"Minha Sogra Cortou Meu Cabelo E Se Arrependeu" Parte 3
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Eduardo segurava o celular de Dona Lúcia com as duas mãos.
Durante alguns segundos, ninguém naquela sala conseguiu dizer uma palavra.
A gravação começou mostrando a entrada da mansão Montenegro.
Era uma imagem simples.
A porta principal.
O jardim perfeitamente cuidado.
As luzes da residência milionária.
Mas então Olívia apareceu na tela.
Eduardo sentiu o peito apertar.
Ele reconheceu imediatamente a expressão dela.
O medo.
A confusão.
A dor.
Era a mesma mulher que ele tinha deixado poucos dias antes.
A mulher que sorria para ele mesmo quando estava cansada.
A mulher que sempre dizia que ficaria tudo bem.
Mas naquela gravação, ela não parecia bem.
Ela parecia uma pessoa tentando sobreviver.
Dona Lúcia ficou ao lado dele.
"Continue assistindo."
Eduardo não respondeu.
Apenas apertou o celular com mais força.
Na tela, Vitória apareceu caminhando pelo corredor.
Depois de alguns segundos, a câmera mostrou Olívia sendo levada para dentro do quarto de hóspedes.
A porta se fechou.
Eduardo franziu a testa.
Ele olhou para a mãe.
"Por que ela estava trancada naquele quarto?"
Vitória permaneceu em silêncio.
Pela primeira vez, ela não tinha uma resposta pronta.
A gravação continuou.
A câmera não mostrava o interior do quarto.
Mas mostrava a porta fechada.
Mostrava Vitória entrando.
E depois mostrava o momento em que ela saiu carregando uma tesoura.
O rosto de Eduardo mudou.
Ele deu um passo para trás.
"Não..."
Sua voz saiu quase como um sussurro.
Dona Lúcia observava a reação dele.
"Eu disse que você precisava ver."
Na gravação, alguns minutos depois, a porta abriu.
Olívia apareceu.
Mas não era mais a mesma mulher.
Seu cabelo estava cortado de forma irregular.
Seu rosto estava molhado de lágrimas.
Eduardo levou a mão até a boca.
Ele não conseguia acreditar.
A mulher que ele amava tinha sido humilhada dentro da própria casa.
Por sua própria mãe.
"Meu Deus..."
Ele olhou para Vitória.
"Foi você?"
O silêncio daquela sala ficou pesado.
Os funcionários que estavam próximos abaixaram a cabeça.
Todos tinham visto.
Todos tinham entendido.
Vitória respirou fundo.
Mas, ao invés de admitir, ela mudou completamente a postura.
A tristeza desapareceu.
O olhar dela ficou frio.
"Essa mulher quer destruir nossa família."
Eduardo ficou confuso.
"O quê?"
Vitória se aproximou.
"Você está vendo apenas alguns minutos de uma história que começou muito antes."
Ela apontou para o celular.
"Ela sabe manipular pessoas."
Dona Lúcia ficou indignada.
"Manipular?"
Vitória ignorou.
"Ela entrou nessa família com um plano."
Eduardo encarou a mãe.
"Que plano?"
Vitória demorou alguns segundos.
Como se estivesse escolhendo cuidadosamente cada palavra.
"Olívia começou a investigar nossa família."
Eduardo ficou parado.
"Investigar o quê?"
Vitória respirou fundo.
"O patrimônio dos Montenegro."
A frase mudou o ambiente.
Até Dona Lúcia ficou em silêncio por alguns segundos.
Vitória continuou.
"Ela começou a fazer perguntas sobre documentos antigos."
Eduardo balançou a cabeça.
"Isso não faz sentido."
"Faz sim."
Vitória se aproximou dele.
"Você acha que ela estava interessada apenas em você?"
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Eduardo sentiu a acusação como uma ofensa.
"Minha esposa nunca demonstrou interesse no meu dinheiro."
Vitória soltou uma risada triste.
"Porque ela sabia esconder muito bem."
Ele olhou para o celular novamente.
A imagem de Olívia saindo da mansão continuava parada em sua mente.
Ele conhecia aquela mulher.
Ou achava que conhecia.
Durante anos, Olívia nunca pediu nada.
Nunca exigiu roupas caras.
Nunca tentou usar o sobrenome Montenegro.
Mas agora havia uma dúvida sendo plantada.
E Vitória sabia exatamente onde tocar.
"Meu filho, eu tentei proteger você."
Eduardo ficou em silêncio.
Dona Lúcia deu um passo à frente.
"Não deixe que ela transforme uma vítima em culpada."
Vitória virou para ela.
"Você não sabe nada sobre minha família."
Dona Lúcia respondeu:
"Eu sei o suficiente para saber quando alguém está mentindo."
Eduardo passou a mão pelo rosto.
Ele estava dividido.
Uma parte dele queria correr atrás de Olívia.
Abraçar ela.
Pedir desculpas por não estar lá.
Mas outra parte ainda estava tentando entender por que sua própria mãe faria algo tão cruel.
"Por que ela iria investigar a família?"
Vitória respondeu imediatamente:
"Porque ela queria encontrar alguma coisa."
Eduardo olhou para ela.
"Alguma coisa como o quê?"
Vitória ficou em silêncio.
Esse pequeno silêncio chamou a atenção dele.
"Vitória?"
Ela desviou o olhar.
"Não importa."
Mas importava.
Muito.
Eduardo percebeu.
Pela primeira vez, sentiu que havia algo naquela casa que ninguém queria que ele descobrisse.
Ele pegou o celular.
"Eu quero ver a gravação completa."
Dona Lúcia assentiu.
"Eu tenho apenas o que minha câmera gravou."
Eduardo olhou para a entrada da mansão.
"Essa casa tem outras câmeras."
Vitória mudou de expressão.
"Eduardo..."
Ele virou.
"Eu quero ver."
Ela tentou manter a calma.
"Você está exagerando."
"Minha esposa saiu daqui com o cabelo cortado."
A voz dele ficou mais firme.
"Eu preciso saber o que aconteceu."
Vitória cruzou os braços.
"Você vai destruir sua própria família por causa de uma mulher que conheceu há poucos anos?"
Eduardo ficou olhando para ela.
Aquela frase doeu.
Porque era exatamente o tipo de frase que Olívia sempre dizia que ela usava.
Para separar os dois.
Ele saiu da sala e caminhou até o escritório da segurança da mansão.
O responsável pelas câmeras ficou nervoso quando viu Eduardo entrar.
"Senhor Eduardo..."
"Preciso das imagens de ontem."
O funcionário olhou rapidamente para Vitória, que havia seguido o filho.
Foi apenas um segundo.
Mas Eduardo percebeu.
"Agora."
O funcionário abriu o sistema.
As gravações começaram a aparecer.
Entrada.
Jardim.
Corredores.
Mas quando chegaram ao horário em que Olívia entrou no quarto...
A tela ficou preta.
Eduardo franziu a testa.
"O que aconteceu?"
O funcionário engoliu seco.
"Essa parte não está disponível."
"Como assim?"
"Foi apagada."
O silêncio voltou.
Eduardo lentamente virou o rosto.
Olhou para sua mãe.
Vitória permaneceu parada.
Mas pela primeira vez, ela parecia não saber o que dizer.
Ele se aproximou do computador.
Na tela havia apenas uma mensagem.
Arquivo removido manualmente.
Eduardo olhou para a data.
Para o horário.
E percebeu algo que fez seu coração acelerar.
A gravação tinha sido apagada poucos minutos depois que Olívia deixou a mansão.
E somente uma pessoa tinha acesso àquele sistema naquela noite.
Sua mãe.
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