"Minha Sogra Cortou Meu Cabelo E Se Arrependeu" Parte 6
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Eduardo ficou parado no escritório da mansão Montenegro por vários minutos depois de desligar o telefone.
A informação que acabara de receber não saía da sua cabeça.
Uma conta escondida.
Transferências antigas.
Um nome ligado ao passado da família.
Tudo levava ao mesmo lugar.
Aos segredos que Vitória tentou esconder durante vinte anos.
Ele olhou para a janela.
Do lado de fora, o jardim continuava perfeito.
As flores organizadas.
As árvores podadas.
A casa impecável.
Mas agora Eduardo enxergava outra coisa.
Por trás daquela aparência de perfeição existia uma história que ninguém queria contar.
E talvez Olívia tivesse sido a única pessoa corajosa o suficiente para procurar a verdade.
Ele caminhou até o segundo andar.
Parou diante da porta do quarto da mãe.
Bateu duas vezes.
"Entre."
Vitória estava sentada diante do espelho.
Ela retirava seus brincos calmamente.
Como se nada tivesse acontecido.
Como se não existisse uma crise destruindo a família.
Eduardo entrou.
"Precisamos conversar."
Vitória olhou pelo reflexo.
"Sobre Olívia?"
Ele ficou surpreso.
"Como você sabe?"
Ela sorriu levemente.
"Porque desde que ela apareceu, tudo mudou."
Eduardo fechou a porta.
"Não coloque a culpa nela."
Vitória virou lentamente.
A expressão dela mudou.
"Você está defendendo ela?"
"Estou tentando entender a verdade."
Aquelas palavras atingiram Vitória.
Ela levantou.
"Eu sou sua mãe."
Eduardo ficou em silêncio.
"E ela chegou há pouco tempo."
Ele respirou fundo.
"Isso não significa que ela esteja errada."
Vitória ficou olhando para o filho.
Durante anos, Eduardo sempre tinha aceitado suas decisões.
Sempre acreditou nela.
Sempre pensou que sua mãe fazia tudo para protegê-lo.
Mas agora era diferente.
Agora ele tinha visto provas.
Ele tinha visto Olívia saindo daquela casa destruída.
"Por que você apagou a gravação das câmeras?"
O rosto de Vitória mudou.
Foi apenas um segundo.
Mas Eduardo percebeu.
Ela esperava muitas perguntas.
Menos aquela.
"Eu não sei do que você está falando."
Eduardo se aproximou.
"Vitória."
Era a primeira vez que ele dizia o nome dela daquela forma.
Sem carinho.
Sem a voz de um filho.
Apenas como alguém exigindo respostas.
"Eu vi o arquivo removido."
Ela desviou o olhar.
"Você está me acusando?"
"Eu estou perguntando."
Vitória começou a andar pelo quarto.
"Depois de tudo que eu fiz por você?"
Eduardo ficou parado.
Ela respirou fundo.
Então as lágrimas começaram.
"Eu fiz tudo por você."
A voz dela tremia.
"Eu passei minha vida inteira construindo essa família."
Ela colocou a mão no peito.
"Eu cuidei de você quando seu pai morreu."
Eduardo sentiu um peso no coração.
Porque aquela parte era verdade.
Vitória tinha sido uma mãe presente em muitos momentos.
Mas isso não apagava o que ela tinha feito.
Ela continuou:
"Eu protegi seu nome."
"Protegi sua empresa."
"Protegi tudo que seu pai deixou."
Ela se aproximou.
"E agora você vai acreditar em uma mulher que apareceu do nada?"
Eduardo fechou os olhos por um instante.
Era exatamente assim que Vitória sempre fazia.
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Misturava amor com culpa.
Fazia ele sentir que questioná-la era uma traição.
Mas dessa vez algo tinha mudado.
"Eu não estou escolhendo entre você e ela."
Ele abriu os olhos.
"Estou escolhendo entre verdade e mentira."
Vitória ficou em silêncio.
A frase pareceu machucá-la mais do que uma acusação.
"Você realmente acha que eu mentiria para você?"
Eduardo respondeu:
"Eu acho que você escondeu coisas de mim."
O silêncio tomou conta do quarto.
Vitória sentou novamente.
Ela parecia menor.
Mas Eduardo sabia que aquela tristeza também poderia ser uma estratégia.
"Ela está colocando você contra sua própria família."
Eduardo balançou a cabeça.
"Não."
Ele olhou para a mãe.
"Talvez ela tenha descoberto algo que nós deveríamos saber há muito tempo."
Vitória ficou séria.
"O que exatamente você acha que ela descobriu?"
Eduardo percebeu.
Ela perguntou rápido demais.
Como alguém que já sabia a resposta.
"Então existe algo."
Vitória ficou imóvel.
Durante alguns segundos, nenhum dos dois falou.
Até que ela respondeu:
"Você não entende o mundo em que vive."
Eduardo franziu a testa.
"Explique."
Ela se aproximou.
"Algumas verdades destroem famílias."
"Ou algumas mentiras mantêm famílias falsas de pé."
A resposta dele deixou Vitória sem reação.
Pela primeira vez, ela percebeu que o filho não era mais o menino que obedecia sem questionar.
Ele havia mudado.
E tudo começou quando Olívia entrou naquela casa.
Enquanto isso, longe da mansão, Olívia estava sentada em uma pequena mesa da pousada.
Ela ainda não tinha respondido a mensagem de Eduardo.
Não porque não queria falar com ele.
Mas porque não sabia mais se conseguia confiar.
Durante toda a vida, ela aprendeu a lutar sozinha.
E naquele momento, precisava decidir se abriria novamente seu coração para alguém que não conseguiu protegê-la.
O celular vibrou.
Número desconhecido.
Ela olhou para a tela.
Uma mensagem.
"Tenho algo que pertence à sua investigação."
Olívia ficou alerta.
Antes que pudesse responder, outra mensagem chegou.
"Se você quer saber por que Vitória Montenegro tentou destruir sua vida, abra o arquivo enviado."
Um documento apareceu.
Ela hesitou.
Depois clicou.
Era uma pasta digital.
Dentro havia vários arquivos antigos.
Relatórios financeiros.
Documentos assinados.
Fotos de contratos.
Olívia começou a abrir um por um.
Até encontrar um arquivo com uma data.
Seu coração acelerou.
Ela abriu.
As primeiras linhas fizeram sua respiração parar.
Era um documento interno da Montenegro Participações.
Mas o nome que aparecia nele não era apenas o de Vitória.
Era o nome de alguém que ela nunca esperava encontrar.
Ela continuou lendo.
Cada página revelava uma parte de um segredo guardado por duas décadas.
Um segredo que explicava por que Vitória tinha tanto medo dela.
Olívia chegou à última página.
E viu uma assinatura.
A mesma assinatura que aparecia nos documentos antigos.
A mesma pessoa que desapareceu depois de 2004.
Ela segurou o papel com as mãos tremendo.
Porque naquele momento percebeu que sua entrada na família Montenegro talvez não tivesse sido uma coincidência.
Ela não tinha encontrado um segredo da família.
Ela fazia parte dele.
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