"O Preço da Rendição" Capítulo 6
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Capítulo 06: A Queda da Torre de Cristal
Os documentos confidenciais do cofre jaziam espalhados pelo carpete escuro do escritório, reluzindo como fragmentos de um espelho quebrado sob a luz pálida da lua.
Helena sentia o corpo trêmulo pressionado contra a estante de livros, enquanto o hálito quente de Lorenzo rosnava perigosamente perto de seu rosto.
"Por que você fez isso?", a voz de Helena saiu em um sussurro estrangulado, carregado de uma dor indescritível e de uma repulsa avassaladora. "Por que destruir a memória do meu pai?"
"O seu pai não era o santo que você imaginava, Helena", Lorenzo respondeu com a voz rouca, as íris âmbar faiscando com uma fúria sombria e descontrolada. "Ele construiu o império dele pisando em cima de contratos falsificados e destruindo parceiros comerciais sem derramar uma única lágrima de remorso."
"Isso não te dá o direito de jugar e destruir a minha família como se fosse Deus!", ela gritou, empurrando o peito dele com toda a força de seus braços.
"Eu não brinquei de ser Deus", Lorenzo rebateu segurando os pulsos dela com firmeza implacável, colando o corpo duro contra o dela no espaço reduzido. "Eu fui o arquiteto paciente que esperou cinco anos inteiros para ter você exatamente onde estou te segurando agora."
O silêncio que se seguiu àquela confissão foi mais cortante do que o gume de qualquer faca, congelando o ar nos pulmões de Helena de forma definitiva.
"Cinco anos?", ela balbuciou, sentindo o mundo ao seu redor girar vertiginosamente enquanto a ficha caía em toda a sua brutalidade calculista. "Você planejou tudo desde aquele maldito baile de caridade?"
"Desde o exato segundo em que você passou por mim usando aquele vestido esmeralda e olhou para todos nós com aquele seu sorriso altivo", Lorenzo confessou sem desviar o olhar. "Eu decidi que você seria minha, custasse o que custasse para rasgar essa sua soberba."
"Você comprou as dívidas... você manipulou os juros... você empurrou o meu pai para o derrame?", as lágrimas finalmente romperam a barreira dos olhos de Helena, descendo quentes por sua face.
"Eu apenas acelerei o inevitável", Lorenzo sibilou, com a voz falhando ligeiramente sob o peso de uma paixão doentia que começava a devorá-lo por dentro. "Se eu não fizesse aquilo, você continuaria intocável na sua torre de cristal, ignorando a existência de um homem como eu."
"Eu te odeio!", Helena gritou, desferindo um golpe cego com os punhos fechados contra os ombros largos dele. "Eu te odeio com todas as forças da minha alma!"
O grito abafado de Helena ecoou pelas paredes do escritório, transformando-se em soluços sufocados enquanto ela continuava a bater ineficazmente no peito do bilionário.
"Bata o quanto quiser, desconte toda a sua raiva em mim", Lorenzo murmurou, aceitando cada golpe sem recuar um único centímetro. "Mas não ouse fingir que você não sente o mesmo fogo quando meus braços estão ao seu redor."
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"O que sinto por você não é amor, Lorenzo, é uma doença da qual eu preciso me curar", ela sibilou entre dentes, sentindo o estômago revirar de repulsa.
"O nosso contrato previa submissão, Helena, não sentimentos", Lorenzo lembrou com um sorriso amargo nos lábios finos, afrouxando o aperto em seus pulsos.
Ao sentir os braços livres, Helena não hesitou nem por um segundo; ela abaixou-se rapidamente e recolheu do chão o contrato oficial assinado na primeira noite.
As mãos dela tremiam violentamente enquanto seguravam o papel que simbolizava a venda de sua liberdade e a ruína definitiva de sua dignidade.
"Acabou", Helena sussurrou com uma frieza cortante, rasgando o papel em duas, depois em quatro, e em dezenas de pedaços minúsculos.
"O que você pensa que está fazendo?", Lorenzo perguntou, dando um passo à frente com o cenho franzido, surpreendido pela velocidade daquela reação desesperada.
Helena atirou a chuva de papéis rasgados diretamente no rosto dele, vendo os fragmentos brancos caírem lentamente sobre os ombros do terno escuro.
"Acabou!", ela repetiu em voz alta, apontando o dedo trêmulo para o peito dele. "Prefiro a miséria absoluta, prefiro dormir na rua, prefiro a morte a passar mais um segundo com você."
Sem esperar por qualquer réplica, Helena virou as costas correndo, atravessando o escritório e disparando pelo corredor escuro da cobertura em direção à saída.
"Helena, volte aqui agora!", o rugido de Lorenzo ecoou pelas paredes vazias, misturando-se ao som estridente dos trovões que sacudiam a capital paulista.
Ela ignorou o chamado, girou a tranca da porta principal com dedos desesperados e abriu-a de par em par para escapar daquele cativeiro dourado.
O corredor do trigésimo andar estava vazio e gélido, mas ela não olhou para trás nem por um único segundo enquanto buscava as escadas de emergência.
Seus pés estavam completamente descalços contra o piso de cimento frio dos degraus, mas a dor física era irrelevante diante da devastação que consumia seu peito.
Ela desceu dezenas de andares correndo às cegas, tropeçando na barra da camisa de seda, com o rosto banhado por lágrimas de pura humilhação e revolta.
Quando finalmente empurrou a pesada porta de ferro do térreo, o temporal implacável de São Paulo desabou sobre sua cabeça como um banho de água glacial.
A chuva forte e fria chicoteava sua pele desnudada, misturando-se às suas lágrimas enquanto ela corria descalça pela calçada escura da avenida deserta.
De joelhos no meio do escritório no trigésimo andar, Lorenzo encarava os pedaços de papel espalhados pelo chão, sentindo o próprio império desmoronar ao seu redor.
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