"A Mulher Que Apareceu No Túmulo Do Meu Filho Com Um Bebê" Parte 5
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Clara passou a noite inteira acordada.
As cartas de Daniel estavam espalhadas sobre a cama.
Cada palavra escrita pelo homem que ela amava revelava uma verdade que doía mais do que a própria perda.
Daniel não tinha abandonado ela.
Daniel não tinha esquecido dela.
Ele tinha partido acreditando que estava protegendo a mulher que amava.
Mas havia uma parte daquela história que não deixava Clara respirar.
Vitória.
O nome daquela mulher estava escrito na última carta de Daniel.
Ela tinha recebido tudo.
Ela tinha sido escolhida por Daniel para entregar a verdade.
Mas não entregou.
Clara segurou o envelope entre os dedos.
Sua tristeza começou a se transformar em revolta.
Durante três anos, ela criou Lucas acreditando que o pai dele tinha ido embora sem explicação.
Durante três anos, ela carregou a dor de pensar que Daniel tinha desistido dela.
Enquanto isso, Vitória sabia de tudo.
Ela sabia que Daniel estava doente.
Sabia que ele amava Clara.
Sabia que existia um filho.
E mesmo assim escolheu esconder.
Naquela manhã, Clara decidiu que não ficaria mais em silêncio.
Ela guardou todas as cartas dentro da caixa de cedro.
Depois colocou Lucas no colo.
Olhou para o rosto do filho.
"Seu pai tentou voltar para nós."
Sua voz tremia.
"Mas alguém impediu."
Ela sabia que precisava falar com Margarida.
Precisava mostrar as provas.
Precisava revelar quem Vitória realmente era.
Quando saiu do quarto de Daniel, encontrou Margarida no corredor.
A senhora percebeu imediatamente que algo havia acontecido.
Os olhos de Clara diziam tudo.
"O que aconteceu?"
Clara segurou a caixa.
"Eu encontrei algo que muda tudo."
Margarida olhou para a caixa de cedro.
Reconheceu imediatamente.
"Essa caixa era do Daniel."
Clara assentiu.
"Ele escreveu cartas para mim."
O rosto de Margarida ficou surpreso.
"Cartas?"
"Sim."
Clara respirou fundo.
"Ele tentou me explicar tudo."
Margarida se aproximou.
"E por que você nunca recebeu?"
Clara levantou os olhos.
Porque naquele momento precisava dizer em voz alta.
"Porque Vitória sabia."
O corredor inteiro pareceu ficar mais frio.
Margarida ficou imóvel.
"Como assim?"
Clara abriu uma das cartas.
Mostrou a assinatura de Daniel.
"Ele entregou essas cartas para ela."
Margarida pegou o papel com mãos trêmulas.
Leu algumas linhas.
E sua expressão mudou.
Porque aquela era a letra do filho.
Ela conhecia.
Ela sabia que aquelas palavras eram verdadeiras.
"Não..."
Sua voz saiu baixa.
"Vitória tinha isso esse tempo todo?"
Clara assentiu.
"E deixou nós dois acreditarmos em uma mentira."
Margarida fechou os olhos.
Uma mistura de tristeza e raiva tomou conta dela.
Ela lembrou das vezes em que Vitória esteve na mansão depois da morte de Daniel.
Lembrou das lágrimas falsas.
Dos abraços.
Das palavras de conforto.
Enquanto escondia a última mensagem do filho.
"Por que ela faria isso?"
Clara olhou para a caixa.
"Porque ela não queria que Daniel voltasse para mim."
Margarida ficou em silêncio.
E pela primeira vez começou a questionar tudo.
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Mas antes que elas pudessem continuar aquela conversa, uma funcionária apareceu na porta.
"Senhora Margarida, a dona Vitória está esperando a senhora no salão."
Clara e Margarida trocaram olhares.
Era como se Vitória soubesse que algo estava acontecendo.
Naquele mesmo momento, Vitória estava no escritório com Artur.
Ela observava a mansão pela janela.
Seu rosto não tinha mais aquele sorriso gentil.
Agora mostrava apenas frieza.
Artur colocou alguns documentos sobre a mesa.
"Você tem certeza de que quer fazer isso?"
Vitória virou lentamente.
"Eu não passei três anos esperando para perder tudo agora."
Artur olhou para os papéis.
"Mas se Lucas for realmente filho de Daniel, ele tem direito."
Vitória respondeu:
"Direito ao sangue não significa poder."
Ela se aproximou.
"Você sabe tão bem quanto eu que essa família não pode ser entregue a uma mulher que apareceu do nada."
Artur ficou em silêncio.
Ele não gostava de Clara.
Mas também sabia que Vitória escondia coisas.
Mesmo assim, o medo de perder o controle da empresa falava mais alto.
Vitória percebeu.
"Você quer continuar sendo o homem mais importante dessa família."
Artur não respondeu.
"Então precisa impedir que esse bebê se torne o centro de tudo."
Naquele momento, Clara entrou no salão acompanhada de Margarida.
Vitória percebeu imediatamente.
Ela viu a caixa de cedro nas mãos de Clara.
Por uma fração de segundo, seu rosto perdeu a expressão.
Mas rapidamente voltou ao normal.
Clara percebeu.
E teve certeza.
Vitória sabia.
"Você reconhece isso?"
Perguntou Clara.
Vitória olhou para a caixa.
"Não sei do que está falando."
Clara abriu a tampa.
As cartas apareceram.
"São cartas de Daniel."
O silêncio caiu sobre o salão.
Margarida encarou Vitória.
"Ele deixou isso para Clara."
Vitória respirou fundo.
"Isso é ridículo."
Clara deu um passo à frente.
"Você recebeu essas cartas."
Vitória negou.
"Eu nunca vi isso."
"Está mentindo."
A voz de Clara saiu firme.
"Daniel escreveu que entregou tudo a você."
Vitória cruzou os braços.
"Uma carta escrita por um homem doente não prova nada."
Margarida ficou chocada.
"Você está dizendo que meu filho mentiu?"
Vitória percebeu que tinha ido longe demais.
Mudou a expressão.
"Eu só estou dizendo que precisamos ter cuidado."
Clara segurou Lucas.
"Cuidado?"
Ela sorriu sem alegria.
"Você deixou uma mãe acreditar que o pai do filho dela tinha abandonado os dois."
Vitória respondeu:
"Eu não tinha obrigação de cuidar da sua vida."
A frase ficou no ar.
Margarida olhou para ela como se estivesse vendo uma pessoa completamente diferente.
Mas Vitória não iria esperar ser desmascarada.
Ela sabia que precisava agir primeiro.
Naquela mesma tarde, ela encontrou Artur novamente.
Dessa vez, com uma nova estratégia.
Ela colocou uma pasta sobre a mesa.
"Agora nós vamos mostrar para todos quem Clara realmente é."
Artur abriu.
Dentro havia documentos.
Registros financeiros.
Fotos.
Relatórios.
Tudo preparado para criar uma história contra Clara.
Vitória falou calmamente:
"Ela vai parecer uma mulher que planejou tudo."
Artur analisou os documentos.
"Você conseguiu isso tudo?"
Vitória sorriu.
"Eu só organizei as informações certas."
Na manhã seguinte, Artur convocou uma reunião de emergência da família Vasconcelos.
Todos estavam presentes.
Margarida.
Clara.
Vitória.
Os advogados.
O clima era pesado.
Clara segurava Lucas nos braços.
Ela sabia que alguma coisa estava errada.
Artur levantou uma pasta.
Seu rosto estava sério.
"Antes de tomar qualquer decisão sobre essa criança, precisamos falar sobre a verdadeira intenção de Clara."
Margarida ficou imediatamente alerta.
"Artur, cuidado com o que vai dizer."
Ele abriu os documentos.
"Eu investiguei o passado dela."
Clara sentiu todos os olhares sobre ela.
Vitória permaneceu em silêncio.
Esperando o momento certo.
Artur respirou fundo.
Então colocou os papéis sobre a mesa.
E disse:
"Ela precisa sair desta casa."
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