"Ela Mostrou Sua Verdadeira Face 2: A Vingança de Vitória" PARTE 2
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Depois daquela noite, Vitória Albuquerque Ferraz tomou uma decisão.
Ela não tentaria reconquistar Henrique de forma direta.
Sabia que seria inútil.
O homem que um dia implorou pelo seu amor agora olhava para Clara como se ela fosse a pessoa mais importante do mundo.
Então Vitória entendeu que precisava atacar onde Henrique era mais vulnerável.
Não nele.
Nela.
Clara Maria Mendes.
Durante semanas, Vitória começou a investigar cada detalhe da vida de Clara.
Ela contratou uma pessoa especializada em levantar informações sobre qualquer pessoa.
Não queria apenas saber onde Clara trabalhava ou onde morava.
Ela queria descobrir seus medos.
Suas inseguranças.
Tudo aquilo que poderia ser usado contra ela.
Em um escritório discreto na região da Avenida Faria Lima, Vitória recebeu um relatório completo.
Ela abriu a pasta lentamente.
As primeiras páginas mostravam informações simples.
Clara nasceu em uma família humilde.
Trabalhou desde jovem.
Passou anos cuidando de outras pessoas.
Nunca teve grandes luxos.
Nunca frequentou ambientes de alta sociedade.
Mas uma informação chamou a atenção de Vitória.
Clara sempre teve dificuldade em aceitar elogios.
Sempre acreditou que estava ocupando um lugar que não era dela.
A investigadora explicou:
"Existe uma característica muito forte nela."
Vitória levantou os olhos.
"Qual?"
"Ela tem medo de não pertencer. Clara acredita que pessoas como o senhor Henrique vivem em um mundo onde ela nunca deveria entrar."
Um sorriso apareceu lentamente no rosto de Vitória.
Finalmente havia encontrado uma porta de entrada.
Porque ela sabia exatamente como destruir alguém.
Não precisava atacar uma pessoa forte.
Precisava fazer uma pessoa insegura acreditar que todos estavam contra ela.
Vitória fechou a pasta.
"Então é isso."
A investigadora esperou.
"Ela não tem medo de perder dinheiro."
Vitória olhou para a foto de Clara.
"Ela tem medo de descobrir que nunca foi suficiente."
Naquela mesma tarde, Vitória começou seu plano.
Ela não queria criar uma mentira absurda.
Mentiras muito grandes eram fáceis de descobrir.
Ela precisava de algo mais inteligente.
Algo que parecesse verdade.
Primeiro, precisava mudar a imagem de Clara.
Durante meses, todos haviam visto Clara como a mulher simples que ficou ao lado de Henrique quando ele precisava.
Vitória queria transformar essa história.
Queria que as pessoas começassem a perguntar:
"Será que ela realmente fez tudo por amor?"
Na manhã de segunda-feira, Clara acompanhou Henrique até uma reunião em uma empresa de São Paulo.
Depois do compromisso, eles passaram por uma região conhecida pelas lojas de luxo.
Henrique percebeu que Clara estava olhando uma vitrine.
Era uma joalheria famosa nos Jardins.
Dentro do vidro havia um colar delicado.
Nada exagerado.
Apenas uma peça simples, com uma pequena pedra azul.
Henrique percebeu o olhar dela.
"Você gostou daquele colar?"
Clara desviou rapidamente.
"Não, senhor Henrique. Eu só achei bonito."
Ele sorriu.
"Você ainda faz isso."
Ela franziu a testa.
"O quê?"
"Finge que não quer nada."
Clara ficou em silêncio.
Henrique entrou na loja.
Ela tentou impedir.
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"Henrique, não precisa."
Mas ele respondeu:
"Não é sobre precisar. É sobre eu querer fazer algo por você."
Clara ficou desconfortável.
Ela ainda não estava acostumada com aquela realidade.
Para ela, receber algo caro sempre parecia errado.
Mesmo depois de tudo que viveu com Henrique, uma parte dela ainda se via como aquela mulher de uniforme que entrava pela porta dos fundos da mansão.
Ela experimentou o colar.
Henrique sorriu.
"Combina com você."
Clara tocou a joia.
"É bonito demais."
"Não é o colar."
Ela olhou para ele.
"É você que faz qualquer coisa ficar bonita."
Clara sorriu emocionada.
Mas nenhum dos dois percebeu que, do outro lado da rua, uma câmera registrava cada segundo.
Vitória havia planejado tudo.
Ela sabia que precisava apenas de uma imagem.
Uma imagem que pudesse ser interpretada da maneira certa.
Ou melhor.
Da maneira errada.
Naquela noite, em um apartamento luxuoso na Vila Nova Conceição, Vitória recebeu as fotos.
Ela analisou cada uma.
Clara sorrindo.
Henrique pagando.
O colar brilhando.
Para qualquer pessoa, aquela cena representava carinho.
Mas Vitória sabia como transformar carinho em suspeita.
Ela pegou o celular.
Mandou uma mensagem para um antigo contato da imprensa.
"Tenho uma história interessante para você."
Dois dias depois, a primeira publicação apareceu.
Não era uma acusação direta.
Era uma pergunta.
E perguntas causavam mais estragos do que acusações.
O título dizia:
"Bilionário compra joia de luxo para antiga funcionária. Amor ou interesse?"
A notícia se espalhou rapidamente.
Clara viu a publicação enquanto estava na cozinha da mansão.
Seu rosto mudou imediatamente.
Ela leu os comentários.
Algumas pessoas defendiam.
Mas outras eram cruéis.
"Ela sabia exatamente o que estava fazendo."
"Primeiro conquista o coração, depois conquista a fortuna."
"É sempre assim."
Clara sentiu um peso no peito.
Ela colocou o celular sobre a mesa.
Henrique percebeu.
"O que aconteceu?"
Ela tentou esconder.
"Nada."
Mas ele conhecia aquele olhar.
"Clara."
Ela entregou o celular.
Henrique leu a notícia.
Seu rosto ficou sério.
"Isso é ridículo."
Clara permaneceu em silêncio.
"Você sabe que isso não é verdade."
Ela respirou fundo.
"Eu sei."
Henrique se aproximou.
"Então por que parece que você está acreditando?"
Clara abaixou os olhos.
Porque aquela era exatamente a ferida que Vitória queria tocar.
O medo.
A insegurança.
A sensação de não pertencer.
"Henrique, talvez as pessoas estejam certas."
Ele ficou surpreso.
"Como assim?"
Clara olhou para a própria roupa simples.
Depois olhou para a sala enorme da mansão.
"Talvez eu nunca tenha pertencido a esse mundo."
Henrique segurou sua mão.
"Clara, olha para mim."
Ela levantou o olhar.
"Você acha que eu escolhi você porque alguém me obrigou?"
Ela ficou em silêncio.
"Eu escolhi você porque quando eu não tinha nada, você ficou."
As palavras tocaram Clara.
Mas a dúvida já havia sido plantada.
E Vitória sabia disso.
Naquela noite, Vitória comemorava sozinha.
Ela abriu uma taça de vinho.
Para ela, aquele era apenas o começo.
Ela não queria apenas criar uma notícia.
Queria destruir a confiança de Clara.
Queria fazer aquela mulher acreditar que nunca seria aceita.
No dia seguinte, Vitória encontrou Gustavo Ribeiro, seu antigo assessor de comunicação.
Eles se reuniram em um restaurante reservado nos Jardins.
Gustavo colocou o celular sobre a mesa.
"Foi mais rápido do que esperávamos."
Vitória sorriu.
"As pessoas acreditam no que querem acreditar."
Gustavo observou as novas mensagens.
"Mas cuidado. Henrique parece muito protetor com ela."
Vitória tomou um gole de vinho.
"É exatamente por isso que preciso atacar mais forte."
"Você acha que ele vai abandonar Clara?"
Ela olhou pela janela.
"Não."
Fez uma pausa.
"Mas eu não preciso que ele abandone."
Gustavo franziu a testa.
"Então o que você quer?"
Vitória sorriu.
"Quero que Clara abandone ele."
Enquanto isso, na Mansão Vasconcelos, Clara segurava novamente o celular.
Mais uma notícia havia acabado de aparecer.
Dessa vez, o título era ainda pior.
"A antiga empregada agora vive como milionária."
Ela sentiu os olhos encherem de lágrimas.
Porque pela primeira vez desde que entrou naquela casa…
Clara começou a se perguntar se talvez Vitória tivesse razão.
Talvez aquele mundo nunca tivesse sido feito para ela.
E sem perceber, ela acabava de dar a Vitória exatamente a reação que ela esperava.
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