"Minha Sogra Cortou Meu Cabelo E Se Arrependeu" Parte 2
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Eduardo Caldwell Montenegro voltou para São Paulo no início da manhã.
Depois de uma semana de reuniões em Chicago, tudo que ele queria era entrar naquela mansão, abraçar Olívia e finalmente descansar ao lado da mulher que amava.
Durante todo o voo, ele pensou nela.
Pensou na mensagem que ela havia enviado dois dias antes.
"Estou esperando você voltar. Sinto sua falta."
Ele sorriu ao lembrar.
Para Eduardo, sua esposa era a única pessoa naquele mundo de aparências que nunca tinha tentado impressioná-lo.
Ela não queria o dinheiro da família.
Não queria o sobrenome Montenegro.
Ela só queria construir uma vida ao lado dele.
Mas quando o carro passou pelos portões da mansão em Jardim Europa, algo parecia diferente.
Não havia ninguém esperando por ele.
Nenhum sorriso.
Nenhum abraço.
Nenhuma Olívia correndo até a porta.
Eduardo entrou na sala principal carregando sua mala.
"Olívia?"
Nenhuma resposta.
Ele franziu a testa.
"Amor, cheguei."
Foi então que Vitória Montenegro Caldwell apareceu no alto da escada.
Vestida com elegância, como sempre.
Mas havia algo em seu rosto.
Uma tristeza ensaiada.
"Meu filho..."
Eduardo percebeu imediatamente.
Sua mãe estava chorando.
Ele deixou a mala no chão.
"O que aconteceu?"
Vitória desceu lentamente.
Como se cada passo carregasse uma dor enorme.
"Eu não queria que você descobrisse assim."
Eduardo ficou preocupado.
"Onde está Olívia?"
Vitória respirou fundo.
"Ela foi embora."
A resposta fez o coração dele acelerar.
"Como assim foi embora?"
Ela desviou o olhar.
"Eduardo, eu tentei ajudar sua esposa."
Ele ficou em silêncio.
"A semana inteira ela estava diferente. Nervosa, irritada, dizendo coisas sem sentido."
Eduardo encarou a mãe.
"Que coisas?"
Vitória segurou as próprias mãos.
"Dizia que todos nessa casa queriam prejudicá-la."
A expressão de Eduardo mudou.
"Minha esposa nunca faria isso."
Vitória suspirou.
"Eu também queria acreditar."
Ela caminhou até o sofá.
"Mas ontem ela teve uma crise."
Eduardo ficou parado.
"Uma crise?"
Vitória assentiu.
"Ela começou a dizer que eu odiava ela. Que eu queria destruir o casamento de vocês."
Eduardo sentiu um desconforto.
Porque aquelas palavras pareciam exatamente algo que sua mãe poderia fazer.
Mas ele ainda não queria acreditar.
"Ela está onde agora?"
Vitória respondeu rapidamente.
"Eu não sei."
Foi uma resposta ensaiada.
Eduardo percebeu.
"Você não sabe?"
Ela abaixou os olhos.
"Ela saiu sozinha durante a noite."
Nesse momento, Eduardo viu algo em cima da mesa.
Uma mecha de cabelo.
Ele se aproximou.
E parou.
Seu rosto perdeu a cor.
"Esse cabelo..."
Vitória ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois falou:
"Ela mesma fez isso."
Eduardo virou lentamente.
"Como?"
Vitória se aproximou.
"Ela estava fora de controle."
Ele pegou alguns fios entre os dedos.
E sentiu um aperto no peito.
Aquele era o cabelo que Olívia cuidava com tanto carinho.
O cabelo que ela dizia lembrar da mãe.
"Por que ela faria isso?"
Vitória respondeu sem hesitar.
"Ela fez isso para chamar atenção."
Eduardo olhou para a mãe.
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A frase parecia cruel demais.
"Você realmente acha isso?"
Vitória manteve a expressão triste.
"Meu filho, você conhece sua esposa há poucos anos. Eu sou sua mãe."
Ela segurou o braço dele.
"Eu só estou tentando proteger você."
Eduardo afastou o braço devagar.
Pela primeira vez, ele sentiu que algo naquela história não fazia sentido.
Naquele momento, a porta principal se abriu.
Dona Lúcia Ferreira entrou no jardim da mansão.
Ela segurava o celular com força.
Seu rosto mostrava indignação.
"Eduardo!"
Os dois olharam para ela.
Vitória imediatamente mudou a expressão.
"Dona Lúcia, essa é uma conversa da família."
A senhora não parou.
"Não quando uma injustiça aconteceu na minha frente."
Eduardo se aproximou.
"O que a senhora quer dizer?"
Dona Lúcia olhou para Vitória.
Depois para Eduardo.
"Eu vi o que aconteceu ontem."
O silêncio tomou conta da sala.
Vitória ficou imóvel.
"Você está confundindo as coisas."
Dona Lúcia apertou o celular.
"Não estou."
Eduardo olhou para a mãe.
"Vitória?"
Ela respondeu rapidamente.
"Essa senhora está tentando criar problemas."
Dona Lúcia deu um passo à frente.
"Eu moro ao lado dessa casa há vinte anos."
Ela respirou fundo.
"Conheço a diferença entre uma discussão e uma crueldade."
Eduardo sentiu seu coração bater mais forte.
"Que crueldade?"
Antes que Dona Lúcia respondesse, Vitória entrou na frente.
"Chega."
Sua voz mudou.
Não era mais a voz de uma mãe preocupada.
Era uma ordem.
"Dona Lúcia, saia daqui agora."
A senhora não se moveu.
"Você sabe muito bem o que fez."
Vitória apertou os olhos.
"Tenha cuidado com as acusações que faz."
Eduardo observava as duas.
E pela primeira vez percebeu uma coisa.
Sua mãe não parecia uma pessoa injustamente acusada.
Ela parecia alguém tentando impedir que uma verdade aparecesse.
"Dona Lúcia, por favor."
A senhora olhou para Eduardo.
"Eu esperei você voltar porque Olívia precisava que alguém acreditasse nela."
Vitória interrompeu.
"Meu filho não precisa ouvir histórias inventadas."
Dona Lúcia respirou fundo.
Então levantou o celular.
"Eu não tenho uma história."
Ela olhou diretamente para Eduardo.
"Eu tenho uma gravação."
Vitória perdeu a expressão por um segundo.
Foi rápido.
Mas Eduardo percebeu.
"Que gravação?"
Dona Lúcia caminhou até ele.
"Da entrada da sua casa."
Vitória tentou impedir.
"Eduardo, não faça isso."
Ele olhou para a mãe.
"Por quê?"
Ela ficou em silêncio.
A pergunta simples pareceu incomodá-la mais do que qualquer acusação.
Dona Lúcia desbloqueou o celular.
"Eu vi Olívia saindo dessa mansão ontem."
Ela olhou para os cabelos cortados da jovem que ele ainda não conseguia esquecer.
"E eu vi quem fez aquilo com ela."
Eduardo sentiu um arrepio.
Vitória deu um passo à frente.
"Você não sabe o que está mostrando."
Dona Lúcia virou o celular para Eduardo.
"Então veja com seus próprios olhos."
A tela começou a carregar.
Todos ficaram em silêncio.
Eduardo olhou para a gravação.
A imagem da entrada da mansão apareceu.
A câmera mostrava a porta.
Mostrava Vitória.
Mostrava Olívia.
E mostrava exatamente o momento em que sua esposa saiu daquela casa.
Dona Lúcia segurou o telefone e disse:
"Eduardo… antes de julgar sua esposa, veja isso."
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