"Minha Noite de Núpcias Quase Virou Meu Fim" Parte 5
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Depois daquela fotografia encontrada pelo delegado Rafael Martins, minha vida mudou mais uma vez.
Durante dias, eu achei que o maior perigo era Eduardo Ferraz Albuquerque.
Eu acreditava que ele queria destruir Gabriel.
Roubar a empresa.
Controlar a Vasconcelos Tecnologia.
Mas eu estava começando a perceber que aquela história tinha raízes muito mais profundas.
E a maior surpresa ainda estava escondida dentro da minha própria família.
Naquela manhã, Gabriel pediu que eu fosse até o antigo arquivo da empresa.
Era uma sala que quase ninguém frequentava.
Localizada no último andar da sede da Vasconcelos Tecnologia, guardava documentos dos primeiros anos do grupo.
Quando entrei, vi Gabriel cercado por dezenas de pastas antigas.
Ele parecia cansado.
Mas seu olhar era diferente.
Não era mais apenas o olhar de um homem tentando descobrir quem queria matá-lo.
Era o olhar de alguém tentando entender quem eu realmente era.
"Gabriel, o que aconteceu?"
Ele não respondeu imediatamente.
Pegou uma pasta sobre a mesa e colocou diante de mim.
"Eu encontrei isso ontem à noite."
Abri lentamente.
Dentro havia contratos antigos.
Documentos de participação societária.
E um nome que eu conhecia muito bem.
Augusto Monteiro.
Meu pai.
Meu coração acelerou.
"Por que você está olhando os documentos do meu pai?"
Gabriel respirou fundo.
"Porque descobri que ele não era apenas um antigo investidor da empresa."
Ele virou algumas páginas.
"Ele era um dos maiores acionistas da Vasconcelos Tecnologia no começo."
Eu fiquei em silêncio.
Eu sabia que meu pai tinha trabalhado com a família Vasconcelos.
Sabia que ele tinha ajudado a construir a empresa.
Mas nunca imaginei o tamanho da participação dele.
Gabriel colocou outro documento na minha frente.
E então eu vi.
Meu nome.
Isabela Monteiro.
E uma porcentagem registrada ao lado.
Cinco por cento.
Minha respiração ficou presa.
"Isso não pode estar certo."
Gabriel olhou para mim.
"Está."
Ele apontou para o documento.
"Seu pai deixou uma parte das ações para você."
Eu me sentei lentamente.
Durante anos, eu carreguei a imagem de uma garota que perdeu tudo.
A filha de uma família que desapareceu depois de uma falência.
Mas a verdade era diferente.
Meu pai não tinha perdido tudo.
Ele tinha protegido uma parte do nosso patrimônio.
Ele tinha deixado algo para mim.
Algo que ninguém sabia.
Nem mesmo Gabriel.
"Por que você nunca me contou?"
A pergunta dele não veio com raiva.
Veio com dor.
Eu abaixei o olhar.
Porque aquela era a pergunta que eu mais temia ouvir.
"Porque eu não queria que você soubesse."
Gabriel ficou parado.
"Você não queria que eu soubesse que minha esposa tinha cinco por cento da empresa da minha família?"
Eu senti uma lágrima cair.
"Eu queria que você me amasse pelo que eu era."
Ele ficou em silêncio.
"Eu não queria que você pensasse que eu me aproximei de você por causa do dinheiro."
Gabriel passou a mão pelo rosto.
"Isabela, você acha que eu teria feito isso?"
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Eu olhei para ele.
"Eu não sabia."
Minha voz tremeu.
"Durante toda minha vida, as pessoas olharam para minha família e viram apenas dinheiro."
Fiz uma pausa.
"Depois que meu pai perdeu tudo, muitas pessoas que diziam ser amigas desapareceram."
Gabriel se aproximou.
Mas eu continuei.
"Eu tinha medo de contar que ainda existia uma ligação entre minha família e a sua."
Ele olhou novamente para os documentos.
"Você sabia que era acionista?"
Eu hesitei.
"Eu sabia que existiam documentos guardados pela minha mãe."
"Então você sabia."
"Eu sabia que existia algo. Mas nunca usei isso. Nunca procurei a empresa. Nunca quis nada de você."
A expressão dele mudou.
Ele parecia dividido.
Entre acreditar em mim e sentir que eu tinha escondido uma parte importante da nossa história.
"Isabela, eu passei anos confiando em você."
Aquelas palavras machucaram.
"Eu também confiei em você."
Ele desviou o olhar.
"Mas agora descubro que minha esposa tem uma participação secreta na empresa e nunca me contou."
Eu senti meu coração apertar.
Porque eu entendia a dor dele.
Mas também entendia a minha.
Eu não tinha escondido uma traição.
Eu tinha escondido uma ferida.
Naquele momento, o telefone de Gabriel tocou.
Era o conselho da empresa.
Ele atendeu.
Poucos segundos depois, seu rosto ficou sério.
"O quê?"
Ele ouviu em silêncio.
Depois desligou.
"O que aconteceu?"
Ele demorou alguns segundos para responder.
"O conselho marcou uma reunião de emergência."
"Por causa das notícias?"
Ele assentiu.
Mas havia algo mais.
"Eles descobriram sobre suas ações."
Meu corpo ficou tenso.
"Como?"
Gabriel olhou para os documentos.
"Eles receberam uma cópia do registro antes de mim."
Eu entendi imediatamente.
Eduardo.
Ele estava sempre um passo à frente.
Naquela tarde, fomos novamente para a sede da empresa.
Mas dessa vez eu não entrei como esposa de Gabriel.
Eu entrei como alguém que fazia parte daquela história.
A reunião foi ainda mais tensa que a anterior.
Os membros do conselho olhavam para mim de uma maneira diferente.
Agora eles não viam apenas uma suspeita.
Eles viam uma acionista.
Mas isso não significava que confiavam em mim.
Um dos conselheiros falou:
"Precisamos entender por que essa informação ficou escondida durante tantos anos."
Eu respondi:
"Porque eu nunca quis usar essas ações para obter poder."
Ele continuou:
"Mas agora elas podem mudar o controle da empresa."
Gabriel ficou ao meu lado.
"Minha esposa não é uma ameaça para a empresa."
Mas antes que alguém respondesse, a porta da sala se abriu.
Todos olharam.
E naquele momento, senti o ambiente inteiro mudar.
Eduardo Ferraz Albuquerque entrou.
Ele estava elegante.
Calmo.
Como se nada tivesse acontecido.
Como se não tivesse tentado destruir nossa vida.
Como se ainda fosse o homem de confiança da família.
O silêncio foi absoluto.
Gabriel levantou.
"Você tem muita coragem de aparecer aqui."
Eduardo sorriu levemente.
"Eu nunca deixei de fazer parte dessa empresa."
"Você tentou me matar."
Algumas pessoas na sala ficaram chocadas.
Eduardo manteve a calma.
"Você realmente acredita nessa história?"
Ele olhou para os conselheiros.
"Eles estão deixando uma acusação sem provas destruir a imagem de um homem que dedicou vinte anos a essa empresa."
Eu senti raiva.
Ele estava fazendo exatamente o que sabia fazer.
Manipular pessoas.
Eduardo então colocou uma pasta sobre a mesa.
"Mas eu não vim falar do passado."
Ele abriu o documento.
"Vim falar do futuro."
Todos olharam.
Então ele revelou algo que ninguém esperava.
Por causa da ausência temporária de Gabriel.
Por causa da investigação.
E por causa da crise pública envolvendo Isabela.
O conselho havia convocado uma votação.
Eduardo olhou para todos.
E sorriu.
"Com a aprovação dos acionistas, eu assumirei temporariamente a direção da Vasconcelos Tecnologia."
Gabriel ficou imóvel.
"Você não vai conseguir."
Eduardo ajeitou o terno.
"Eu já consegui."
Ele olhou para mim.
Depois para Gabriel.
E disse:
"A partir de hoje, eu sou o novo CEO da Vasconcelos Tecnologia."
Naquele instante, eu entendi.
Eduardo nunca quis apenas matar Gabriel.
Ele queria tomar tudo.
E agora ele estava dentro da empresa que meu marido construiu.
Com o poder nas mãos.
E com um segredo que ainda ninguém tinha descoberto.
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