"Meu Alfa, Meu Prisioneiro" Capítulo 3
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Capítulo 3:
A imagem de Helena desaparecendo nas sombras espessas da neblina da floresta ainda parecia queimar dolorosamente nas retinas de Dante, mas o verdadeiro e intransponível inferno começou exatamente quando ele cruzou os pesados portões do palácio central.
O silêncio opressivo daquela imensa e antiga construção de pedra já não demonstrava a sua imponente glória de outrora, mas sim um vazio gélido, sufocante e terrivelmente aterrador.
Assim que o Supremo Alfa sentou-se pesadamente no trono de obsidiana, uma dor lancinante, descomunal e avassaladora explodiu sem aviso prévio em seu peito, como se garras invisíveis, frias e impiedosas estivessem rasgando sua alma viva ao meio.
A maldição ancestral e inegociável do vínculo rompido cobrava finalmente o seu tributo implacável, desencadeando a temida, dolorosa e lendária síndrome da alma rasgada.
"Meu rei, vossa alteza está sangrando por dentro, o seu peito está cedendo", exclamou Kael, apressando-se em desespero em direção ao estrado com o rosto completamente tomado pelo mais puro pânico ao ver o temido líder se contorcer em agonia.
Dante tentou ergueu a mão trêmula para afastar o conselheiro de perto, mas um espasmo de pura agonia física o fez curvar-se violentamente para a frente, ofegante, sufocado e sem conseguir puxar o mínimo de ar para os seus pulmões em brasa.
O cheiro dela, aquele aroma sutil de jasmim e terra que ele fingira desprezar durante o ritual, evaporara completamente daquele ambiente, deixando apenas um cheiro rançoso de morte, cinzas e solidão.
"Sumam daqui imediatamente... deixem-me sozinho com a minha desgraça", rosnou Dante com a voz completamente irreconhecível, enquanto gotas grossas e pesadas de suor frio banhavam o seu rosto marcado pelas linhas profundas da dor.
A cada segundo implacável que passava arrastado, a temperatura do seu corpo oscilava de forma louca e descontrolada entre o fogo vivo de uma febre insuportável que derretia suas entranhas e o gelo mortal de uma tumba congelada no ártico.
O monstro dominante e possessivo dentro dele, o lobo implacável que sempre exigira controle absoluto sobre tudo, uivava agora em desespero absoluto e ensurdecedor por causa da ausência dolorosa da companheira banida.
Diante da gravidade extrema e visível daquela situação catastrófica, Kael ignorou completamente a ordem de recuo e ordenou aos gritos que chamassem imediatamente o médico mais experiente, antigo e respeitado de toda a alcateia.
Minutos depois, que pareceram séculos de pura tortura, o idoso Doutor Silas entrou no salão às pressas, tropeçando nas próprias vestes, carregando sua pesada maleta de poções com as mãos visivelmente trêmulas.
"Afastem-se todos os guerreiros, eu preciso examinar o pulso e os batimentos do Supremo imediatamente", ordenou o médico com urgência, ajoelhando-se trêmulo diante daquele que detinha o respeito e o temor de todos.
O Doutor Silas encostou os dedos trêmulos no pulso tracionado de Dante e, logo em seguida, abriu os olhos arregalados de puro terror diante do que os seus instrumentos místicos e científicos revelavam.
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O corpo do Alfa estava em um colapso sistêmico total e irreversível, destruindo suas próprias células em uma tentativa desesperada e fútil de encontrar o elo perdido na imensidão.
"Fale logo, seu velho maldito e imprestável, o que diabos está acontecendo comigo?", exigiu Dante em um grito estrangulado, cravando os dedos nas pedras preciosas do trono com tanta força que os braços maciços da poltrona estalaram.
"O senhor está sofrendo o reflexo absoluto, direto e sem filtros da quebra do Mate, meu senhor", balbuciou o Doutor Silas, engolindo em seco com a testa inteiramente banhada em suor frio e a respiração curta.
Dante sentiu o estômago revirar violentamente enquanto o médico continuava a relatar o diagnóstico aterrorizante e sem retorno que mudaria o destino daquele império para sempre.
"Se vossa alteza não encontrar a sua companheira legítima e restaurar o vínculo o mais rápido possível, a sua própria fera interior vai consumir toda a sua energia vital até a morte."
O silêncio tenso que se seguiu no salão principal foi absolutamente mortal, pesado como uma bigorna de chumbo prestes a despencar sobre as cabeças de todos os presentes.
A arrogância indestrutível que sustentava o reinado implacável de Dante desmoronou instantaneamente em mil pedaços diante da inevitabilidade daquela sentença cruel.
"Ela foi banida por minha própria e soberana vontade... e agora o meu próprio sangue quer me destruir por causa desse erro", murmurou Dante para si mesmo, sentindo o desespero congelar de vez o seu sangue.
O lobo em seu interior arranhava furiosamente as paredes de sua mente, exigindo a caçada, exigindo o retorno imediato e inegociável daquela a quem ele havia tratado com tanto desdém e soberba poucas horas antes.
A dor física uniu-se à fúria cega, transformando o palácio em um verdadeiro barril de pólvora prestes a detonar sem controle.
"Reúnam imediatamente todos os batedores, rastreadores e guerreiros de elite de toda a nossa alcateia", rugiu Dante, erguendo-se do trono com os olhos completamente tingidos de um vermelho escarlate pelo ódio e pelo medo.
O Doutor Silas e Kael recuaram instintivamente diante da fúria desmedida e animalesca que irradiava do corpo trêmulo do Alfa supremo daquela região.
Não havia mais espaço algum para o orgulho tolo ou para títulos de nobreza quando a própria existência e o trono estavam em jogo.
Dante ergueu o punho fechado com uma força brutal e desferiu um golpe devastador contra a estrutura dourada do braço do trono.
O impacto estilhaçou o metal precioso em dezenas de pedaços cortantes que voaram por todo o salão.
Em seus olhos vermelhos e desesperados, o medo tomou o lugar de toda a empáfia que ele ostentara no altar de sacrifício. Ele precisava encontrá-la antes que fosse tarde demais para os dois.
"Vasculhem cada centímetro daquela maldita floresta e tragam Helena de volta para mim viva, ou eu mesma destruirei este império inteiro", ordenou o tirano em um berro animalesco que ecoou pelas paredes.
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