"Pecado Absoluto: Herdeiros do Sangue" Capítulo 4
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Capítulo 4:
O livro-caixa secreto encadernado em couro envelhecido foi guardado com firmeza por Victoria enquanto a lancha clandestina navegava de volta às margens seguras da costa. Daquela vitória nas ondas escuras, a rota traçada pelo casal implacável os levou diretamente ao coração da podridão política do país, escondida sob a fachada de um luxuoso cassino subterrâneo na esplanada de Brasília.
O ar naquele salão restrito cheirava a charutos caros, perfume importado e o desespero silencioso de homens que vendiam o futuro da nação ao melhor licitante. Victoria entrou no recinto vestindo um longo vestido de seda preta que cortava o ambiente como uma lâmina fria, atraindo o olhar cobiçoso dos senadores e ministros reunidos ao redor da mesa de bacará.
"A nobre herdeira dos Medeiros finalmente dá as caras neste antro de apostas altas", comentou o senador corrupto Mendez, erguendo a taça de cristal com um sorriso dissimulado.
"Eu não vim aqui para jogar conversa fiada com fantoches, Mendez, vim para negociar o preço real das terras que vocês vêm roubando há décadas", retrucou Victoria, mantendo a voz firme e cortante.
Enzo mantinha-se nas sombras da arquitetura neoclássica do salão privado, vestindo um terno escuro perfeitamente alinhado e com os olhos fixos em cada movimento suspeito ao redor. O dedo de Enzo repousava distraidamente sobre o gatilho da arma oculta sob o tecido, pronto para neutralizar qualquer tentativa de traição antes mesmo que ela pudesse se concretizar.
"E o que a senhorita pretende apostar contra concessões de terras federais avaliadas em bilhões, se a sua holding acabou de virar cinzas?", zombou o ministro corrupto Alencar, cruzando os braços com desdém.
Victoria abriu um sorriso gélido e perigoso, empurrando uma ficha dourada simbólica para o centro do feltro verde da mesa de jogo. "Eu aposto a mim mesma, aos meus segredos e à minha liberdade para destruir cada um de vocês caso esta mesa decida me trair", declarou ela com absoluta soberba.
O silêncio caiu pesado sobre o recinto enquanto os políticos trocavam olhares gananciosos e tensos, atraídos pela ideia doentia de possuir o controle da herdeira. "Se você perder a mão, Victoria, passará o resto dos seus dias trancada em uma de nossas propriedades particulares", aceitou Mendez, caindo na armadilha com facilidade.
Nas sombras da penumbra, Enzo observava a audácia incalculável daquela mulher, sentindo uma mistura intensa de fúria possessiva e orgulho sádico queimar em suas veias. O jogo de cartas começou sob uma tensão palpável, onde cada segundo exigia passos frios, calculados e um nível máximo de cumplicidade tática entre os dois aliados.
Com blefes milimetricamente ensaiados e uma leitura psicológica implacável dos oponentes, Victoria começou a desconstruir a banca um a um, humilhando os poderosos sem piedade. Um dos assessores de Mendez tentou sutilmente trocar as cartas por baixo da mesa, movendo a mão em direção ao bolso do paletó onde escondia um pequeno dispositivo.
Antes que o traidor pudesse concluir o gesto, um silenciador disparou das sombras com precisão cirúrgica, estilhaçando a taça de cristal na mão do assessor e pregando a manga de sua camisa na parede. "Qualquer movimento falso nesta mesa será punido com sangue, senhores", avisou a voz gutural de Enzo, ecoando friamente pelo salão privado.
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Os políticos engoliram em seco, pálidos de pavor diante da demonstração brutal de poder que deixava claro quem realmente mandava naquele recinto subterrâneo. Victoria aproveitou a confusão momentânea para deslizar a mão discretamente sob o tampo de madeira da mesa, recebendo um pequeno pen drive criptografado diretamente dos dedos firmes de um informante leal.
"Parece que a sorte de vocês acabou, excelências, pois os termos da concessão agora pertencem inteiramente a mim", anunciou Victoria, virando a carta vencedora sobre o feltro.
O desespero tomou conta dos rostos corrompidos dos ministros enquanto percebiam que haviam sido completamente aniquilados em seu próprio jogo de cartas viciadas. "Guarde os documentos e venha comigo agora mesmo, o nosso trabalho aqui já foi longe demais", ordenou Enzo através do comunicador interno.
Victoria recolheu o pen drive criptografado com um movimento rápido e elegante, virando as costas para os homens derrotados sem lhes conceder mais um olhar de cortesia. Ao retornarem ao camarote particular isolado do cassino, com a porta pesada trancada e a sós no ambiente escuro, a fachada fria de Victoria foi abruptamente quebrada.
Enzo a prensou contra a mesa de jogo com uma força violenta e possessiva, fazendo o corpo dela chocar-se contra a madeira polida de forma avassaladora. "Você gosta de flertar perigosamente com a morte na frente de um bando de porcos corruptos, Victoria", rosnou ele, com as íris âmbar faiscando de fúria.
"Eu só queria testar até onde a sua mira era capaz de chegar quando eu estivesse na corda bamba, meu caro carrasco", provocou ela com um sorriso desafiador nos lábios.
Para punir o atrevimento insolente dela e reafirmar quem detinha o comando absoluto daquela relação doentia, Enzo pegou as fichas douradas espalhadas no bolso e as jogou sobre o corpo dela. Cada ficha tilintava pesadamente contra o tecido da roupa enquanto as mãos dele deslizavam com urgência pela pele dela em uma mistura tóxica de castigo e desejo.
"Você vai aprender de uma vez por todas que o único risco que vale a pena correr neste mundo é comigo", sussurrou ele, colando sua boca voraz à dela em um beijo que roubou o ar restante de seus pulmões.
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