"A Mulher Grávida Que Eles Jogaram da Escada" Parte 6
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Durante três dias, o nome Vasconcelos esteve em todos os jornais de São Paulo.
A tentativa de ataque contra Valentina Duarte Vasconcelos.
A prisão de Beatriz Helena Vasconcelos.
A disputa pelo controle do Grupo Vasconcelos.
Tudo parecia indicar que a maior batalha da família tinha acabado.
Mas ninguém sabia que aquela era apenas a primeira camada de uma guerra muito maior.
No escritório principal do Grupo Vasconcelos, Valentina analisava novamente os documentos financeiros encontrados por Dr. André Montenegro.
As transferências misteriosas.
As empresas desconhecidas.
Os milhões de reais retirados sem explicação.
Quanto mais ela estudava, mais percebia que aquilo não tinha começado recentemente.
Alguém vinha planejando tudo há muito tempo.
Vicente Carvalho entrou no escritório.
Ele percebeu imediatamente que ela estava preocupada.
"Você não dormiu."
Valentina levantou os olhos dos documentos.
"Eu não consigo."
Ela fechou a pasta.
"Cada vez que descubro uma coisa nova, parece que existe outra escondida atrás."
Vicente se aproximou.
"Leonardo sabia que algo estava errado."
Valentina ficou em silêncio.
Ela ainda pensava na carta que ele havia deixado.
Naquelas palavras escritas antes da morte.
Proteja minha esposa e meu filho.
Ele sabia que existia um perigo.
Mas não conseguiu contar tudo.
"Eu queria entender o que ele descobriu antes de morrer."
Disse Valentina.
"E quem tentou impedir que ele falasse."
Naquele momento, o telefone de Dr. André tocou.
O advogado atendeu.
Sua expressão mudou rapidamente.
"Sim, estou chegando."
Ele desligou.
Valentina percebeu.
"O que aconteceu?"
André pegou a pasta sobre a mesa.
"Precisamos ir até a delegacia."
Vicente ficou atento.
"Por quê?"
O advogado olhou para Valentina.
"A polícia encontrou novas informações sobre a morte de Leonardo."
O coração dela acelerou.
Durante meses, todos haviam dito que Leonardo morreu em um acidente.
Um acidente trágico.
Uma curva perigosa.
Uma fatalidade.
Mas naquele instante, Valentina sentiu que talvez aquela história nunca tivesse sido verdadeira.
Horas depois, na Delegacia de Polícia de São Paulo, Valentina encontrou Delegada Renata Figueiredo.
A policial estava diante de uma tela cheia de imagens.
Ela cumprimentou Valentina e pediu que todos entrassem.
"Obrigada por terem vindo."
Valentina sentou-se.
"Delegada, o que vocês descobriram?"
Renata respirou fundo.
"Reabrimos a investigação da morte de Leonardo Augusto Vasconcelos."
Aquela frase sozinha já mudou o ambiente.
Valentina apertou as mãos.
"Por quê?"
A delegada colocou algumas fotografias sobre a mesa.
"Porque encontramos inconsistências no laudo original."
Vicente olhou as imagens.
"O que significa isso?"
Renata apontou para uma das fotos.
"O veículo de Leonardo apresentou danos que não correspondem a um acidente comum."
Valentina ficou imóvel.
"Você está dizendo que..."
A delegada confirmou.
"Estamos dizendo que existe a possibilidade de o acidente ter sido provocado."
O silêncio tomou conta da sala.
Por meses, Valentina chorou acreditando que tinha perdido Leonardo por uma tragédia.
Agora descobria que talvez alguém tivesse tirado ele dela.
"Quem faria isso?"
Perguntou ela.
Renata respondeu:
"Essa é exatamente a pergunta que estamos tentando responder."
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Ela mostrou outro documento.
"Antes de morrer, Leonardo estava investigando movimentações financeiras dentro do Grupo Vasconcelos."
Valentina olhou para André.
Era a mesma coisa que eles haviam encontrado.
As transferências.
Os valores desaparecidos.
Tudo estava conectado.
"Então ele descobriu alguma coisa."
Disse Valentina.
Renata assentiu.
"E provavelmente por isso ele se tornou uma ameaça para alguém."
Enquanto isso, em outro ponto de São Paulo, um homem observava as notícias pela televisão.
Seu escritório ficava no topo de um prédio moderno na região da Faria Lima.
As paredes de vidro mostravam a cidade inteira.
Ele era conhecido no mercado financeiro como um dos maiores investidores do país.
Otávio Albuquerque.
Um homem elegante.
Inteligente.
Respeitado.
Para o mundo exterior, ele era apenas um empresário bem-sucedido que ajudava grandes empresas em momentos difíceis.
Mas ninguém conhecia seu verdadeiro objetivo.
Otávio assistia à reportagem sobre Valentina.
A imagem dela aparecia na televisão.
A mulher que sobreviveu.
A mulher que herdou o império.
Ele pegou uma taça de vinho e sorriu levemente.
Naquele momento, uma mulher entrou no escritório.
Era sua assistente.
"Senhor Otávio, os acionistas estão aguardando uma resposta sobre o Grupo Vasconcelos."
Ele desligou a televisão.
"Em breve eles terão a resposta."
A assistente entregou alguns documentos.
"Todos acreditam que a família Vasconcelos está fragilizada."
Otávio abriu a pasta.
"É exatamente por isso que esse é o momento perfeito."
Ela hesitou.
"Mas agora Valentina controla a empresa."
Otávio sorriu.
"Ela controla o papel."
Fechou a pasta.
"Mas ainda não entende o jogo."
A assistente permaneceu em silêncio.
Otávio caminhou até a janela.
"Leonardo cometeu um erro."
"Qual?"
Perguntou ela.
"Ele achou que poderia proteger tudo sozinho."
Ele observou os prédios ao redor.
"Mas ninguém enfrenta um império financeiro sem consequências."
Alguns dias antes, todos acreditavam que Beatriz era a grande responsável por tudo.
Mas Otávio sabia a verdade.
Beatriz nunca foi a mente principal.
Ela era apenas uma peça.
Uma peça fácil de manipular.
Ele se lembrava das conversas com ela.
Do medo que colocou dentro dela.
Da promessa de que protegeria o patrimônio dos Vasconcelos.
Mas a verdadeira intenção nunca foi proteger.
Era tomar.
Naquela noite, no escritório da delegacia, Renata continuava analisando os documentos de Leonardo.
Ela encontrou uma informação escondida.
Uma transferência antiga.
Antes mesmo da morte dele.
O destinatário chamou sua atenção.
Uma empresa chamada:
Albuquerque Investimentos.
Ela ficou em silêncio.
Depois olhou para Valentina.
"Você conhece esse nome?"
Valentina pegou o documento.
O rosto dela mudou.
"Otávio Albuquerque."
Dr. André ficou sério.
"Ele era parceiro de negócios de Leonardo."
Renata assentiu.
"Mas agora precisamos descobrir se ele era apenas um parceiro."
Aquela frase trouxe uma nova realidade.
O homem que todos consideravam um aliado talvez fosse o maior inimigo.
Na manhã seguinte, Otávio apareceu publicamente.
Ele chegou ao prédio do Grupo Vasconcelos cercado por jornalistas.
Todos queriam saber qual seria sua posição diante da crise.
Ele sorriu diante das câmeras.
"Eu sempre tive respeito pela família Vasconcelos."
Disse aos jornalistas.
"Meu objetivo sempre foi ajudar essa empresa a continuar forte."
As palavras pareciam perfeitas.
Gentis.
Honestas.
Mas dentro do prédio, Valentina assistia à entrevista.
E sentiu algo estranho.
Ela não sabia explicar.
Mas aquele homem transmitia a mesma sensação que Beatriz transmitia.
A sensação de alguém escondendo uma verdade.
Mais tarde, Otávio entrou na sala de reunião do Grupo Vasconcelos.
Ele cumprimentou todos com tranquilidade.
Quando ficou diante de Valentina, sorriu.
"Finalmente nos conhecemos."
Valentina manteve o olhar firme.
"Sim."
Otávio estendeu a mão.
"Espero que possamos trabalhar juntos."
Ela olhou para aquela mão por alguns segundos.
Então apertou.
Mas nenhum dos dois sorriu de verdade.
Porque ambos sabiam.
Aquela não era uma reunião de negócios.
Era o começo de uma guerra.
Naquela noite, sozinho em seu escritório, Otávio abriu uma gaveta.
Dentro dela havia uma fotografia antiga.
Leonardo.
Beatriz.
E documentos relacionados ao passado da família Vasconcelos.
Ele pegou uma nova fotografia.
Era Valentina.
A mulher que havia sobrevivido.
A mulher que agora possuía tudo aquilo que ele queria.
Otávio observou a imagem em silêncio.
Depois falou baixo:
"Ela deveria ter desaparecido junto com Leonardo."
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