"Pecado Absoluto: Herdeiros do Sangue" Capítulo 2
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Capítulo 2:
O som do helicóptero fantasma que cortava a copa das árvores da Amazônia parecia rasgar o ar com a mesma precisão cirúrgica de uma lâmina afiada. Enzo manteve o corpo rigidez total sobre o de Victoria, abrigando-a sob o seu peito largo enquanto a aeronave misteriosa circulava o posto de contrabando abandonado.
"Eles vieram mais rápido do que eu esperava para recolher os pedaços que restaram dos nossos inimigos", sussurrou Victoria contra a pele quente e ensanguentada dele.
"Ninguém vai recolher nada além de chumbo e cinzas se tentarem pousar nesta clareira", retrucou Enzo com a voz gutural carregada de uma promessa mortal.
A fúria que emanava de suas íris âmbar era tão intensa quanto o calor abafado daquela floresta castigada pela tempestade torrencial. Com um movimento rápido e calculado, ele pegou a arma semiautomática que repousava no chão lamacento ao lado da cadeira quebrada.
"Fique aqui escondida nas sombras enquanto eu recebo os nossos queridos visitantes", ordenou Enzo, tentando desvencilhar-se levemente do abraço dela.
"Nem pense em me deixar plantada aqui enquanto a diversão principal está prestes a começar fora da cabana", sibilou Victoria com os olhos brilhando em desafio absoluto.
Ela firmou os dedos trêmulos no coldre tático que ele trazia preso à coxa e sacou a pistola de precisão com uma destreza invejável. "Nós caçamos juntos ou não caçamos absolutamente nada, meu caro carrasco", acrescentou ela, ajeitando a postura apesar da febre que ainda ameaçava queimar suas veias.
Enzo soltou um riso sombrio e aprovador diante da teimosia indomável daquela mulher que desafiava a própria morte sem pestanejar. "Você é verdadeiramente a imperatriz do meu inferno particular, Victoria", murmurou ele, capturando os lábios dela em um beijo breve, feroz e cortante.
Lá fora, o farol potente do helicóptero varreu as frestas da janela estilhaçada, banhando o interior da cabana em uma claridade branca e agressiva. Mateus, abrigado em sua caminhonete blindada a poucos metros dali, acionou o rádio comunicador com as mãos suadas de pânico.
"Chefe, os reforços mercenários da facção rival acabaram de aterrissar na clareira norte", avisou Mateus em tom urgente através da estática.
"Deixe que aterreçam, Mateus, pois eu preparei uma recepção de boas-vindas inesquecível para cada um deles", respondeu Enzo friamente pelo canal seguro.
As portas corrediças da aeronave pesada abriram-se com um baque seco, revelando silhuetas armadas até os dentes descendo pela corda de rapel. Victoria e Enzo moveram-se em perfeita sincronia felina, posicionando-se estrategicamente nas duas extremidades opostas da janela quebrada.
"No três, nós abrimos fogo e transformamos essa escória em adubo para esta selva maldita", sussurrou Enzo contando os segundos mentalmente.
"Um, dois, três", murmuraram ambos em uníssono, pressionando os gatilhos no exato mesmo instante em que o primeiro invasor tocou o solo lamacento.
O estampido duplo das armas ecoou pela floresta como um trovão artificial, estilhaçando o silêncio da mata e colhendo o mercenário em pleno ar.
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O caos instalou-se instantaneamente na clareira, com os inimigos correndo em desespero total para encontrar algum tipo de cobertura inútil.
"Eles não sabem nem de onde veio o tiro que vai perfurar seus crânios", debochou Victoria, disparando com precisão cirúrgica contra o segundo alvo.
"Essa é a beleza de brincar com profissionais do nosso nível, passarinho", retrucou Enzo, neutralizando outro atirador com um tiro certeiro no peito.
A troca de tiros intensificou-se rapidamente, enchendo o ar úmido da Amazônia com o cheiro acre de pólvora queimada e gritos de dor abafados.
Um dos mercenários conseguiu disparar uma rajada de fuzil na direção da janela, estilhaçando o restante do vidro que ainda protegia a cabana.
"Cuidado!", gritou Enzo, jogando o corpo de Victoria para o chão de terra batida para protegê-la dos estilhaços cortantes.
Os cacos de vidro voaram por toda parte, rasgando levemente a manga da camisa de Enzo e deixando um rastro fino de sangue fresco.
"Você está sangrando por minha causa de novo", observou Victoria com um brilho perigoso e possessivo no olhar.
"Isso aqui não passa de um arranhão superficial comparado ao que eu vou fazer com quem ousou atirar em você", rosnou ele, levantando-se de um salto.
Enzo esvaziou o pente da arma com uma fúria cega, eliminando os últimos dois inimigos que tentavam se aproximar da porta principal da cabana.
O silêncio voltou a reinar na clareira, quebrado apenas pelo som do motor do helicóptero vazio cujos pilotos haviam fugido aterrorizados.
"Parece que a recepção acabou mais cedo do que os nossos convidados planejaram", comentou Victoria, guardando a pistola com extrema compostura.
Enzo caminhou até ela por entre as poças de lama e sangue, estendendo a mão firme para ajudá-la a se levantar do chão.
"Eles acharam que podiam invadir o nosso território sem pagar o preço com a própria vida", afirmou ele, puxando-a firmemente para o seu peito.
Mateus aproximou-se cautelosamente da cabana destruída, parando na soleira arrombada com uma expressão de absoluto respeito e temor.
"A limpeza da área está garantida, chefe, e os destroços já estão sendo ocultados pela nossa equipe", informou o consultor jurídico.
"Excelente trabalho, Mateus, agora providencie o transporte imediato para a nossa partida rumo a São Paulo", ordenou Enzo sem soltar Victoria de seus braços.
Victoria encostou a cabeça no ombro largo dele, sentindo a adrenalina da batalha começar a dissipar-se lentamente em seu corpo febril.
"São Paulo nos espera para o ato final desta guerra, Enzo, e eu mal posso esperar para ver a cara deles", sussurrou ela.
"Eles vão se ajoelhar diante de nós ou virar pó, não existe outra alternativa para o nosso império", concluiu Enzo, conduzindo-a para fora da cabana rumo à escuridão da noite.
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