"A Mulher De 78 Anos Do Meu Marido" PARTE 2
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Camila Almeida ficou olhando para a tela do celular durante vários minutos.
A mensagem continuava ali.
As poucas palavras de Helena Montenegro pareciam pesar mais do que qualquer acusação.
"Não conte nada para sua esposa até que os documentos estejam assinados."
Ela sentiu o peito apertar.
Documentos.
Que documentos poderiam existir entre seu marido e aquela mulher?
Durante vinte anos, Camila acreditou que conhecia Rafael.
Conhecia o jeito dele acordar mal-humorado.
Conhecia o silêncio dele quando estava preocupado.
Conhecia até o jeito que ele mexia nas mãos quando estava mentindo.
E agora ela estava diante da pior possibilidade.
O homem que dividia sua vida poderia estar construindo uma nova história longe dela.
Com outra mulher.
Camila tirou uma foto da mensagem.
Depois colocou o celular exatamente no mesmo lugar.
Ela não queria que Rafael soubesse.
Ainda não.
Naquele momento, ela precisava de respostas.
Mas, principalmente, precisava recuperar o controle.
Nos três dias seguintes, Camila viveu uma mentira dentro da própria casa.
Ela preparava o café da manhã.
Sorria quando Rafael entrava na cozinha.
Perguntava como tinha sido o dia.
Recebia os presentes caros que ele continuava trazendo.
Mas por dentro, ela estava desmoronando.
Cada abraço dele parecia falso.
Cada beijo parecia uma lembrança de algo que talvez já tivesse acabado.
Na sexta-feira, Rafael chegou em casa carregando uma caixa azul.
Camila estava sentada no sofá olhando antigas fotografias do casamento.
Fotos de quando eles eram jovens.
Quando ainda tinham planos simples.
Uma casa maior.
Uma viagem pelo Brasil.
Uma vida tranquila.
Rafael sentou ao lado dela.
"Eu vi isso e pensei em você."
Ele entregou a caixa.
Camila abriu.
Era um vestido elegante.
Exatamente o modelo que ela tinha admirado em uma loja no centro de Campinas.
Ela passou os dedos pelo tecido.
Era bonito.
Muito bonito.
Mas naquele momento, tudo que ela conseguia pensar era:
Como um homem conseguia ser tão cuidadoso com uma mulher enquanto escondia outra?
"Obrigada."
A voz dela saiu baixa.
Rafael percebeu algo estranho.
"Você está bem?"
Camila levantou os olhos.
Por um segundo, quase perguntou tudo.
Quase jogou o celular na mesa.
Quase gritou o nome de Helena.
Mas ela parou.
Porque precisava ver com os próprios olhos.
"Estou apenas cansada."
Rafael segurou a mão dela.
"Eu prometo que tudo isso vai valer a pena."
A frase ficou presa na cabeça de Camila.
Tudo isso.
O que exatamente era tudo isso?
Naquela noite, depois que Rafael dormiu, Camila levantou em silêncio.
Foi até o armário.
Pegou uma pequena mala.
Ela não colocou muitas coisas.
Apenas algumas roupas.
Documentos.
Algumas fotografias antigas.
Era como se uma parte dela já estivesse se preparando para ir embora.
Ela olhou para a aliança no dedo.
Aquela mesma aliança que Rafael colocou nela vinte anos antes.
Lembrou do dia do casamento.
Ele segurava sua mão e prometia ficar ao lado dela em todos os momentos.
Camila sentiu uma lágrima cair.
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"Como você conseguiu mentir para mim por tanto tempo?"
Ela sussurrou.
Na manhã seguinte, tomou uma decisão.
Ela não esperaria mais.
Não ligaria para Helena.
Não mandaria mensagens.
Não perguntaria a Rafael.
Ela iria até aquela mansão.
E descobriria a verdade diretamente da mulher que estava destruindo seu casamento.
Depois que Rafael saiu para a oficina, Camila pegou as chaves do carro.
O caminho até Morumbi pareceu muito mais longo dessa vez.
Cada semáforo.
Cada rua.
Cada minuto.
Tudo parecia uma preparação para o fim da sua vida como ela conhecia.
Quando chegou ao bairro dos milionários, ela sentiu novamente aquela sensação de estar entrando em um mundo onde não pertencia.
As mansões eram enormes.
Os carros eram luxuosos.
As pessoas caminhavam como se nada pudesse machucá-las.
Mas Camila estava machucada.
Muito.
Ela parou em frente ao portão da Mansão Montenegro.
Por alguns segundos, ficou dentro do carro.
Sua mão segurava o volante com força.
Uma parte dela queria ir embora.
Voltar para casa.
Fingir que nunca viu nada.
Mas outra parte precisava da verdade.
Ela saiu do carro.
O segurança reconheceu o endereço.
Depois de alguns minutos conversando, permitiu sua entrada.
Camila caminhou até a porta principal.
Cada passo parecia mais pesado.
Antes que ela pudesse tocar a campainha, a porta se abriu.
Era Helena Montenegro.
A mulher que ela tinha visto beijando seu marido.
Aos setenta e oito anos, Helena ainda tinha uma presença impressionante.
Ela vestia uma roupa simples, mas elegante.
Seus olhos eram firmes.
Como se ela já esperasse aquela visita.
As duas mulheres ficaram em silêncio.
Então Helena respirou fundo.
E disse:
"Então... Rafael finalmente deixou você descobrir."
Camila sentiu o corpo inteiro congelar.
Ela esperava negação.
Esperava desculpas.
Esperava uma tentativa de esconder tudo.
Mas não aquela frase.
"Você sabia que eu descobriria?"
Helena abaixou os olhos por um instante.
"Eu sabia que esse dia chegaria."
A raiva de Camila aumentou.
"Há quanto tempo você conhece meu marido?"
Helena não respondeu imediatamente.
Apenas abriu espaço para ela entrar.
"Entre. Essa conversa não deve acontecer na porta."
Camila hesitou.
Mas entrou.
A mansão era ainda mais impressionante por dentro.
Quadros antigos.
Móveis de madeira rara.
Fotos de uma família que parecia pertencer a outra época.
Mas ela não queria admirar nada.
Ela queria respostas.
"Cadê o Rafael?"
A pergunta mal saiu da boca dela.
Então uma voz respondeu atrás dela.
"Camila..."
Ela virou lentamente.
E seu coração parou.
Rafael estava parado no corredor.
O rosto dele perdeu a cor.
Ele não esperava vê-la ali.
"Você..."
A voz de Camila tremia.
"Você estava aqui esse tempo todo?"
Rafael tentou se aproximar.
Mas ela levantou a mão.
"Não chega perto."
O silêncio tomou conta da sala.
Helena observou os dois.
Depois caminhou até uma mesa.
"Camila, eu sei exatamente o que você pensa."
Camila riu sem humor.
"Você sabe?"
"Você acredita que eu roubei seu marido."
As lágrimas começaram a aparecer nos olhos de Camila.
"Eu vi vocês."
Helena ficou séria.
"Eu sei."
"Eu vi você beijando ele."
A mulher mais velha respirou fundo.
Então respondeu:
"Aquele beijo não era o que você imaginou."
Camila balançou a cabeça.
"Eu não sou uma criança."
"Eu sei que não é."
Helena abriu uma gaveta antiga.
Retirou uma pasta grande.
Colocou sobre a mesa.
Rafael ficou em silêncio.
Como se aquele momento tivesse finalmente chegado.
"Antes de você julgar Rafael, precisa ver isso."
Camila olhou para a pasta.
Na capa havia um nome.
Ela sentiu o coração bater mais rápido.
Helena abriu lentamente o documento.
"Durante seis meses, Rafael esteve trabalhando comigo em um projeto."
Camila olhou para o marido.
"Seis meses?"
Rafael baixou a cabeça.
"Eu queria contar."
"Mas não contou."
A dor na voz dela era maior que a raiva.
Helena virou a primeira página.
Camila se aproximou devagar.
Ela esperava encontrar contratos.
Dinheiro.
Alguma prova de traição.
Mas o que viu fez sua respiração parar.
Na primeira página estava escrito:
Fundação Montenegro.
E logo abaixo...
O nome de um projeto que ela jamais imaginou ver.
Centro Infantil Almeida.
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