"Obsessão de Sangue" Capítulo 7
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Capítulo 7:
A noite paulistana escondia em suas entranhas subterrâneas um mundo de vício, sangue e cédulas de dinheiro lavadas à luz de neon vermelho. Ignorando todos os avisos e a fúria latente de Lorenzo, Valentina utilizou as pistas deixadas por seu irmão para infiltrar-se no cassino clandestino situado nas profundezas da zona leste.
O ar denso de fumaça de charuto e o tinir incessante das fichas metálicas criavam uma sinfonia sufocante ao redor das mesas de pôquer clandestinas.
O seu objetivo era claro: negociar diretamente a dívida impagável de Lucas com os agiotas locais antes que o pior acontecesse.
No entanto, o que ela não sabia era que toda aquela operação não passava de uma armadilha meticulosamente tecida nas sombras. Assim que pisou no salão principal, as portas de ferro pesadas trancaram-se com um estalo metálico e seco.
"Ora, ora, vejam que gracinha de borboleta decidiu voar direto para a teia da aranha", ecoou uma voz áspera e carregada de sotaque estrangeiro através do sistema de som.
Das sombras da galeria superior, emergiu Vladimir Petrov, o temido chefão da máfia do Leste Europeu aliado a Isabela Santos.
O brutamontes ostentava um sorriso sádico enquanto gesticulava para que seus capangas cercassem Valentina por todos os lados. A jovem recuou os passos até chocar as costas contra uma mesa de roleta vazia, sentindo o cerco se fechar perigosamente.
"Onde está o meu irmão, Vladimir?", exigiu Valentina com a voz trêmula, mas forçando uma bravura que seus olhos cor de âmbar contradiziam.
"O seu irmão está muito bem guardado, querida, mas agora o nosso assunto principal é você e a forma como vai pagar os juros dessa conta", zombou Petrov, avançando com passos lentos e um olhar predador.
Os capangas deram mais um passo à frente, erguendo armas de fogo com silenciadores acoplados sob os olhares aterrorizados dos apostadores ilegais.
Valentina cerrou os punhos com tanta força que as unhas cravaram na carne, percebendo que havia subestimado a periculosidade daquela gente.
"Se você encostar um dedo nela, eu garanto que nem os pedaços do seu corpo vão sobrar para a polícia recolher", a voz gélida e trovejante de Lorenzo cortou o salão como uma bomba atômica.
As portas de madeira maciça do cassino explodiram em estilhaços de carvalho sob a força de uma batida violenta e implacável.
Liderados por Mateo, uma dezena de mercenários de elite fortemente armados invadiu o local com rifles de assalto apontados diretamente para os capangas de Petrov.
No centro da formação tática, a figura imponente de Lorenzo avançava com passos firmes e uma fúria assassina nos olhos azuis glaciais. Ele vestia um terno escuro impecável, cujas abas balançavam enquanto ele empunhava uma pistola semiautomática com precisão letal.
"Senhor Von Sternberg, que surpresa desagradável ver o magnata salvando a gatinha", ironizou Petrov, puxando Valentina bruscamente para si e encostando o cano de uma arma na cabeça dela.
"Solte-a imediatamente, Vladimir, ou eu acabo com a sua raça neste exato segundo", rosnou Lorenzo, destravando a arma com um clique metálico que ecoou como um trovão.
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"Faça um movimento e eu espalho os miolos da sua preciosa prisioneira pelo carpete", ameaçou o chefão russo, suando frio diante da pressão aterrorizante do magnata.
Os olhos de Lorenzo encontraram os de Valentina por um brevíssimo segundo, capturando o pânico e o arrependimento refletidos naqueles globos âmbar. O coração do poderoso investidor deu um salto doloroso no peito, percebendo o quão perto esteve de perdê-la para sempre.
"Você escolheu o dia errado para nascer, Petrov", sussurrou Lorenzo com uma calma mortal que aterrorizou até mesmo os criminosos mais cascudos.
Com a velocidade de um raio, Lorenzo disparou um tiro cirúrgico que atingiu a mão armada de Vladimir, fazendo a pistola do russo cair estilhaçada no chão. No mesmo instante, Mateo e os seguranças abriram fogo de cobertura, neutralizando os capangas restantes em uma fração de segundos.
Valentina aproveitou a brecha e desvencilhou-se do russo ferido, correndo desesperadamente na direção do homem que acabara de invadir o inferno para salvá-la.
Antes que ela pudesse dar mais dois passos, Lorenzo cobriu a distância restante e a puxou violentamente para o seu peito.
O tiroteio silenciou-se no salão, dando lugar apenas ao som dos gemidos dos criminosos caídos e à respiração ofegante do casal. Lorenzo a apertava com tanta força que parecia querer fundir o corpo dela ao seu próprio para garantir que ela era real.
"Saiam todos daqui e limpem essa imundície", ordenou Mateo aos subordinados, escoltando os reféns para fora do prédio.
Vladimir Petrov tentou se arrastar para pegar sua arma caída, mas o bico do sapato de grife de Lorenzo pisou impiedosamente sobre a mão do criminoso. Um grito de dor agudo ecoou pelo cassino vazio enquanto o magnata o encarava com desdém absoluto.
"Diga à sua amiguinha Isabela que o jogo dela acabou e que o próximo alvo serei eu", sibilou Lorenzo antes de desferir um chute certeiro que apagou o russo de vez.
Sem olhar para trás, Lorenzo ergueu Valentina nos braços contra a vontade dela e caminhou resoluto em direção à saída dos fundos. O vento gélido da madrugada batia na pista onde a aeronave executiva aguardava com as turbinas girando em alta rotação.
Assim que embarcaram e a porta hermética da cabine isolou o mundo exterior, a fachada de controle de Lorenzo ruiu por completo. Ele a empurrou delicadamente, mas com firmeza, contra estofados de couro da poltrona, prendendo-a com o peso de seu corpo.
Os olhos azuis glaciais de Lorenzo transbordavam de uma mistura insana de alívio, fúria incontida e pavor puro. Suas mãos grandes tremiam levemente enquanto seguravam o rosto pálido da jovem entre os dedos.
"Quem foi o maldito imbecil que te deu permissão para brincar de heroína e se enfiar em um buraco como este, Valentina?", rugiu o magnata com a voz estrangulada e rouca.
"Eu precisava encontrar o meu irmão e resolver as minhas próprias contas sem depender de um tirano", retrucou Valentina, tentando erguer o queixo apesar do terror evidente.
"Você não tem o direito de arriscar a sua vida dessa maneira absurda", berrou Lorenzo, perdendo totalmente a compostura habitual diante daquela imprudência.
As lágrimas que ela tanto tentara conter finalmente romperam a barreira dos olhos âmbar, escorrendo silenciosamente pelas bochechas coradas. Ela nunca havia visto o homem mais poderoso de São Paulo perder o controle daquela forma dramática.
"Você queria me destruir, então por que se importa tanto se eu quase morri hoje?", perguntou Valentina com a voz quebrada e repleta de confusão.
Lorenzo fechou os olhos por um segundo, engolindo em seco a dor e o desespero que dilaceravam a sua alma endurecida. Ele percebeu, da forma mais dolorosa possível, que havia perdido a guerra contra o próprio coração.
Inclinando-se para frente, ele enterrou o rosto na curvatura do pescoço dela, inspirando o perfume de jasmim e fumaça que ela exalava. A respiração quente do homem queimava a pele sensível da jovem, desarmando todas as suas defesas restantes.
"Quem disse que eu queria te destruir?", sussurrou Lorenzo com a voz irreconhecível, colando os lábios na orelha dela enquanto as lágrimas ameaçavam molhar o colarinho de sua camisa.
"Você é a única fraqueza que eu permiti entrar na minha fortaleza, Valentina. E se você ousar fazer isso de novo, eu juro que acabo enlouquecendo de vez."
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