"Obsessão de Sangue" Capítulo 4
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Capítulo 4:
A viagem de carro de volta para a mansão no Morumbi foi marcada por um silêncio cortante e claustrofóbico. Assim que cruzaram os portões de ferro, o céu de São Paulo desabou em uma tempestade tropical de proporções apocalípticas.
A força dos raios e dos trovões sacudiu os alicerces da imponente residência dos Von Sternberg. Um clarão blinding seguido por um estrondo ensurdecedor fez com que todo o sistema elétrico da mansão falhasse instantaneamente, mergulhando os corredores na mais completa escuridão.
Nesse exato momento, Valentina encontrava-se sozinha no arquivo blindado do subsolo, um espaço sem janelas e de portas herméticas.
A falta repentina de luz e o isolamento total detonaram um gatilho profundo de sua infância, trazendo à tona o trauma sufocante de um antigo sequestro.
O ar pareceu sumir de seus pulmões de uma hora para a outra, transformando-se em chumbo pesado que recusava-se a descer pela garganta.
Valentina caiu de joelhos no piso frio, com as mãos trêmulas agarrando os próprios cabelos enquanto tentava inutilmente buscar oxigênio.
"Não... por favor, tirem-me daqui, eu não consigo respirar", sussurrava ela em desespero, com lágrimas quentes lavando o seu rosto pálido.
Lá em cima, no escritório principal, Lorenzo monitorava os relatórios de segurança através de um tablet de emergência alimentado por geradores auxiliares.
Ao notar o sinal de alerta disparar no setor do arquivo subterrâneo, o magnata sentiu um calafrio gélido percorrer sua espinha.
"Mateo, verifique o setor de arquivos imediatamente", ordenou Lorenzo com a voz tensa, largando os papéis sobre a mesa com violência.
"A porta blindada travou devido ao corte geral de energia e o sistema manual só pode ser destrancado por dentro ou com o código mestre do senhor", respondeu o secretário via rádio comunicador.
Sem pensar duas vezes, Lorenzo levantou-se com uma fúria cega e correu pelos corredores mergulhados em breu da mansão.
O medo de perdê-la, mesmo que por sufocamento, acionou nele um instinto primal e desesperado que ele jamais reconheceria em si mesmo.
Chegando ao subsolo, ele digitou a senha de emergência com dedos ágeis e forçou a pesada porta de aço a se abrir de um empurrão só.
A cena que encontrou fez o seu coração parar por um segundo: Valentina estava encolhida no canto da sala escura, hiperventilando e quase desfalecida.
"Valentina, olhe para mim agora mesmo", exigiu Lorenzo, ajoelhando-se rapidamente no chão empoeirado ao lado dela.
"Está escuro... está tudo tão escuro, por favor, me tire daqui", balbuçava ela em prantos, com o corpo tremendo de forma incontrolável.
Sem dar ouvidos à recusa automática da mente dela, Lorenzo avançou e a puxou com força bruta para os seus braços. Ele a ergueu contra o próprio peito, envolvendo-a com uma rigidez possessiva que desafiava o pânico que a consumia.
"Eu estou aqui, você está segura, ninguém vai te fazer mal", murmurou ele, com a voz rouca perdendo toda a frieza habitual.
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"Você me odeia, você quer me destruir, por que está fazendo isso?", ganiu Valentina, cravando as unhas nos ombros dele enquanto o ar teimava em não voltar.
"Cala a boca e respira comigo, Valentina", ordenou o magnata, colando a testa na dela e forçando-a a sincronizar as respirações. "Eu não vou deixar nada te acontecer, o mundo inteiro pode desabar, mas você não vai morrer aqui."
O calor do corpo dele e a força inabalável daquele abraço começaram, aos poucos, a romper a barreira do pânico. Valentina soluçou histericamente contra a camisa preta dele, deixando escapar toda a vulnerabilidade que guardava a sete chaves.
"Eu sinto falta do meu pai, eu sinto medo de tudo isso", choramingava ela, rendendo-se completamente ao colapso emocional.
Lorenzo afundou os dedos nos longos cabelos castanhos dela, acariciando-os com uma suavidade desesperada e proibida. Ele odiava demonstrar fraqueza, mas ver aquela mulher indomável reduzida a lágrimas o dilacerava por dentro.
Enquanto isso, nos monitores de segurança externos que voltavam a funcionar graças aos geradores, Mateo observava atentamente a área perimetral da mansão. Entre os borrões da chuva torrencial, a câmera capturou brevemente a silhueta de um homem encapuzado rondando os portões.
Era uma figura esguia e conhecida dos arquivos da polícia, um fantasma do passado que trazia o sobrenome Silva impresso na testa. O irmão desaparecido de Valentina havia retornado justamente na noite mais caótica para cobrar uma dívida de sangue.
No subsolo, ignorando o perigo que se aproximava do lado de fora dos muros, Lorenzo mantinha Valentina firmemente presa contra o seu corpo. Ele sentia o pulso dela desacelerar e voltar ao ritmo normal sob o calor de seu abraço protetor.
"Você acha que pode fugir de mim, mas acabou de descobrir que só nos meus braços encontra refúgio", sussurrou ele, recuperando o tom autoritário de sempre.
"Você é um tirano cruel, Lorenzo", sussurrou Valentina com a voz fraca, ainda apoiada frouxamente contra o peito dele.
"Diga o que quiser, mas nunca mais ouse desabar na frente de mais ninguém além de mim", retrucou o magnata com intensidade feroz.
Um relâmpago estrondoso cortou o céu lá fora, iluminando a penumbra do subsolo com uma luz branca e fantasmagórica. Relâmpago após relâmpago, a tempestade parecia refletir a fúria indomável que habitava o peito daquele homem.
Com um movimento firme, Lorenzo ergueu o rosto dela segurando-lhe a nuca com uma possessividade avassaladora e sem margem para contestação. Seus olhos azuis glaciais faiscavam na escuridão, repletos de um sentimento perigoso que ultrapassava os limites do ódio e da vingança.
"Não chore... não permito que derrame uma única lágrima na presença de mais ninguém", sibilou Lorenzo com a voz rouca e terrivelmente próxima dos lábios dela.
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