"A Mulher Que Fingiu Ser Minha Esposa" Parte 2
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Durante os dias seguintes, Alexandre Almeida Vasconcelos percebeu que sua vida havia se transformado em uma prisão invisível.
A Mansão Vasconcelos continuava enorme.
Os carros de luxo continuavam entrando e saindo pelo portão principal.
Os funcionários continuavam trabalhando em silêncio.
Mas a sensação dentro daquela casa era completamente diferente.
Todos estavam observando.
Todos estavam esperando um erro.
Desde o desaparecimento de Valentina, Alexandre havia se tornado o principal assunto dos jornais brasileiros.
Todas as manhãs, enquanto tomava café, ele encontrava novas manchetes espalhadas pela internet.
"Empresário milionário continua sendo investigado pelo desaparecimento da esposa."
"Delegado Rafael Montenegro mantém investigação contra poderoso empresário de São Paulo."
"A esposa desaparecida do homem mais influente do setor logístico continua sem respostas."
Alexandre jogava o celular sobre a mesa com irritação.
Ele odiava perder o controle.
Durante toda a sua vida, ele sempre conseguiu prever os movimentos das pessoas ao seu redor.
Sabia quando um funcionário mentia.
Sabia quando um concorrente preparava um ataque.
Sabia como vencer uma negociação antes mesmo dela começar.
Mas agora era diferente.
Ele não conseguia encontrar Valentina.
Não conseguia entender por que ela havia desaparecido.
E não conseguia descobrir quem estava se beneficiando daquela situação.
No escritório da Almeida Vasconcelos Transportes, localizado na região da Faria Lima, a situação também começava a piorar.
Alguns investidores estavam preocupados.
Parceiros comerciais começaram a fazer perguntas.
O conselho da empresa queria respostas.
Naquela manhã, Alexandre entrou na sala de reunião e encontrou vários homens esperando por ele.
O diretor financeiro, Marcelo Ribeiro, foi o primeiro a falar.
"Senhor Alexandre, precisamos conversar sobre a imagem da empresa."
Alexandre tirou o relógio e colocou sobre a mesa.
"Minha vida pessoal não interfere nos negócios."
Marcelo respirou fundo.
"Normalmente não. Mas dessa vez a imprensa está dizendo que o presidente da empresa pode estar envolvido no desaparecimento da própria esposa."
O silêncio tomou conta da sala.
Alexandre olhou para todos.
Um olhar frio.
Um olhar que normalmente fazia qualquer pessoa desistir de continuar uma discussão.
"Vocês estão duvidando de mim?"
Ninguém respondeu.
E aquele silêncio foi a resposta que mais incomodou Alexandre.
Pela primeira vez, ele percebeu que a dúvida das pessoas estava começando a destruir tudo que ele havia construído.
Naquela tarde, depois de uma reunião cansativa, Alexandre decidiu sair sozinho.
Ele precisava pensar.
Precisava ficar longe daquela pressão.
Seu carro atravessava as ruas antigas do centro de São Paulo quando passou próximo ao Mercado Municipal.
O motorista percebeu que Alexandre estava distraído olhando pela janela.
"Senhor, quer que eu siga pela avenida principal?"
Mas Alexandre não respondeu.
Porque naquele momento seus olhos estavam presos em uma única pessoa.
Uma jovem sentada perto de uma parede antiga, ao lado de uma construção abandonada.
Ela parecia invisível para todas as pessoas que passavam.
Alguns caminhavam rapidamente.
Outros olhavam e desviavam.
Como se aquela mulher não existisse.
Ela usava um vestido simples, antigo e manchado.
As sandálias estavam gastas.
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Seu cabelo era enorme, completamente embaraçado, descendo quase até a cintura.
Mas havia algo nela.
Algo que fez Alexandre prender a respiração.
Quando a jovem levantou o rosto, ele sentiu um choque.
Durante alguns segundos, ele não conseguiu se mover.
Aquele rosto.
Aqueles olhos.
Aquela expressão.
Era como olhar para uma lembrança perdida.
Valentina.
Não era possível.
Alexandre sabia que aquela mulher não era sua esposa.
A diferença era clara.
Mas a semelhança era assustadora.
Principalmente nos olhos.
Os mesmos olhos que ele havia visto durante dez anos.
Os mesmos olhos que desapareceram naquela manhã.
"Pare o carro."
O motorista olhou assustado.
"Agora, senhor?"
"Eu disse para parar."
O veículo encostou.
Alexandre desceu lentamente.
Seus dois seguranças fizeram menção de acompanhá-lo, mas ele levantou a mão.
"Fiquem aqui."
Ele caminhou sozinho até a jovem.
Assim que percebeu um homem elegante se aproximando, Emma ficou alerta.
Ela apertou uma pequena bolsa velha contra o corpo.
"Eu não fiz nada."
Alexandre parou diante dela.
Ela parecia preparada para fugir a qualquer momento.
"Eu não disse que você fez."
Emma analisou aquele homem de terno caro.
Ela conhecia aquele tipo de pessoa.
Pessoas ricas que olhavam para quem vivia nas ruas como se fossem parte da paisagem.
Mas Alexandre não parecia estar olhando para ela com pena.
Ele parecia estar tentando descobrir quem ela era.
"Qual é o seu nome?"
A jovem demorou alguns segundos para responder.
"Emma."
"Emma o quê?"
Ela hesitou.
"Emma Rodrigues Ferreira."
Alexandre continuou olhando.
"Você tem família?"
A pergunta fez o rosto dela mudar.
Por um instante, a força que ela tentava demonstrar desapareceu.
"Não tenho ninguém."
"E mora aqui?"
Emma deu um sorriso amargo.
"Às vezes."
Alexandre percebeu algo naquele sorriso.
Ela não estava pedindo ajuda.
Não estava tentando ganhar sua simpatia.
Ela apenas aceitava a realidade.
E aquilo chamou sua atenção.
As pessoas ao redor dele sempre queriam alguma coisa.
Dinheiro.
Poder.
Favores.
Emma não parecia querer nada.
Ela apenas queria sobreviver.
"Você sabe quem eu sou?"
Emma olhou para o relógio caro dele.
Depois para o carro de luxo parado atrás.
"Um homem rico."
Alexandre quase sorriu.
Fazia muito tempo que alguém respondia daquela forma para ele.
"Eu sou Alexandre Almeida Vasconcelos."
O rosto de Emma mudou levemente.
Ela já tinha ouvido aquele nome.
Todos tinham.
"Você é o homem dos jornais."
Alexandre ficou sério.
"Sim."
"O homem cuja esposa desapareceu?"
A pergunta direta fez os seguranças olharem de longe.
Qualquer outra pessoa teria escolhido as palavras com cuidado.
Mas Emma não.
Ela simplesmente disse a verdade.
Alexandre percebeu isso.
E naquele momento, sua ideia ficou ainda mais forte.
Ele precisava de alguém que ninguém esperasse.
Alguém que pudesse convencer a cidade.
Alguém que pudesse acabar com a perseguição policial.
E aquela mulher diante dele era a resposta.
Claro, havia problemas.
O cabelo.
As roupas.
A forma de falar.
A vida inteira dela precisava ser transformada.
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Mas ele tinha dinheiro suficiente para isso.
Ele poderia criar uma nova Valentina.
Pelo menos por algum tempo.
Alexandre sabia que estava entrando em um caminho perigoso.
Mas a pressão estava destruindo seu império.
E ele precisava agir antes que fosse tarde demais.
"Emma, eu tenho uma proposta para você."
Ela cruzou os braços.
"Que tipo de proposta?"
"Uma proposta que pode mudar completamente sua vida."
Ela riu sem acreditar.
"Todo homem rico fala isso antes de pedir alguma coisa."
Alexandre ficou em silêncio.
Aquela resposta o surpreendeu.
Ela não tinha medo dele.
"Eu vou lhe dar um apartamento."
Emma ficou séria.
"Por quê?"
"Também vou lhe dar dinheiro suficiente para nunca mais precisar dormir na rua."
Ela continuou desconfiada.
"Em troca de quê?"
Alexandre respirou fundo.
Ele sabia que depois daquela frase nada mais seria igual.
"Você terá que mudar sua aparência."
Emma franziu a testa.
"Para quê?"
"Terá que aprender novos hábitos."
"Por quê?"
Alexandre olhou diretamente para ela.
E finalmente revelou seu plano.
"Porque eu preciso que você finja ser minha esposa."
O rosto de Emma ficou completamente sem expressão.
Por alguns segundos, ela achou que tinha ouvido errado.
Então começou a rir.
Uma risada curta, sem humor.
"Você está falando sério?"
Alexandre não respondeu.
E o silêncio dele confirmou tudo.
Emma se levantou lentamente.
Ela olhou para aquele homem poderoso como se ele tivesse perdido a razão.
"Você quer que uma desconhecida da rua finja ser a sua esposa desaparecida?"
Alexandre permaneceu imóvel.
"Sim."
Emma balançou a cabeça, incrédula.
"Você ficou louco."
Ela começou a se afastar.
Mas antes que desse mais alguns passos, Alexandre disse:
"Eu posso lhe dar uma nova vida."
Emma parou.
Aquelas palavras tocaram em uma parte dela que ela tentava esconder.
Porque, apesar de toda sua força, ela estava cansada.
Cansada de lutar sozinha.
Cansada de não ter um lugar para chamar de casa.
Ela olhou para Alexandre novamente.
Mas ainda não sabia que aquele homem estava prestes a colocá-la no centro do maior escândalo de São Paulo.
E que, ao aceitar aquela proposta impossível, ela descobriria que a esposa desaparecida de Alexandre escondia uma verdade muito mais perigosa do que todos imaginavam.
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