"Porque Marcos usou Clara como cobertura."
Alexandre continuou olhando para os papéis.
Mas uma dúvida começou a crescer dentro dele.
Uma dúvida que ele não queria admitir.
"Ou porque ela realmente estava envolvida."
Clara sentiu como se aquela frase tivesse atingido seu peito.
Alexandre percebeu.
Mas não conseguiu retirar as palavras.
Porque aquela era a pergunta que estava destruindo sua cabeça.
Se Clara era inocente...
Por que esconder tantas coisas?
Se ela estava tentando protegê-lo...
Por que todas as provas pareciam apontar para ela?
Victor percebeu o conflito.
"Senhor Montenegro, pessoas inteligentes também são usadas por criminosos."
Alexandre respondeu:
"Mas todas as assinaturas passam pelas mãos dela."
Clara respirou fundo.
"Porque Marcos precisava que eu parecesse culpada."
Ele olhou para ela.
"Mas você sabia que isso aconteceria."
"Sim."
"Então você aceitou que eu desconfiasse de você."
Clara ficou em silêncio.
E aquele silêncio doeu mais do que uma resposta.
Porque era verdade.
Ela tinha escolhido carregar a culpa.
Mesmo que isso destruísse o casamento deles.
Victor continuou a investigação.
Mas, enquanto analisava os documentos, encontrou algo inesperado.
Ele pegou o celular e comparou algumas informações.
Seu rosto mudou.
"O que foi?"
Alexandre perguntou.
Victor mostrou uma mensagem.
"Essas informações da operação vazaram."
Clara ficou séria.
"Não pode ser."
Victor olhou para os agentes.
"Alguém dentro da investigação está avisando Marcos."
O ambiente ficou tenso.
A pessoa que deveria ajudar a capturar o criminoso estava protegendo ele.
Alexandre sentiu um arrepio.
"Então Marcos sempre soube dos nossos passos?"
Victor confirmou.
"Provavelmente."
Clara ficou preocupada.
"Se ele sabia, por que deixou a prisão acontecer?"
Ninguém respondeu.
Porque aquela era a pergunta mais perigosa.
Marcos não parecia alguém que perdeu.
Ele parecia alguém que tinha planejado algo maior.
Victor começou a revisar novamente todas as informações.
Até que encontrou um detalhe.
Uma ligação feita poucas horas antes da prisão.
O número era desconhecido.
Mas o destinatário era claro.
Marcos.
O delegado ficou em silêncio.
Alexandre percebeu.
"Quem era?"
Victor levantou os olhos.
"Alguém que ainda não conseguimos identificar."
Naquele instante, o telefone da recepção tocou.
Um funcionário da mansão apareceu na porta.
"Senhor Alexandre..."
Todos olharam.
"O senhor Marcos está aqui."
O silêncio foi imediato.
Alexandre ficou sem reação.
"Como assim?"
O funcionário parecia assustado.
"Ele disse que precisa falar com o senhor."
Victor imediatamente se levantou.
"Isso não faz sentido."
Marcos estava sob investigação.
Mesmo assim, poucos minutos depois, ele apareceu na entrada da empresa Montenegro Vasconcelos.
Alexandre decidiu ir até lá.
Ele precisava olhar nos olhos daquele homem.
Precisava entender como alguém que ele considerava um irmão conseguiu planejar sua destruição.
Na sede da empresa, na Avenida Paulista, todos os funcionários ficaram em silêncio quando Alexandre e Victor chegaram ao salão principal.
Marcos estava parado próximo à recepção.
Sem algemas.
Sem medo.
Com a mesma postura confiante de sempre.
Como se nada tivesse acontecido.
Ele olhou para Alexandre e sorriu.
"Eu sabia que você viria."
Alexandre manteve distância.
"Você deveria estar explicando seus crimes."
Marcos soltou uma pequena risada.
"Crimes?"
Ele olhou para Clara.
Depois voltou os olhos para Alexandre.
"Você ainda acredita nela?"
Clara ficou séria.
Victor deu um passo à frente.
"Marcos, qualquer declaração será usada contra você."
Mas ele ignorou.
Aproximou-se de Alexandre.
E falou em voz baixa:
"Você acha que descobriu a verdade ontem à noite."
Marcos sorriu.
"Mas ainda não sabe quem realmente é sua esposa."
Alexandre sentiu o coração acelerar.
Marcos continuou:
"Alexandre, antes de me acusar..."
Ele olhou diretamente para Clara.
"Você deveria perguntar para sua esposa quem ela realmente é."
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