"Minha Noite de Núpcias Quase Virou Meu Fim" Parte 2
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Na manhã seguinte ao nosso casamento, a Fazenda Santa Helena não parecia mais um lugar de celebração.
As flores que ainda decoravam os corredores agora pareciam parte de uma cena de investigação.
As mesas onde nossos convidados brindaram estavam cercadas por policiais.
Os mesmos jardins onde todos sorriram poucas horas antes estavam cheios de agentes procurando pistas.
Minha primeira noite como esposa de Gabriel Vasconcelos terminou com interrogatórios, câmeras de segurança analisadas e perguntas que eu jamais imaginei responder.
Mas a pergunta que mais doía não vinha da polícia.
Vinha de mim mesma.
Como alguém que esteve tão perto de nós conseguiu planejar algo tão cruel?
O delegado Rafael Martins chegou cedo à fazenda.
Ele era conhecido por investigar crimes financeiros envolvendo grandes empresários de São Paulo.
Depois de analisar a taça encontrada no corredor, os documentos falsificados e a câmera escondida na suíte, ele pediu para conversar conosco em particular.
Gabriel estava sentado ao meu lado.
Eu segurava sua mão.
Mas sentia que ele ainda estava tentando aceitar uma verdade impossível.
Eduardo Ferraz Albuquerque, o homem que ele chamava de irmão, era o principal suspeito.
O delegado colocou uma pasta sobre a mesa.
"Senhor Gabriel, encontramos uma substância na bebida abandonada. O composto poderia causar uma parada cardíaca, principalmente considerando seu histórico médico."
Gabriel ficou em silêncio.
Ele olhou para o chão.
Eu sabia o que estava passando pela cabeça dele.
Não era apenas medo.
Era uma dor profunda.
Porque acreditar que Eduardo tentou matá-lo significava aceitar que vinte anos de amizade poderiam ter sido uma mentira.
Rafael continuou.
"Também encontramos uma apólice de seguro de vida registrada em seu nome."
Ele abriu o documento.
"Isabela Monteiro Vasconcelos aparece como beneficiária principal."
Meu coração acelerou.
Eu já tinha visto aquele papel na noite anterior.
Mas ouvir aquilo de um investigador tornou tudo ainda mais assustador.
"Eu nunca assinei esse documento."
Minha voz saiu baixa.
O delegado observou minha reação.
"Sabemos que a assinatura é falsa. Mas alguém tentou fazer parecer que a senhora tinha interesse financeiro na morte do seu marido."
Gabriel olhou para mim.
Pela primeira vez desde que entramos naquela sala, vi algo diferente em seus olhos.
Não era desconfiança.
Era culpa.
Ele percebeu que todas as provas tinham sido construídas para destruir minha vida.
"Por que tudo aponta para ela?"
A pergunta de Gabriel fez todos ficarem em silêncio.
O delegado cruzou os braços.
"Essa é exatamente a pergunta que estamos tentando responder."
Ele abriu outra pasta.
"Quem fez isso não queria apenas matar o senhor. Queria criar uma história."
Uma história onde eu seria a esposa ambiciosa.
A mulher que se casou por dinheiro.
A mulher que matou o próprio marido na noite de núpcias.
Eu senti um arrepio.
Porque era exatamente a imagem que Eduardo queria construir.
Mas ainda existia uma pessoa que Gabriel não conseguia abandonar.
Eduardo.
Depois que o delegado saiu para conversar com a equipe, Gabriel permaneceu olhando pela janela.
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A vista da montanha estava coberta por uma neblina fria.
Ele parecia distante.
"Eu não consigo entender."
Eu me aproximei.
"Gabriel..."
Ele fechou os olhos.
"Eduardo estava comigo quando meu pai morreu."
Sua voz ficou emocionada.
"Ele foi a primeira pessoa que apareceu quando eu pensei em desistir da empresa."
Ele respirou fundo.
"Quando todos diziam que eu não conseguiria transformar uma pequena empresa em um grande grupo, ele estava ao meu lado."
Eu sabia que aquela era a parte mais difícil.
Não era apenas descobrir um inimigo.
Era descobrir que o inimigo tinha sido tratado como família.
"Às vezes as pessoas que conhecem nossas fraquezas são justamente as que sabem como nos destruir."
Gabriel ficou em silêncio.
Ele não respondeu.
Porque, no fundo, ele ainda queria acreditar que existia uma explicação.
Naquela tarde, os investigadores revisaram todos os registros da fazenda.
Foi quando encontraram algo estranho sobre a câmera escondida na suíte.
O delegado Rafael chamou nós dois novamente.
Mas dessa vez, seu rosto estava ainda mais sério.
"Encontramos a origem do dispositivo."
Gabriel se levantou.
"O que descobriram?"
Rafael colocou um tablet sobre a mesa.
"A câmera foi instalada antes da cerimônia."
Meu corpo ficou gelado.
"Antes do casamento?"
Ele confirmou.
"Sim."
Eu olhei para Gabriel.
Isso significava que Eduardo não entrou naquele quarto apenas para executar o plano.
Ele já estava observando nossa vida antes daquela noite.
"Ele estava nos vigiando."
Minha voz saiu quase como um sussurro.
O delegado negou lentamente.
"Existe algo mais."
Ele abriu um arquivo.
"Inicialmente pensamos que a câmera tinha sido instalada para acompanhar os movimentos do senhor Gabriel."
Gabriel ficou atento.
"Mas não era isso."
Rafael apertou o botão do vídeo.
A gravação começou.
A imagem mostrava a suíte exatamente como estava antes do casamento.
O quarto vazio.
As flores.
A cama preparada.
Depois de alguns segundos, a porta abriu.
Uma pessoa entrou.
Era Eduardo.
Mas a data da gravação fez meu coração parar.
Era um dia antes da cerimônia.
Eduardo entrou sozinho.
Olhou ao redor.
Como alguém procurando uma coisa específica.
Ele caminhou até a cama.
Depois abriu uma gaveta.
Mexeu em alguns documentos.
E então ficou parado diante do espelho.
A imagem não tinha áudio no início.
Mas depois os investigadores recuperaram uma parte da gravação.
A voz de Eduardo apareceu.
Fria.
Baixa.
Controlada.
"Finalmente encontrei ela."
Eu senti minhas mãos ficarem geladas.
Gabriel olhou para a tela sem piscar.
"Ela quem?"
Ninguém respondeu.
Porque todos nós sabíamos que aquela frase escondia algo muito maior.
Eduardo não estava apenas planejando matar Gabriel.
Ele estava procurando alguém.
Ou alguma coisa.
O delegado continuou mostrando imagens.
Durante vários minutos, Eduardo observou o quarto.
Depois pegou uma fotografia que estava dentro de uma pasta.
A câmera não conseguia mostrar completamente a imagem.
Mas era possível ver uma parte.
Era uma mulher.
Uma mulher que eu não conhecia.
Gabriel percebeu minha expressão.
"Isabela, você sabe quem é?"
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Eu balancei a cabeça.
"Não."
Mas naquele momento uma sensação estranha tomou conta de mim.
Porque Eduardo não parecia surpreso ao encontrar aquela foto.
Ele parecia estar esperando por ela.
Naquela noite, voltamos para a Mansão Vasconcelos, no Jardim Europa.
A imprensa já estava em frente aos portões.
Todos queriam saber o que tinha acontecido na nossa noite de casamento.
Mas ninguém conhecia a verdadeira história.
Ninguém sabia que dentro daquela família existia uma guerra escondida.
Clara Vasconcelos nos esperava na sala.
Ela estava nervosa.
"Gabriel, eu preciso contar uma coisa."
Ele olhou para ela.
"O quê?"
Ela segurava um envelope antigo.
"Eu encontrei isso no escritório do Eduardo antes da polícia chegar."
Gabriel pegou o envelope.
Dentro havia cópias de documentos antigos da empresa.
Documentos que tinham mais de vinte anos.
Ele começou a ler.
Seu rosto mudou.
"O que foi?"
Ele levantou os olhos lentamente.
"São documentos da época em que meu pai criou a Vasconcelos Tecnologia."
Clara se aproximou.
"E por que Eduardo tinha isso?"
Ninguém respondeu.
Porque a resposta parecia cada vez mais perigosa.
Eduardo não queria apenas o controle da empresa.
Ele tinha uma ligação com o passado da família Vasconcelos.
Uma ligação que ninguém conhecia.
Naquela madrugada, Gabriel ficou no escritório analisando todos os documentos.
Eu observei de longe.
Ele parecia dividido entre a dor da traição e a necessidade de descobrir a verdade.
Então seu celular tocou.
Era uma mensagem de um número desconhecido.
Ele abriu.
Seu rosto perdeu a cor.
"Gabriel?"
Ele virou a tela para mim.
Era uma foto.
Uma foto antiga.
Nela estavam dois jovens.
Um deles era Eduardo.
O outro era alguém que eu nunca tinha visto.
Mas Gabriel reconheceu imediatamente.
Ele sussurrou:
"Não pode ser..."
Eu me aproximei.
E naquele momento percebi que o plano de Eduardo nunca tinha começado naquela noite.
Aquela história era muito mais antiga.
E o homem que tentou destruir nosso casamento talvez estivesse procurando vingança por algo que aconteceu antes mesmo de eu conhecer Gabriel.
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