"Obsessão de Sangue" Capítulo 3
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Capítulo 3:
A noite caía sobre São Paulo cobrindo a metrópole com um manto de luzes trêmulas e poluição luminosa. O salão de festas do Jockey Club, localizado nobremente na Cidade Jardim, fervilhava com a nata da aristocracia financeira e política do Brasil.
Lustres de cristal maciço projetavam reflexos dourados sobre os pisos de mármore italiano, enquanto taças de champanhe Cristal tiniam em meio a risadas vazias e negócios bilionários fechados à meia-voz.
As portas duplas de mogno abriram-se com imponência e um silêncio cortante espalhou-se instantaneamente pelo ambiente. Lorenzo von Sternberg entrou no salão pisando com firmeza, vestindo um smoking preto sob medida que esculpidas seus ombros largos.
Sua presença magnética e gélida commandava o espaço, mas o que realmente chocou a elite paulistana foi a mulher que ele trazia firmemente abraçada pela cintura.
Valentina Silva caminhava com a postura erguida de uma rainha exilada, exibindo uma elegância magnética que desafiava a própria ruína.
Ela vestia um longo vestido de corte impecável na cor verde-esmeralda, com uma fenda lateral ousada que realçava suas curvas e contrastava perfeitamente com sua pele banhada pelo sol.
Seus profundos olhos cor de âmbar varriam o salão com altivez, recusando-se a abaixar a cabeça diante dos cochichos venenosos que começavam a circular.
"Mantenha o sorriso colado ao rosto e finja que está extremamente feliz ao meu lado, senhorita Silva", sussurrou Lorenzo junto ao ouvido dela, com a voz baixa e carregada de uma possessividade sufocante.
"O senhor prefere uma atuação digna de Hollywood ou prefere que eu vomite agora mesmo nos seus sapatos de grife?", retrucou Valentina com um sorriso irônico nos lábios pintados de vermelho-sangue.
Um canto da boca de Lorenzo curvou-se em um sorriso perverso que poucos tinham o privilégio de testemunhar. Ele a apertou ainda mais contra o próprio corpo, deixando claro para todos os presentes que ela era a propriedade exclusiva do temido magnata.
No centro do salão, Isabela Santos observava a cena com os olhos estreitados de puro ódio e veneno contido. A herdeira e socialite paulistana, cujos laços políticos com o governo estadual eram amplamente conhecidos, exibia-se num vestido prateado brilhante que gritava por atenção.
Ela esperava há meses ocupar o posto de senhora von Sternberg, e ver aquela falida ruína ocupando o braço de Lorenzo era uma ofensa intolerável.
"Ora, ora, vejam só quem o nosso estimado Lorenzo trouxe como animal de estimação hoje", disparou Isabela, aproximando-se com passos felinos e um sorriso falso colado ao rosto perfeito.
"Não sabia que o mercado de leilões de falidos aceitava relics tão gastas."
"Cuidado com o veneno que você goteja pela boca, Isabela, antes que ele acabe por corroer a sua própria língua", respondeu Lorenzo com a voz mortalmente calma e gélida.
Isabela engoliu em seco diante do olhar cortante do magnata, mas logo recuperou a pose arrogante e direcionou seu veneno diretamente à jovem ao lado dele.
"Deveria ter vergonha de se pendurar nos braços de um homem que destruiu a sua própria família por trocados, Valentina", provocou Isabela com uma risada estridente e falsa. "Mas suponho que a dignidade seja um artigo caro demais para quem já perdeu tudo."
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O sangue de Valentina ferveu instantaneamente, fazendo seus olhos âmbar brilharem com uma fúria incandescente. Antes que Lorenzo pudesse abrir a boca para desferir sua própria e impiedosa resposta, a mão de Valentina moveu-se com a velocidade da luz.
Um estalo seco e retumbante ecoou pelo salão de festas, fazendo a música parar por um segundo e dezenas de cabeças virarem-se em choque absoluto. Isabela cambaleou para trás com a bochecha esquerda ardendo em vermelho vivo, com a taça de champanhe derramando-se sobre seu vestido de grife.
"Guarde a sua insolência e a sua ignorância para os seus círculos íntimos, Isabela", sibilou Valentina com uma voz firme, cortante e absolutamente destemida. "Porque a próxima coisa que vou estilhaçar no seu rosto não vai ser apenas uma taça."
Um burburinho escandaloso irrompeu entre os convidados ricos, que assistiam boquiabertos à ousadia sem precedentes daquela mulher. A própria Valentina esperava a explosão de fúria de Lorenzo por ter manchado o nome dele publicamente daquela forma.
No entanto, para a surpresa de todos os presentes, o magnata não demonstrou a menor indicação de zanga ou constrangimento.
Em vez disso, os olhos azuis glaciais de Lorenzo brilharam com uma intensidade febril, fascinados pela selvageria indomável que acabara de presenciar.
"Parece que a minha prisioneira tem dentes afiados afinal de contas", murmurou Lorenzo com um tom de aprovação sombria, passando os braços protetores ao redor da cintura dela.
"Aconselho que nunca mais dirija a palavra à minha mulher se quiser continuar frequentando estes salões, Isabela."
Aterrorizada e humilhada diante de toda a elite, Isabela recolheu o resto de sua dignidade estilhaçada e sumiu rapidamente entre a multidão de convidados. Lorenzo puxou Valentina para mais perto de si, guiando-a discretamente para uma zona mais isolada e escura próxima aos terraços externos.
"Você tem o dom irritante de atrair o caos por onde passa, Valentina", provocou o magnata, embora seu tom estivesse carregado de uma tensão física palpável.
"Eu apenas ensinei boas maneiras a quem nunca aprendeu em casa", retrucou ela, tentando se afastar daquele calor sufocante.
Enquanto os dois trocavam farpas sob a penumbra de uma coluna de mármore, uma figura discreta aproximou-se sorrateiramente pelas costas de Valentina.
Aproveitando um segundo de distração do poderoso magnata, o homem engravatado deslizou rapidamente um pequeno cartão preto com relevo dourado na bolsa de mão aberta da jovem.
"A porta dos fundos do Grand Hotel sempre estará aberta para quem deseja recuperar a herança roubada, senhorita Silva", sussurrou o misterioso intermediário político antes de desaparecer rapidamente entre os garçons.
Valentina sentiu o corpo congelar por um instante ao segurar a pequena carta com rotas de fuga detalhadas para fora do país. Ela guardou o segredo com cautela milimétrica, sabendo que aquela era a única tábua de salvação contra a prisão perpétua que Lorenzo lhe impusera.
Poucas horas depois, a festa suntuosa chegou ao fim sob os olhares ainda ressabiados da alta sociedade.
O silêncio dentro da imponente limusine preta que cortava a madrugada paulistana era denso, pesado e carregado de uma eletricidade sufocante.
Assim que as portas do veículo se fecharam isolando-os do mundo exterior, Lorenzo perdeu a última gota de paciência controlada. Com um movimento bruto e fulminante, ele empurrou Valentina contra o vidro fumê da janela, prendendo-a com o peso do próprio corpo.
A respiração quente e pesada do magnata chocou-se contra o pescoço dela, fazendo cada centímetro da pele de Valentina se arrepiar em protesto. Os olhos azuis glaciais de Lorenzo faiscavam com uma fúria possessiva e primitiva na penumbra do carro.
"Você é uma criatura imprudente, teimosa e perigosa, Valentina", sibilou Lorenzo, com os dedos cravados firmemente nos ombros dela. "Mas ouça bem o que eu vou te dizer agora para nunca mais esquecer."
"Me solte, Lorenzo, você está me machucando", exigiu ela, tentando em vão empurrar o peito firme dele com as mãos trêmulas.
"Você é a minha vergonha pública e o meu maior tormento, mas é minha", declarou o magnata com a voz rouca e perigosamente próxima dos lábios dela.
"Mas juro por tudo o que é sagrado que, se alguém tentar encostar um dedo em você ou roubá-la de mim, eu não vou hesitar em fazer este país inteiro virar cinzas."
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