"O Trono de Cinzas: No Limite da Paixão" Capítulo 5
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O eco daquela promessa sussurrada no estúdio ainda pairava no ar, mas a realidade implacável do mercado exigia ações imediatas. A mansão em Santa Teresa, empoleirada nas colinas do Rio de Janeiro, brilhava sob uma constelação de luzes artificiais e taças de cristal tilintantes.
Aquela festa exclusiva reunia a escória financeira da cidade, um bando de abutres corporativos que tentavam desesperadamente salvar seus impérios em ruínas. Matheus circulava entre os convidados com um sorriso venenoso, vestindo um smoking branco que parecia disfarçar mal sua ânsia por sangue.
Ao lado dele estava Herrera, um investidor decadente e ganancioso cujos olhos miúdos cobiçavam cada centavo do mercado de entretenimento. Herrera esfregava as mãos suadas enquanto observava os garçons circularem com bandejas prateadas de champagne adulterado.
"Você tem certeza absoluta de que o garoto vai cair nessa armadilha barata?", perguntou Herrera, cuspindo as palavras com um sotaque arrastado e nojento. "Se a nossa aposta der errado, nós dois estaremos na sarjeta até o final da semana."
"Fique tranquilo, Herrera, a vaidade daquele paspalho é a fraqueza dele", gabou-se Matheus, ajeitando a lapela com falsa pompa. "Basta uma taça com o inibidor de desempenho e ele vai desabar bem no meio do salão principal, provando a tese de que nunca passou de um viciado desequilibrado."
O que Matheus e Herrera ignoravam totalmente é que cada palavra trocada naquela varanda isolada estava sendo gravada por microfones de alta precisão. A inteligência cibernética do império de Gabriel von Strauss mapeava os passos dos conspiradores em tempo real.
Enquanto isso, a quilômetros de distância, na segurança blindada de sua cobertura, Gabriel assistia a tudo através de telas de alta definição. O magnata ergueu uma taça de vinho tinto com total desprezo, saboreando a prévia daquela destruição iminente.
"Eles acham que podem brincar com o meu tabuleiro", murmurou Gabriel para si mesmo, com a voz gelada como o aço de uma lâmina. "Mal sabem que já perderam até as peças do jogo."
Lucas, que estava sentado em uma poltrona próxima com uma xícara de café nas mãos, olhou de relance para as telas. Ele não sentia o menor pingo de medo ou hesitação, entregando sua retaguarda e sua proteção absoluta àquele homem sem ponderar duas vezes.
"Deixe-os tentar o golpe", disse Lucas com um sorriso calmo e cortante. "Eles merecem provar do próprio veneno."
Gabriel virou-se para encarar o cantor, e por um segundo a dureza habitual de suas feições se suavizou com um orgulho possessivo. "Sua única tarefa esta noite é ficar aqui comigo e assistir ao império deles desabar como um castelo de cartas."
De volta à festa no Rio, um dos garçons contratados por Herrera aproximou-se cautelosamente de Lucas, que acabara de chegar ao evento acompanhado por seguranças discretos. O funcionário estendeu uma taça reluzente com um sorriso falso colado no rosto.
"O senhor Silva, o diretor Herrera mandou lhe oferecer os parabéns pelo seu recente sucesso", disse o garom, tentando disfarçar o tremor nas mãos. "Uma cortesia da casa, por favor."
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Lucas olhou para a taça oferecida e depois para o rosto pálido do homem, reconhecendo o truque milimetricamente arquitetado. Ele não pegou a bebida, limitando-se a erguer uma sobrancelha com evidente desdém.
"Diga ao seu chefe que eu prefiro beber veneno puro do que aceitar qualquer resto servido por ratos", respondeu Lucas em alto e bom som, atraindo a atenção imediata dos curiosos ao redor.
Herrera, que observava a cena de longe, empalideceu instantaneamente ao ver seu plano ruir antes mesmo de começar. Ele olhou para Matheus em busca de ajuda, mas o ex-amigo de Lucas já recuava em direção à saída de emergência.
"Onde pensa que vai, seu traste?", trovejou uma voz grave e imponente ecoando pelos alto-falantes embutidos no teto da mansão.
As portas principais do salão abriram-se com um estrondo metálico, revelando uma equipe de seguranças corporativos de terno preto flanqueando a entrada. Eles não eram policiais oficiais, mas sim a guarda particular de elite comandada diretamente por Gabriel von Strauss.
Herrera tentou dar meia-volta e correr para os fundos, mas dois homens já o haviam interceptado com uma eficiência assustadora. O investidor de cabelo ralo começou a suar frio, balbuciando desculpas incoerentes para o teto.
"Vocês não podem fazer isso, eu tenho direitos, eu sou acionista!", gritou Herrera em pânico, enquanto os seguranças o algemavam com braçadeiras de plástico reforçado.
Matheus tentou se misturar aos convidados assustados, mas um feixe de luz vermelha de mira a laser digitalizou sua testa, congelando-o no lugar. Um dos seguranças caminhou com passos firmes até ele e o agarrou pelo colarinho do smoking branco.
"Solte-me agora mesmo, seus imbecis, eu não fiz nada!", esbravejou Matheus, esperneando pateticamente enquanto era arrastado pelo carpete de grife do salão.
Enquanto os capangas de Gabriel escoltavam os dois conspiradores para fora da mansão, a voz de Matheus tornou-se histérica e desesperada. Vendo que não havia mais para onde fugir, ele resolveu apelar para o desespero puro.
"Vocês acham que o chefão de vocês é intocável?", gritou Matheus, cuspindo sangue e ódio enquanto era empurrado em direção à saída. "Pergunte a ele sobre o que aconteceu na tragédia da
Vila Nova
! O passado de Gabriel von Strauss tem sangue e fogo!"
O nome da antiga catástrofe familiar ecoou pelo salão silencioso como o estalo de um chicote. Os convidados prenderam a respiração, aterrorizados pela menção a um tabu que ninguém jamais ousara pronunciar em voz alta na frente do magnata.
No entanto, o estrago psicológico que Matheus esperava causar foi completamente anulado pela velocidade implacável da justiça financeira. Naquele exato segundo, nos servidores centrais de São Paulo, o império corporativo de Herrera desabava oficialmente.
Com apenas um clique autorizado por Gabriel, todas as contas bancárias ligadas à Apex Media e aos fundos de Herrera foram congeladas por ordem judicial internacional. A falência técnica foi declarada em questão de segundos, transformando os bilionários da véspera em indigentes legais.
De volta à cobertura no Rio, Gabriel continuava a fitar a tela do monitor com uma calma olímpica. Ele bebeu o último gole de seu vinho tinto, saboreando o silêncio pesado que se seguira à menção do passado.
Lucas aproximou-se lentamente, pousando uma mão firme e acolhedora sobre o ombro largo do magnata. Ele podia sentir a tensão latente nos músculos de Gabriel, mas manteve a voz firme e serena.
"Não deixe que o desespero de um rato alcance o que é seu", murmurou Lucas, olhando diretamente nos olhos de gelo do homem.
Gabriel respirou fundo, absorvendo o calor daquele toque que funcionava como um antídoto contra os fantasmas de sua infância. Ele voltou o olhar para as câmeras de segurança que mostravam os inimigos sendo jogados na calçada lamacenta da rua.
Com um gesto frio e definitivo, o magnata acionou o sistema de som automatizado da cobertura, enviando sua ordem final para a equipe de terra. A voz gélida de Gabriel ecoou pelos alto-falantes externos, cortando a noite carioca como uma lâmina afiada.
"Apaguem a empresa deles do mapa do Rio", ordenou Gabriel sem o menor vestígio de piedade, selando o destino de quem ousara desafiar seu reino.
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