"Prazeres Perigosos" Capítulo 3
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Capítulo 3: A Tensão na Primeira Classe
O ronco abafado dos motores a jato da aeronave executiva cortava o silêncio da cabine privativa enquanto a rota traçava o caminho entre São Paulo e o Rio de Janeiro. A decolagem havia ocorrido pontualmente às nove da manhã, exatamente como Lorenzo determinara na noite anterior.
Sentada na poltrona de couro reclinável da primeira classe, Valentina mantinha os olhos fixos na tela do tablet corporativo. Ela fingia analisar relatórios de faturamento, embora sua mente estivesse totalmente ocupada pela presença imponente do homem sentado logo ao lado.
A poucos centímetros de distância, Lorenzo folheava documentos confidenciais com uma expressão fria e impenetrável. Ele vestia uma camisa social cinza-chumbo com as mangas dobradas até os cotovelos, revelando os braços fortes e veias marcadas pela tensão.
"Se você continuar encarando a tela desse jeito, vai acabar queimando o processador do tablet", comentou Lorenzo sem erguer os olhos das folhas.
"Estou apenas garantindo que os números da holding não precisem de uma nova intervenção minha, senhor Valente", retrucou Valentina com a voz polida.
O CEO soltou um riso abafado, um som irônico que vibrou no ar rarefeito da cabine pressurizada. Ele largou os papéis na mesinha de centro e virou o corpo inteiro na direção dela, estreitando os olhos âmbar.
"Você tem uma língua afiada demais para alguém que acabou de ser promovida a vice-presidente", alfinetou ele, medindo-a com um olhar predador. "Cuidado para não cortar a si mesma com tanta audácia."
"Prefiro o corte de uma lâmina à suavidade de uma mentira", rebateu ela, erguendo o queixo com altivez intocável.
A aeronave passou por uma camada de turbulência leve, fazendo o piso tremer sutilmente sob os tapetes felpudos. No banco do copiloto, na parte dianteira da aeronave, Rodrigo mantinha-se de costas, focado nos monitores de bordo e isolado pelo vidro acústico.
Rodrigo era a sombra silenciosa e o braço direito de Lorenzo, responsável por apagar incêndios e executar as ordens mais sujas nos bastidores da corporação. Mesmo sem olhar para trás, o segurança parecia sentir a voltagem elétrica que cortava o ar entre os dois patrões.
"Parece que o clima lá fora está tão instável quanto o nosso ambiente de trabalho", observou Lorenzo com um sorriso dissimulado.
"O clima só está instável porque o senhor insiste em criar tempestades onde existe apenas lógica financeira", devolveu Valentina sem pestanejar.
Sem aviso prévio, a aeronave balançou de forma mais brusca devido a um bolsão de ar inesperado. O corpo de Valentina inclinou-se para o lado, e o cinto de segurança afrouxou ligeiramente com o solavanco.
"Parece que há uma falha técnica no seu cinto", murmurou Lorenzo com um brilho perigoso no olhar.
Antes que ela pudesse reagir, o CEO desabotoou o próprio cinto e projetou o corpo maciço sobre o assento dela. Com movimentos rápidos e autoritários, ele travou as mãos nos apoios da poltrona, encurralando-a completamente.
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"O que o senhor pensa que está fazendo?", sibilou Valentina, sentindo o ar faltar nos pulmões. "Afaste-se imediatamente."
"Estou apenas garantindo a segurança da minha vice-presidente contra turbulências imprevistas", respondeu ele com ceticismo zombeteiro.
O espaço confinado da cabine particular transformou-se instantaneamente em uma armadilha claustrofóbica e sufocante. O perfume amadeirado de Lorenzo misturava-se ao aroma de conhaque caro e à eletricidade estática da atmosfera.
"Meu cinto está perfeitamente ajustado", protestou ela, tentando empurrar o peito dele com as mãos espalmadas.
"Não é o que parece", sussurrou Lorenzo, descendo o rosto perigosamente perto do pescoço dela. "Você está tremendo, Valentina. E garanto que não é por causa do voo."
"Eu não estou tremendo de medo, senhor Valente", retrucou ela, esforçando-se para manter a voz firme. "Estou apenas irritada com a sua falta de limites."
"Limites são apenas linhas imaginárias desenhadas por quem tem medo de cruzar o abismo", filosofou ele, com a voz rouca e baixa.
A proximidade física era tão intensa que Valentina podia sentir o calor radiante emanando da pele dele. Em um ato reflexo de pura provocação, ela deslizou a ponta do salto agulha pela lateral da calça social de Lorenzo.
O sapato subiu lentamente pela perna do magnata, fazendo uma leve pressão contra a coxa firme. Lorenzo paralisou por um segundo, e seus olhos escureceram de tal maneira que pareceram quase negros.
"Você gosta de brincar com fogo, não é?", rosnou ele contra a bochecha dela, com um tom que misturava aviso e rendição. "Sabe muito bem que vai acabar se queimando."
"Eu sou o próprio fogo", sussurrou Valentina, desafiando-o a dar o próximo passo.
A tensão sexual atingiu um nível quase insuportável, transformando o interior do jato em um campo de batalha de pura testosterona. Lorenzo abriu levemente os lábios, prestes a cobrir a boca dela com a sua, quando um som eletrônico cortou o silêncio.
O celular particular de Lorenzo, guardado no bolso interno do paletó, vibrou de forma insistente. O CEO praguejou baixíssimo, sem desviar os olhos dos lábios entreabertos da executiva.
"Não atenda", pediu Valentina num murmúrio quase inconsciente, enfeitiçada pelo momento.
"Neste mundo, ignorar chamadas pode custar a cabeça", respondeu ele com relutância visível.
Com um suspiro frustrado, Lorenzo afastou-se alguns centímetros e puxou o aparelho do bolso. Ele desbloqueou a tela com a digital, e a expressão de tédio corporativo transformou-se instantaneamente em uma máscara de gelo puro.
Na tela brilhante, uma mensagem encriptada exibia um aviso anônimo direto: "O rato na diretoria já mexeu nas contas do Rio. Cuidado com quem dorme na sua cama."
Os olhos âmbar de Lorenzo ergueram-se lentamente para encarar Valentina com uma desconfiança cortante. O clima de sedução evaporou-se no ar, substituído por uma paranoia fria e cortante.
"Parece que alguém está muito interessado nos nossos passos", disse ele com uma calma assustadora.
"Alguém com acesso aos códigos internos, com certeza", concordou Valentina, recuperando a compostura com rapidez impressionante.
"Exatamente", concluiu Lorenzo, guardando o aparelho no bolso com um movimento brusco. "E vamos descobrir quem é o traidor assim que pousarmos."
A aeronave começou a inclinar o bico para baixo, iniciando a descida oficial sobre a imensidão azul da Baía de Guanabara. O comandante anunciou pelo alto-falante que o jato pousaria em poucos minutos no Aeroporto Santos Dumont.
O rugido dos motores aumentou de intensidade à medida que o trem de pouso estendia-se com um estalido abafado. A cidade maravilhosa estendia-se lá embaixo sob um sol escaldante, contrastando com a escuridão claustrofóbica da cabine.
Antes que Valentina pudesse ajeitar a saia e recompor o cabelo, Lorenzo moveu-se com uma rapidez felina. Ele travou a mão grande firmemente em volta da cintura dela, puxando-a contra o seu corpo em um abraço brutal e possessivo.
O impacto tirou o fôlego da executiva, que arregalou os olhos diante daquela mudança repentina de comportamento. A força do aperto dele deixaria marcas roxas na pele fina através do tecido.
Com o rugido estridente dos motores ecoando na aterrissagem violenta na pista do Rio, Lorenzo colou os lábios em sua orelha. A voz dele saiu como um cascalho arrastado, carregada de uma ordem inegociável.
"Quando a porta abrir, você vai direto para a minha suíte", comandou ele, sem dar margem para qualquer recusa.
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