"Prazeres Perigosos" Capítulo 2
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Capítulo 2: O Duelo da Madrugada na Paulista
O relógio digital na parede da antevisão marcava exatamente três horas da manhã quando Valentina salvou o último arquivo e se levantou. A adrenalina do confronto anterior ainda corria pelas suas veias, mas ela não tinha tempo para digerir a intensidade daquele primeiro encontro.
Na tela do seu notebook particular, uma mensagem encriptada de Mateus piscava em verde discreto. "Consegui burlar o firewall secundário", dizia o texto enviado pelo seu velho amigo de faculdade e hacker de confiança.
"O sistema deles esconde uma rota de fuga de capital impressionante", acrescentava a mensagem seguinte de Mateus. "Fique de olho nas contas ligadas diretamente ao Tio Victor."
Valentina respirou fundo, puxando do bolso da calça o pequeno pen drive que guardava o início daquela vingança. Ela sabia que entrar na sala do CEO àquela hora da madrugada era um risco calculado e extremamente perigoso.
Assim que empurrou a porta de vidro da sala principal, viu Lorenzo sentado na ponta da imensa mesa de mogno. Ele já havia trocado a camisa manchada de vinho por uma blusa de gola alta preta que destacava ainda mais a linha cortante de seu maxilar.
"Pontual e imprudente", comentou Lorenzo sem erguer os olhos da planilha aberta em seu tablet. "Geralmente as pessoas demoram pelo menos uma semana para invadir meu santuário particular sem permissão."
"A fusão bilionária não pode esperar o amanhecer, senhor Valente", retrucou Valentina com a voz perfeitamente controlada. "E os números que o senhor aprovou ontem contêm uma falha estrutural gravíssima."
Lorenzo ergueu a cabeça lentamente, os olhos âmbar brilhando na penumbra com um interesse gélido. Ele se levantou com uma elegância felina, contornando a mesa de mogno até parar perigosamente perto dela.
"Uma falha estrutural?", repetiu ele, cruzando os braços largos sobre o peito. "Você está na empresa há menos de doze horas e já ousa questionar a minha auditoria financeira?"
"Os fatos não se importam com o tempo de casa, senhor Valente", disparou ela, abrindo seu próprio tablet bem diante dele. "Olhe atentamente para a linha de transações internacionais da holding no último trimestre."
O CEO inclinou o tronco para frente, aproximando-se tanto que Valentina pôde sentir o calor do corpo dele misturado ao aroma amadeirado de seu perfume. Ela manteve a espinha reta, recusando-se a dar um único passo para trás.
"Isso é apenas a reestruturação de ativos comuns do mercado latino-americano", argumentou ele, franzindo levemente a testa ao encarar os dados.
"Ativos comuns não costumam transitar por uma conta offshore anônima registrada em paraísos fiscais nas Ilhas Cayman", rebateu Valentina com um sorriso irônico. "A menos que o senhor chame desvio sistemático de fundos de uma prática comum."
Um silêncio tenso e cortante instalou-se instantaneamente no escritório. Lorenzo travou o maxilar, e a forma como ele a encarou mudou de um simples desdém executivo para um choque genuíno misturado a uma curiosidade perigosa.
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"Onde você conseguiu esses dados confidenciais?", perguntou ele com a voz reduzida a um sussurro grave e ameaçador. "Essas informações foram arquivadas há mais de cinco anos."
"Digamos apenas que os fantasmas do passado têm o péssimo hábito de voltar para cobrar as dívidas", respondeu ela com desassossego calculado.
"Você está brincando com fogo, Valentina", avisou o magnata, dando mais um passo para fechar o cerco. "Mexer com contas offshore na minha família é o caminho mais rápido para assinar sua própria sentença de morte."
"Sorte a minha que eu sempre gostei de climas quentes", retrucou a executiva sem piscar.
A proximidade entre eles atingiu um patamar insuportável de tensão e eletricidade. Lorenzo estendeu a mão direita, apoiando a palma espalmada contra o vidro da janela logo atrás da cabeça dela.
"Você acha que me acuou com essa descoberta", murmurou ele, fitando a boca dela com uma intensidade devoradora. "Mas não tem ideia de quem realmente controla os fios por trás desta mesa."
"Eu sei exatamente quem controla", sussurrou Valentina, sentindo o perfume dele invadir cada célula de seu corpo. "E também sei que alguém muito próximo ao senhor está sangrando esta empresa por dentro."
"Você fala do meu tio Victor", afirmou Lorenzo, não como uma pergunta, mas como a constatação de um fato inevitável. "Ele é um homem ambicioso, mas cavar a cova dele exige mais do que planilhas bonitas."
"Deixe os números comigo e o senhor verá como a sepultura será cavada bem depressa", desafiou ela, erguendo o queixo.
A ousadia dela arrancou de Lorenzo um riso curto e sem humor que vibrou contra o peito dela. O desprezo inicial que ele sentira horas antes havia evaporado completamente, substituído por uma obsessão febril e doentia.
"Você é uma criatura fascinante, Valentina", admitiu ele, com os olhos escurecidos pelo desejo e pela raiva contida. "Uma mulher que sorri para o perigo enquanto aponta uma arma para a minha cabeça."
"Prefiro armas do que palavras vazias, senhor Valente", respondeu ela, sentindo o coração disparar contra as costelas.
Ele ignorou a resposta dela e aproximou ainda mais o rosto, fazendo a respiração de ambos se fundirem no ar rarefeito. Os dedos longos de Lorenzo abandonaram o vidro e começaram a traçar um caminho lento pelo braço dela.
"Você não veio aqui apenas para me mostrar uma falha contábil", murmurou ele, sentindo a pulsação acelerada no pulso da executiva. "Veio testar até onde pode me provocar sem que eu perca o controle."
"E o senhor está perdendo?", perguntou ela com uma ponta de desafio na voz trêmula.
"Estou a um segundo de cruzar todas as linhas que prometi manter invioláveis", confessou ele num tom áspero e cru.
O combate intelectual que sustentava a discussão desmoronou sob o peso de uma atração carnal avassaladora. Valentina sentiu as pernas enfraquecerem diante daquela confissão sussurrada bem rente à sua pele.
"O senhor não faria isso", murmurou ela, tentando recuperar a fachada de gelo. "Não com alguém que veio para destruí-lo."
"Quem disse que eu quero ser salvo?", retrucou Lorenzo com um sorriso sombrio nos lábios.
Ele deslizou os dedos firmemente pelo pulso dela, apertando a pele com uma possessividade evidente. O cheiro de café e adrenalina parecia entorpecer qualquer resquício de racionalidade que restava na sala.
A mente de Valentina gritava para ela se afastar daquele abismo, mas seu corpo parecia travar em uma rendição silenciosa. A presença imponente de Lorenzo exercia sobre ela uma força gravitacional impossível de ignorar.
"Você tem coragem de apontar falhas na minha auditoria", sussurrou o CEO, com a boca roçando de leve a bochecha dela. "Quero ver se terá a mesma coragem para o que vem a seguir."
"Eu nunca recuei de um desafio na minha vida", garantiu ela, fechando os olhos por um breve instante para saborear o arrepio.
"Ótimo", aprovou ele, com um tom de voz que prometia noites sem fim de tormento mútuo. "Porque o nosso jogo está apenas começando."
Lorenzo inclinou-se de repente, sussurrando de forma ambígua junto ao ouvido dela, enquanto seus dedos longos deslizavam suavemente pelo pulso de Valentina.
"Amanhã às nove, vista-se adequadamente e me acompanhe ao Rio, minha vice-presidente", ordenou ele antes de afastar-se bruscamente.
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