"Pecado Absoluto: Herdeiros do Sangue" Capítulo 3
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Capítulo 3:
O eco ensurdecedor dos disparos da floresta amazônica ainda parecia ressoar com força violenta nas veias de Victoria quando a umidade sufocante da selva foi completamente substituída pelo cheiro acre de salitre, maresia e óleo queimado. A lancha rápida de alta potência cortava as ondas escuras, gélidas e revoltas da costa do Rio de Janeiro como uma lâmina de aço afiada, balançando de forma brutal e desgovernada sob o comando impiedoso de mercenários internacionais que haviam negociado a sua captura por uma fortuna.
Victoria estava trancada no porão escuro, fétido e claustrofóbico daquela embarcação clandestina, com os pulsos firmemente atados por uma fita plástica grossa e o olhar fixo na penumbra densa que a cercava. "Vocês não passam de cães descartáveis e miseráveis que vão ser caçados e eliminados como lixo antes mesmo de encostarem em terra firme", sibilou ela com um desprezo glacial para o vigia posturado na portinhola superior.
"Guarde a sua soberbia inútil e essa língua afiada para os tubarões famintos da baía, garota, porque o seu novo comprador está pagando uma fortuna absoluta pelo seu silêncio", debochou o criminoso, puxando a pesada tranca de ferro com força.
Antes que o homem pudesse fechar a escotilha superior por completo, o som ensurdecedor de motores possantes e envenenados cortou bruscamente o uivo constante do vento marinho. Uma lancha blindada pertencente à elite implacável de Enzo surgiu repentinamente das sombras das ondas, colidindo com uma força descomunal e terrivelmente calculada contra a lateral da embarcação dos traidores.
"O que diabos foi essa batida monstruosa?", gritou o mercenário em completo pânico, perdendo o equilíbrio de forma desajeitada com o impacto violento que fez a estrutura inteira da lancha tremer da proa à popa.
Enzo saltou da amurada com a agilidade assustadora e fria de um predador noturno, aterrissando no convés escorregadio com uma arma de cano curto em punho e o olhar cego por uma fúria incontrolável. "Ninguém ousa tocar no que me pertence por direito de sangue, muito menos tentar leiloar a minha coroa", rugiu ele, desferindo um tiro certeiro e letal no peito do vigia.
O confronto rápido e impiedoso no convés durou apenas poucos segundos, com os corpos dos traidores sendo tragados sem piedade pelas águas escuras do oceano sob a chuva implacável. Enzo desceu as escadas correndo em direção ao porão fétido e arrombou a porta de madeira carcomida com um chute brutal, encontrando Victoria no centro exato da penumbra.
"Você demorou quase dez minutos inteiros para vir me resgatar desta lata velha, Enzo", ironizou Victoria, erguendo o queixo com um desafio altivo e provocante.
Enzo cortou as algemas plásticas com um canivete tático afiado como uma navalha, puxando-a com tanta força desmedida para os seus braços que o ar sumiu instantaneamente dos pulmões dela. "Se você ousasse ser vendida para outra pessoa neste mundo, eu afundaria esta costa inteira só para te encontrar respirando no fundo do mar", sussurrou ele, colando sua boca feroz e possessiva à dela.
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No porão escuro, abafado e profundamente claustrofóbico do iate, com o balanço violento e constante das ondas castigando o casco de metal, os dois se devoravam com uma urgência febril quase como em um ato de autoflagelação mútua. Cada mordida desferida era uma cobrança dolorosa e sádica pela ousadia alheia de tentarem separá-los, misturando perfeitamente o gosto de sal, sangue fresco e um desejo incontrolável que desafiava a própria sanidade.
"Você é dono de mim tanto quanto eu sou dona da sua ruína eterna, Enzo", gemia ela entre os beijos intensos e selvagens que rasgavam o ar úmido da cabana.
"Que o mundo inteiro pegue fogo de uma vez por todas, desde que você continue gemendo o meu nome nas profundezas do inferno", retrucou ele, aprofundando o domínio total sobre seu corpo trêmulo.
A lancha continuava à deriva desgovernada nas águas negras da noite, balançando perigosamente ao ritmo daquela paixão doentia que desafiava todas as leis dos homens e dos deuses corrompidos. Com o pé calçado em bota pesada, Enzo empurrou uma caixa de metal enferrujada no canto mais escuro do porão, revelando um fundo falso engenhoso que escondia um pesado livro-caixa secreto encadernado em couro envelhecido.
"Parece que os nossos queridos traidores deixaram aqui um mapa detalhado e infalível de todas as contas offshore da facção", observou Victoria, analisando as páginas manchadas com um sorriso gélido nos lábios.
"Guarde esse livro muito bem perto de você, passarinho, pois ele será a nossa chave dourada para destruir o resto dos acionistas e queimar o conselho", ordenou Enzo, sem afrouxar o aperto possessivo em sua cintura.
Lá fora, a tormenta marítima desabava com força total sobre a imensidão do oceano, mas nenhum dos dois daria qualquer trégua até que a última gota de resistência estivesse completamente esgotada entre as sombras daquele porão.
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