"Ele Me Fez Ajoelhar… Mas Eu Era Dona do Império Dele" PARTE 6
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Depois da reunião com André, Mariana permaneceu alguns minutos sozinha dentro do escritório da Escalante Holdings. A cidade de São Paulo brilhava através das janelas de vidro, mas dentro dela existia uma mistura de sentimentos que ninguém conseguia perceber.
Ela havia conseguido provar a verdade.
Havia mostrado que nunca foi uma mulher fraca.
Mas ainda carregava uma pergunta que permaneceu durante quatro anos.
Por que ele nunca tentou enxergá-la?
Eduardo entrou na sala silenciosamente.
Ele percebeu que Mariana estava distante.
"Você está pensando nele."
Mariana não respondeu imediatamente.
Ela apenas observou os carros passando pelas avenidas abaixo.
"Eu estou pensando na mulher que eu era quando me casei."
Eduardo aproximou-se da mesa.
"E quem era essa mulher?"
Mariana respirou profundamente.
"Uma mulher que acreditava que amor era suficiente."
Durante alguns segundos, o escritório ficou em silêncio.
Então Eduardo sentou-se diante dela.
"Você nunca contou para André quem realmente era porque estava testando ele."
Mariana abaixou os olhos.
"Eu não queria testar o amor dele."
Ela fez uma pausa.
"Eu queria saber se existia amor verdadeiro."
A lembrança daquele período voltou como uma fotografia antiga.
Quatro anos antes.
Antes de toda a humilhação.
Antes da traição.
Antes do tapa.
Mariana conheceu André em um evento beneficente em São Paulo. Naquela época, ele ainda não era o grande empresário que aparecia nas revistas. Ele era apenas um homem ambicioso tentando construir seu espaço.
Diferente dos outros homens daquela sociedade, André não sabia quem era a família Escalante.
Mariana gostou disso.
Pela primeira vez, alguém conversava com ela sem saber seu sobrenome.
Eles passaram meses juntos.
André fazia promessas.
Dizia que admirava a simplicidade dela.
Dizia que nunca se importaria com dinheiro.
E Mariana acreditou.
Quando ele pediu casamento, ela decidiu esconder sua verdadeira origem.
Não porque queria enganá-lo.
Mas porque queria ter certeza.
Ela queria construir uma vida onde seu amor fosse escolhido todos os dias.
Ricardo Escalante, seu pai, não concordou inicialmente.
Ele conhecia o mundo dos negócios.
Sabia que muitas pessoas mudavam quando descobriam uma grande fortuna.
Mas Mariana insistiu.
"Eu preciso saber se ele ama Mariana ou se ama Escalante."
Ricardo olhou para a filha preocupado.
"E se você descobrir que ele não ama?"
Ela respondeu:
"Então pelo menos eu vou conhecer a verdade."
O casamento aconteceu em São Paulo.
Durante os primeiros meses, André parecia o homem que ela conheceu.
Mas aos poucos as mudanças começaram.
Primeiro vieram os comentários da família.
Depois as comparações.
Depois o desejo de André de provar que era poderoso.
Quando a Collins Global começou a crescer, ele começou a mudar.
As opiniões de Mariana, que antes eram importantes, passaram a ser ignoradas.
Ela tentou conversar.
Tentou mostrar que o sucesso não deveria mudar quem ele era.
Mas André estava cada vez mais apaixonado pela própria imagem.
Ele gostava de ser admirado.
Gostava de ser chamado de gênio.
Gostava que todos acreditassem que ele havia construído tudo sozinho.
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Mariana observou durante quatro anos.
Ela esperou.
Esperou que ele percebesse.
Esperou que ele perguntasse.
Esperou que ele olhasse para ela e dissesse:
"Eu sei que existe algo diferente em você."
Mas ele nunca perguntou.
Nunca quis saber.
Quando ela ajudava a empresa, ele chamava de sorte.
Quando ela resolvia problemas, ele chamava de apoio de esposa.
Quando ela apresentava soluções, ele dizia que eram apenas opiniões.
Até que naquela noite na mansão, tudo ficou claro.
O problema nunca foi André não saber quem ela era.
O problema era que ele nunca tentou conhecer nem a mulher que estava ao lado dele.
Mariana levantou-se.
"Eu passei quatro anos esperando uma prova de amor."
Eduardo olhou para ela.
"E recebeu uma prova de outra coisa."
Ela assentiu.
"Recebi a prova de que eu estava sozinha dentro do meu próprio casamento."
Enquanto isso, André estava em seu apartamento temporário olhando para documentos antigos.
Desde que perdeu o controle da empresa, ele começou a procurar respostas.
Ele encontrou contratos antigos.
Relatórios.
Mensagens.
Tudo mostrava algo que ele nunca quis admitir.
Mariana sempre esteve presente.
Sempre.
Ela não era uma mulher tentando fazer parte do mundo dele.
Ela era uma mulher que havia permitido que ele participasse do mundo dela.
Naquela noite, André recebeu uma ligação.
Era seu advogado pessoal.
"Senhor Collins, precisamos conversar sobre uma questão urgente."
André levantou-se.
"O que aconteceu agora?"
O advogado ficou em silêncio por alguns segundos.
"Recebemos uma notificação."
André sentiu o coração acelerar.
"De quem?"
A resposta veio imediatamente.
"Da senhora Mariana Escalante."
No dia seguinte, uma equipe jurídica chegou ao apartamento de André.
Ele acreditava que seria alguma negociação empresarial.
Mas quando abriu a porta, viu uma pasta oficial.
O advogado entregou os documentos.
"Senhor Collins, esses são os documentos de dissolução matrimonial."
Por alguns segundos, André não entendeu.
Ele abriu a pasta lentamente.
As palavras estavam diante dos seus olhos.
Divórcio.
Mariana queria encerrar oficialmente o casamento.
Ele sentiu o corpo perder força.
"Não."
O advogado permaneceu em silêncio.
"Não pode ser."
Ele continuou olhando os documentos.
Durante anos, ele acreditou que Mariana sempre estaria esperando por ele.
Mesmo depois das ofensas.
Mesmo depois da traição.
Mesmo depois do abandono.
Ele acreditava que ela o amava demais para ir embora.
Mas estava errado.
André pegou o telefone imediatamente.
Ligou para Mariana.
Ela atendeu depois de alguns segundos.
Ele ficou em silêncio.
Pela primeira vez, não sabia o que dizer.
"Mariana..."
A voz dele estava diferente.
Sem arrogância.
Sem autoridade.
Apenas medo.
"Você recebeu os documentos."
"Recebi."
Ele fechou os olhos.
"Você realmente vai fazer isso?"
Do outro lado, Mariana ficou em silêncio.
Depois respondeu:
"Eu já fiz."
André respirou profundamente.
"Eu posso consertar."
Ela olhou pela janela do escritório.
"Você não pode consertar quatro anos acreditando que eu era menos do que você."
Ele segurou o telefone com força.
"Eu amo você."
A frase saiu desesperada.
Mas Mariana não respondeu imediatamente.
Porque durante quatro anos ela esperou ouvir aquelas palavras.
Agora elas chegaram tarde demais.
"Você amava a mulher que achava que eu era."
André ficou em silêncio.
Ela continuou:
"Mas nunca tentou amar a mulher que eu realmente sou."
A ligação terminou.
André permaneceu parado.
Pela primeira vez, ele percebeu que perder uma empresa era doloroso.
Perder dinheiro era assustador.
Mas perder Mariana era diferente.
Porque aquela era a única coisa que ele nunca conseguiu substituir.
Enquanto isso, na Mansão Collins, Margaret recebeu a notícia do divórcio.
Ela segurava uma taça de vinho quando ouviu.
Seu rosto mudou imediatamente.
"Ela não pode fazer isso."
Brenda, que estava tentando reconstruir sua própria imagem, observou em silêncio.
Margaret apertou os dedos contra a taça.
Para ela, aquele não era apenas um divórcio.
Era uma ameaça.
Porque se Mariana estava disposta a abandonar André, significava que ela também estava disposta a abandonar qualquer ligação com aquela família.
E Margaret percebeu algo perigoso.
Uma mulher que não precisava mais ser aceita era uma mulher impossível de controlar.
Naquela noite, enquanto Mariana assinava os últimos documentos do divórcio, uma nova informação chegou até Eduardo.
Um antigo arquivo da família Collins havia sido encontrado.
Dentro dele existia uma prova escondida durante anos.
Uma prova que poderia mudar não apenas o futuro de André.
Mas revelar uma verdade sobre a própria origem do império Collins.
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