"Minha Noite de Núpcias Quase Virou Meu Fim" Parte 3
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Naquela manhã, pela primeira vez desde que conheci Isabela Monteiro Vasconcelos, eu senti que existia uma parte dela que eu nunca tinha conhecido.
E aquilo me assustava.
Não porque eu acreditasse que minha esposa tinha feito algo errado.
Mas porque, depois de tudo que aconteceu, eu precisava entender por que Eduardo Ferraz sabia tanto sobre ela.
A pergunta que não saía da minha cabeça era simples.
Por que Eduardo disse que finalmente tinha encontrado Isabela?
Ele não estava procurando uma oportunidade para destruir meu casamento.
Ele estava procurando ela.
E isso significava que aquela história tinha começado muito antes da nossa primeira conversa.
Passei a madrugada inteira no escritório da Mansão Vasconcelos, no Jardim Europa.
Sobre a mesa estavam documentos antigos da empresa.
Relatórios.
Contratos.
Fotografias.
Tudo relacionado ao passado da família.
Isabela entrou no escritório ainda usando o vestido simples que havia trocado depois da festa.
Ela parecia cansada.
Mas seus olhos mostravam que ela também tinha perguntas.
"Você não dormiu?"
Balancei a cabeça.
"Eu preciso entender quem está tentando destruir nossa vida."
Ela se aproximou.
"Gabriel, eu já contei tudo sobre meu passado."
Olhei para ela.
"E se você não souber de tudo?"
Aquelas palavras machucaram.
Eu percebi imediatamente.
O rosto dela mudou.
Não era raiva.
Era medo.
"Você está duvidando de mim?"
Eu me levantei.
"Não, Isabela. Eu estou tentando descobrir por que Eduardo sabia coisas sobre você que nem eu sabia."
Ela ficou em silêncio.
E aquele silêncio me incomodou mais do que qualquer resposta.
Naquele momento, eu percebi que talvez minha esposa também escondesse segredos.
Mas eu ainda não sabia se eram segredos contra mim.
Ou segredos que ela carregava para se proteger.
O delegado Rafael Martins continuou investigando Eduardo.
E quanto mais ele procurava, mais estranho tudo ficava.
Na tarde daquele mesmo dia, ele apareceu na mansão com uma nova informação.
"Senhor Gabriel, encontramos uma ligação entre Eduardo e uma empresa antiga."
Colocou alguns documentos sobre a mesa.
"Essa empresa desapareceu há vinte anos."
Peguei o documento.
O nome chamou minha atenção.
Monteiro Participações.
Meu coração acelerou.
Porque Monteiro era o sobrenome de Isabela.
"Isso tem relação com minha esposa?"
Rafael confirmou.
"Tem."
Isabela, que estava ao meu lado, ficou imóvel.
"Meu pai..."
Foi a primeira vez que ouvi sua voz mudar daquele jeito.
Ela parecia lembrar de algo que tentou esquecer.
"Seu pai era Augusto Monteiro?"
Ela assentiu.
"Sim."
Eu olhei novamente para os documentos.
Augusto Monteiro.
Um dos primeiros investidores da antiga Vasconcelos Tecnologia.
A informação parecia impossível.
Durante anos, eu ouvi histórias sobre os primeiros anos da empresa.
Meu pai falava sobre os homens que acreditaram no projeto.
Mas nunca mencionou que a família Monteiro fazia parte daquela história.
"Por que você nunca me contou?"
Isabela abaixou o olhar.
"Porque eu achei que não era importante."
Mas eu sabia que era.
Muito importante.
Rafael explicou:
"Há vinte anos, a Monteiro Participações entrou em uma crise financeira inesperada."
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Ele virou outra página.
"Poucos meses depois, todas as propriedades e ações da família foram vendidas."
Eu continuei lendo.
Mas havia algo estranho.
A venda não tinha sido comum.
Não foi uma negociação entre empresas.
Foi uma aquisição silenciosa.
Feita por uma empresa ligada ao grupo Albuquerque.
O nome apareceu no final do documento.
Eduardo Albuquerque.
Meu rosto ficou completamente sério.
Eduardo.
O mesmo homem que tentou matar Isabela.
O mesmo homem que passou vinte anos ao meu lado.
Ele tinha uma ligação com a família dela.
E ninguém tinha me contado.
"Não pode ser."
Minha voz saiu baixa.
Rafael me observou.
"Senhor Gabriel, acreditamos que o atentado contra o senhor pode não ter sido apenas uma tentativa de tomar a empresa."
Olhei para ele.
"O que quer dizer?"
Ele respondeu:
"Talvez Eduardo esteja tentando terminar algo que começou há vinte anos."
A sala ficou em silêncio.
Eu olhei para Isabela.
Ela parecia tão surpresa quanto eu.
Mas havia uma coisa diferente no olhar dela.
Dor.
Como se aquela descoberta tivesse aberto uma ferida antiga.
"Meu pai perdeu tudo naquela época."
Ela falou devagar.
"Eu era criança, mas lembro da nossa casa sendo vendida."
Ela respirou fundo.
"Lembro da minha mãe chorando escondida para eu não ver."
Meu coração apertou.
Eu nunca imaginei que a mulher que eu amava carregava uma história tão dolorosa.
"Por que você nunca me contou?"
Ela olhou para mim.
"Porque eu queria que você me conhecesse como Isabela."
Uma lágrima caiu pelo rosto dela.
"Não como a filha de uma família falida."
Aquela frase me atingiu.
Porque eu entendi algo naquele momento.
Isabela não escondeu o passado para me enganar.
Ela escondeu porque tinha medo de ser julgada.
Mas Eduardo sabia.
Ele sabia de tudo.
E talvez tivesse usado isso contra ela desde o começo.
Naquela noite, comecei a investigar sozinho.
Procurei todos os registros antigos da empresa.
Fotos dos primeiros anos.
Documentos de fundação.
Relatórios de investimentos.
E encontrei algo que mudou tudo.
Uma fotografia antiga.
Meu pai.
Augusto Vasconcelos.
Augusto Monteiro.
E um jovem Eduardo Albuquerque.
Os três estavam juntos.
Mas Eduardo não era apenas um funcionário.
Ele estava dentro da história desde o início.
No verso da fotografia havia uma anotação.
"Família, confiança e futuro."
Mas a data me deixou assustado.
Era exatamente uma semana antes da falência da família Monteiro.
Na manhã seguinte, procurei Isabela.
Eu precisava ouvir a verdade dela.
"Você sabia que Eduardo conhecia sua família?"
Ela ficou em silêncio.
Depois respondeu:
"Não."
Mas sua expressão mudou.
"Por quê?"
Mostrei a fotografia.
Quando ela viu Eduardo ao lado do pai, seu rosto perdeu a cor.
"Eu nunca vi essa imagem."
Eu acreditei nela.
Porque o choque era verdadeiro.
Então ela falou algo que eu nunca esperava ouvir.
"Gabriel, existe uma coisa sobre meu pai que eu nunca consegui entender."
"Ele sempre dizia que alguém dentro da empresa tinha traído nossa família."
Senti um arrepio.
"Ele falou algum nome?"
Ela balançou a cabeça.
"Não. Antes de morrer, ele só disse uma frase."
Esperei.
Ela respirou fundo.
"Ele disse que a pessoa que destruiu nossa família um dia voltaria para terminar o trabalho."
Naquele momento, tudo começou a fazer sentido.
Eduardo não estava apenas atrás da minha empresa.
Ele estava atrás de uma vingança.
Mas ainda faltava uma pergunta.
Por que esperar vinte anos?
Por que se aproximar de mim?
Por que se tornar meu melhor amigo antes de destruir minha vida?
Enquanto eu tentava encontrar respostas, Isabela recebeu uma correspondência.
Não tinha remetente.
Não tinha endereço.
Apenas seu nome escrito na frente.
Ela abriu lentamente.
Dentro havia uma única folha.
Sem assinatura.
Sem explicação.
Apenas uma frase.
Ela leu em silêncio.
Depois ficou completamente pálida.
"Gabriel..."
Peguei o papel da mão dela.
E senti meu corpo inteiro ficar gelado.
A mensagem dizia:
"Seu casamento com Gabriel Vasconcelos nunca foi uma coincidência."
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