"Minha Noite de Núpcias Quase Virou Meu Fim" Parte 1
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A noite em que me casei com Gabriel Vasconcelos deveria ser a noite mais feliz da minha vida.
Durante meses, todos em São Paulo falaram sobre aquele casamento.
Revistas de luxo chamaram de "o casamento do ano".
Empresários, políticos e famílias tradicionais chegaram à Fazenda Santa Helena, em Campos do Jordão, para celebrar a união entre o herdeiro de um dos maiores impérios tecnológicos do Brasil e uma mulher que, para muitos, tinha vindo de um mundo completamente diferente.
A fazenda parecia saída de um conto de fadas.
Os jardins estavam iluminados por milhares de pequenas luzes douradas.
As fontes de pedra refletiam o brilho dos lustres.
Flores brancas cobriam cada corredor, enquanto uma música suave tocava durante a cerimônia.
Eu ainda conseguia sentir minhas mãos tremendo quando caminhei pelo corredor em direção a Gabriel.
Ele estava parado diante de todos usando um terno azul-marinho impecável.
Mas, naquele momento, eu não enxergava o homem bilionário.
Eu não via o dono da Vasconcelos Tecnologia S.A.
Eu via apenas o homem que segurou minha mão quando eu mais precisei.
O homem que prometeu que nunca deixaria o trabalho destruir nossa família.
Quando chegamos ao altar, Gabriel segurou meu rosto com cuidado.
Seus olhos estavam emocionados.
"Isabela, eu prometo que você nunca estará sozinha enquanto eu estiver ao seu lado."
Naquele instante, acreditei que nada poderia destruir aquilo que tínhamos construído.
Eu não sabia que, poucas horas depois, alguém dentro daquela mesma festa estaria planejando acabar com a nossa vida.
Gabriel era conhecido como um dos empresários mais brilhantes do país.
Aos 35 anos, ele havia transformado uma pequena empresa criada pelo pai em uma gigante de tecnologia com contratos milionários.
Mas o sucesso também trouxe inimigos.
Pessoas que sorriam diante dele enquanto esperavam o momento certo para tomar tudo o que ele tinha.
Eu conhecia alguns desses homens.
Mas existia um em especial que Gabriel considerava família.
Eduardo Ferraz Albuquerque.
O melhor amigo dele.
O homem que esteve ao lado de Gabriel desde os tempos da faculdade.
O homem que ajudou quando Gabriel abriu a primeira sala da empresa em um pequeno escritório alugado.
Naquela noite, Eduardo fez um discurso emocionado.
Todos levantaram as taças quando ele falou sobre amizade.
Sobre confiança.
Sobre como Gabriel era o irmão que a vida tinha dado a ele.
Eu sorri.
Eu acreditei.
Todos acreditaram.
Depois da meia-noite, quando os convidados começaram a deixar a fazenda, subi sozinha para a suíte onde passaríamos nossa primeira noite como marido e mulher.
Gabriel ainda estava no salão.
Ele precisava se despedir de alguns investidores e familiares.
A suíte era enorme.
Havia velas acesas perto da janela.
Flores espalhadas pela cama.
Uma garrafa de champanhe esperando por nós.
Eu tirei meus sapatos lentamente e olhei para aquele quarto.
Pela primeira vez naquela noite, fiquei sozinha.
E comecei a rir.
Eu lembrei de uma brincadeira antiga entre nós.
Gabriel sempre dizia que odiava surpresas porque nunca conseguia descobrir nada antes da hora.
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Durante nosso namoro, eu escondia presentes.
Ele procurava pela casa inteira.
Eu deixava pistas falsas.
Ele sempre errava.
Então pensei:
"Por que não fazer uma última brincadeira antes de começar nossa vida juntos?"
Eu queria vê-lo entrar no quarto, procurar por mim e ficar desesperado por alguns segundos.
Parecia uma ideia inocente.
Uma lembrança divertida para o nosso primeiro dia de casamento.
Eu nunca imaginei que aquele esconderijo salvaria minha vida.
Levantei o vestido com cuidado e me ajoelhei ao lado da cama.
O tecido branco era enorme.
Difícil de movimentar.
Meu cabelo prendeu em uma das flores próximas ao chão.
Eu quase desisti.
Mas continuei.
Depois de alguns segundos, consegui me esconder completamente debaixo da cama.
O chão de madeira estava frio.
A poeira grudava no meu vestido.
Eu segurava uma risada imaginando a reação de Gabriel.
Fiquei esperando.
Um minuto.
Dois minutos.
Cinco minutos.
Então ouvi passos no corredor.
Meu coração acelerou.
Eu coloquei a mão sobre a boca para não rir.
A maçaneta girou.
A porta abriu.
Mas algo estava errado.
Aquele não era o jeito de Gabriel caminhar.
Meu marido tinha passos tranquilos.
Aquela pessoa caminhava lentamente.
Como alguém que já sabia exatamente o que procurava.
Pela pequena abertura entre o lençol e o chão, vi um par de sapatos masculinos pretos.
Elegantes.
Brilhantes.
Com um detalhe prateado no calcanhar.
Meu corpo inteiro ficou imóvel.
Eu conhecia aqueles sapatos.
E conhecia aquela pessoa.
Era Eduardo Ferraz.
Meu sorriso desapareceu.
Por que o melhor amigo do meu marido estava entrando no nosso quarto?
Eduardo fechou a porta.
Depois girou a chave.
Naquele momento, uma sensação estranha tomou conta de mim.
A brincadeira tinha acabado.
Eu não estava mais esperando Gabriel.
Eu estava escondida de um homem que não deveria estar ali.
Eduardo caminhou até a cama.
Sentou-se.
O colchão se moveu acima da minha cabeça.
Eu senti meu coração bater tão forte que tive medo que ele pudesse ouvir.
Então ele tirou um telefone do bolso.
Não era o mesmo aparelho que usava durante a festa.
Era um celular pequeno.
Sem identificação.
Ele fez uma ligação.
A pessoa do outro lado atendeu rapidamente.
Eduardo ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois falou em uma voz que eu nunca tinha ouvido antes.
Uma voz fria.
Calculista.
Sem nenhuma emoção.
"Já estou dentro do quarto. Não tem ninguém aqui."
Meu corpo congelou.
Eu tentei convencer minha mente de que existia uma explicação.
Talvez fosse uma conversa de negócios.
Talvez eu estivesse entendendo errado.
Mas então Eduardo continuou.
"Sim. Tudo continua como planejado."
Ele ouviu a resposta da outra pessoa.
E depois disse a frase que destruiu minha realidade.
"Quando o dia amanhecer, Gabriel Vasconcelos estará morto."
O ar desapareceu dos meus pulmões.
Eu apertei minha mão contra a boca.
Não podia fazer nenhum som.
Não podia me mexer.
Meu marido.
O homem com quem eu tinha acabado de me casar.
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Estava prestes a ser assassinado.
Eduardo continuou falando como se estivesse discutindo uma reunião empresarial.
"A substância já está preparada. Vou colocar na bebida dele quando ele subir."
Minha pele ficou gelada.
"Com o problema cardíaco que ele tem, todos vão acreditar que foi uma complicação natural."
Eu senti lágrimas escorrerem pelo meu rosto.
Eduardo sabia da doença de Gabriel.
Sabia exatamente como matá-lo.
Mas aquilo não era a pior parte.
Então a outra pessoa perguntou algo pelo telefone.
Eu não consegui ouvir tudo.
Apenas duas palavras.
"E Isabela?"
Eduardo soltou uma risada baixa.
Uma risada que nunca esqueceria.
"A esposa será a culpada perfeita."
Meu coração parou por um segundo.
Ele continuou.
"Ela estará sozinha com ele na noite de núpcias. As provas vão aparecer. A polícia vai acreditar que ela matou o marido por dinheiro."
Eu senti minhas mãos tremerem.
Não queriam apenas matar Gabriel.
Queriam destruir minha vida também.
Queriam transformar meu amor em uma sentença.
Eduardo levantou-se.
Caminhou até a mesa onde estava o champanhe.
Ouvi o som de um pequeno recipiente sendo aberto.
"Depois que Gabriel morrer, o conselho vai precisar de alguém para controlar a empresa."
Ele fez uma pausa.
"E todos vão olhar para mim."
Naquele momento eu entendi.
Não era apenas um assassinato.
Era uma tomada de poder.
Eduardo queria o império de Gabriel.
Queria tudo que meu marido construiu.
Ele guardou o objeto.
Depois começou a andar pelo quarto.
Abriu gavetas.
Mexeu no armário.
Procurou alguma coisa.
Eu permaneci imóvel.
Uma parte do meu vestido estava para fora.
Se ele olhasse para baixo, tudo acabaria.
Os passos se aproximaram novamente.
Pararam exatamente ao lado da cama.
Eu conseguia ver seus sapatos.
A poucos centímetros do meu rosto.
O silêncio parecia infinito.
Eu pensei que ele tinha descoberto.
Então uma batida veio da porta.
"Eduardo?"
Era Clara Vasconcelos, irmã de Gabriel.
Eduardo se afastou imediatamente.
"Um momento."
Ele abriu a porta.
"Você está procurando Gabriel?"
"Sim. Achei que ele já tinha subido."
"Ele ainda está no salão."
"Então vou voltar."
A porta fechou novamente.
Esperei.
Dez segundos.
Vinte.
Trinta.
Somente quando tive certeza de que ele tinha saído, consegui respirar.
Saí debaixo da cama com dificuldade.
Meu vestido estava sujo.
Minhas pernas tremiam.
Peguei meu celular.
Eu precisava chamar alguém.
Mas quem acreditaria em mim?
Eduardo era o homem que todos admiravam.
O melhor amigo de Gabriel.
O homem que todos chamavam de irmão.
Mesmo assim, liguei para a polícia.
"Alguém está tentando matar meu marido."
Expliquei tudo.
O endereço.
A fazenda.
O nome de Eduardo.
Quando desliguei, mandei uma mensagem para Gabriel.
"Suba sozinho. Não beba nada. É urgente."
Poucos segundos depois, ele respondeu.
"Isabela, o que aconteceu?"
Eu escrevi:
"Não confie em Eduardo."
Meu coração quase parou quando ouvi passos no corredor.
Dessa vez eu reconheci.
Era Gabriel.
Abri a porta antes que ele batesse.
Ele sorriu por um instante.
Mas a expressão mudou quando viu meu rosto.
"Isabela, o que aconteceu?"
Eu fechei a porta.
Respirei fundo.
E falei a frase que mudaria nossa vida para sempre.
"Gabriel... seu melhor amigo acabou de planejar sua morte."
Ele ficou em silêncio.
"Eduardo?"
Eu assenti.
"Ele quer colocar uma substância na sua bebida. Depois vai me culpar pelo seu assassinato."
Gabriel deu alguns passos para trás.
Ele não queria acreditar.
"Isabela, Eduardo é como um irmão para mim."
Eu olhei para ele.
"Foi exatamente isso que ele usou para chegar perto de você."
Antes que ele pudesse responder, ouvimos uma voz do outro lado da porta.
Era Eduardo.
"Gabriel? Você está aí?"
O silêncio tomou conta do quarto.
Depois ele falou novamente.
"Trouxe uma bebida. Precisamos brindar como nos velhos tempos."
Gabriel olhou para a taça que Eduardo segurava do outro lado da porta.
Pela primeira vez naquela noite, ele sentiu medo.
Então as sirenes começaram a se aproximar da fazenda.
Eduardo percebeu.
Os passos dele se afastaram rapidamente.
Quando Gabriel abriu a porta, o corredor estava vazio.
Corremos até o salão.
Mas Eduardo já tinha desaparecido.
A polícia chegou segundos depois.
Encontraram uma taça abandonada.
Encontraram documentos falsificados.
Encontraram provas de que alguém estava preparando uma armadilha contra nós.
Mas Eduardo havia fugido.
Naquela madrugada, enquanto os investigadores revistavam a suíte, um policial encontrou algo escondido perto da cama.
Uma pequena câmera.
Instalada antes mesmo do casamento.
Gabriel olhou para aquele objeto sem conseguir falar.
Eduardo não tinha apenas planejado matar ele.
Ele estava observando nossa vida.
Quando tudo parecia finalmente começar a fazer sentido, meu celular vibrou.
Uma mensagem de um número desconhecido apareceu na tela.
Era de Eduardo.
Li apenas uma frase.
"Pergunte ao seu marido por que ele nunca contou que estava investigando o seu passado."
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