"Domando o Rival: O Alfa Imperfeito" Capítulo 1
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Capítulo 1: O Sabor do Sangue
A chuva torrencial de Santos transformava o asfalto do porto em um espelho escuro, refletindo os flashes prateados dos relâmpagos.
Leonardo Castro ajustou a gola do seu sobretudo escuro enquanto caminhava entre as fileiras infinitas de contêineres de aço.
"Eles já pisaram no píer quatro, chefe," murmurou Mateo Silva pelo comunicador no ouvido do Alpha.
"Garanta que ninguém saia vivo daquele galpão," ordenou Leonardo, com a voz grave ressoando no ritmo dos trovões.
O cheiro de sal marinho, óleo queimado e chuva forte cobria quase todo o perímetro, mas não o cheiro da pólvora.
Leonardo sacou a arma quando o primeiro estampido cortou a noite, seguido pelo som característico de cápsulas caindo na água.
Dois mercenários caíram antes mesmo de verem a sombra de Leonardo se mover entre as caixas de carga.
No centro do galpão abandonado, uma figura solitária derrubava o último guarda com uma sequência letal de golpes táticos.
O movimento era preciso, gracioso e terrivelmente familiar para qualquer um que conhecesse o submundo.
Leonardo desacelerou os passos, sentindo um solavanco de pura adrenalina atingir seu peito.
A figura se virou devagar, segurando uma pistola pesada com as mãos cobertas por luvas de couro.
"Seis meses sem dar notícias, Alexis," disse Leonardo, deixando um sorriso frio cruzar seus lábios. "E você decide voltar justamente no meu território?"
Alexis Voronov mantinha a postura ereta, mas o brilho platinado de seus cabelos estava colado na testa por causa do suor.
Seus olhos冰 azuis encaravam o Alpha com uma intensidade assassina que escondia a tremedeira imperceptível de seus dedos.
"Este porto nunca foi seu, Castro," respondeu Alexis, com a voz ligeiramente mais rouca do que o normal. "Você só estava guardando o lugar para mim."
Leonardo deu um passo à frente, percebendo que a respiração do rival estava descompassada e pesada.
"Você está mais devagar hoje," provocou Leonardo, avançando com uma velocidade chocante para fechar a distância entre eles.
Alexis reagiu por instinto, erguendo o braço para desviar o soco de Leonardo e desferindo uma joelhada violenta nas costelas do Alpha.
O impacto fez Leonardo dar um passo para trás, mas ele apenas riu baixinho enquanto segurava o pulso de Alexis.
Ao puxar o rival para perto, Leonardo sentiu um calor anormal emanando do corpo do ex-comandante.
"O que há de errado com você?" perguntou Leonardo, franzindo as sobrancelhas enquanto tentava imobilizar as mãos de Alexis.
"Me solta, seu desgraçado!" rugiu Alexis, acertando uma cotovelada dura na mandíbula de Leonardo.
O sangue quente escorreu pelo canto da boca de Leonardo, mas a dor foi completamente ignorada pelo Alpha.
À medida que o confronto corporal se intensificava, as roupas úmidas dos dois se chocavam com violência no espaço reduzido.
Alexis tentou dar uma rasteira em Leonardo, mas seus joelhos falharam por um milésimo de segundo.
Aquele pequeno deslize foi suficiente para Leonardo empurrá-lo com força contra a estrutura fria de um contêiner vermelho.
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O som do metal ecoou pelo galpão, abafando o gemido abafado que escapou da garganta de Alexis.
Leonardo prendeu os dois pulsos de Alexis acima de sua cabeça com apenas uma das mãos.
"Você está queimando em febre," disse Leonardo, aproximando o rosto para encarar as pupilas dilatadas de Alexis.
"Abaixe a sua mão antes que eu corte a sua garganta," ameaçou Alexis, tentando empurrar o peito de Leonardo com o joelho.
Uma corrente de ar frio entrou pelas frestas da parede de ferro, carregando uma onda súbita de fragrância.
O ar pesado de pólvora e madeira queimada foi subitamente invadido por algo completamente diferente.
Um aroma doce, denso e terrivelmente inebriante de rosa perfurada por gelo atingiu os sentidos de Leonardo.
Era o cheiro inconfundível de um Omega no início de um ciclo.
O sangue de Leonardo gelou antes de ferver em uma velocidade assustadora, fazendo seus instintos primais rugirem.
Sua visão periférica escureceu enquanto suas pupilas se estreitavam, revelando um tom bioluminescente de ouro âmbar.
"O que é isso?" rosnou Leonardo, puxando o ar com força enquanto sua mente tentava processar a informação.
Alexis virou o rosto para o lado em pânico, cobrindo desesperadamente o pescoço com o ombro.
Nesse movimento, a gola da jaqueta tática de Alexis se abriu ligeiramente, revelando uma gargantilha de metal reforçado.
A peça parecia uma tranca mecânica projetada para proteger e esconder a área mais sensível da nuca.
"Não me toque!" gritou Alexis, usando o restante de sua força para tentar se soltar do aperto de ferro.
Leonardo usou a mão livre para rasgar a gola da camisa de Alexis, ignorando as unhas do rival que cravavam em seus braços.
O aroma de Omega jorrou da pele quente de Alexis como um veneno irresistível, preenchendo cada centímetro do espaço.
A mente de Leonardo, acostumada ao controle absoluto, vacilou diante da imagem do seu maior inimigo exalando submissão biológica.
Alexis estava trêmulo, os dentes cravados no próprio lábio inferior até sangrar para conter os sons de sua garganta.
"Isso é impossível," murmurou Leonardo, sentindo seu próprio feromônio de Alpha disparar em resposta ao impulso de posse.
"Vai embora... por favor..." sussurrou Alexis, e aquela foi a primeira vez em cinco anos que ele usou aquela palavra.
O tom quebrado da voz do ex-Alpha atingiu o peito de Leonardo com a força de um disparo à queima-roupa.
Leonardo enterrou o nariz no espaço entre o ombro e o pescoço de Alexis, inalando a mistura devastadora de suor, sangue e febre.
Seus dentes roçaram a borda da gargantilha de metal, sentindo o pulso desordenado de Alexis bater contra a sua boca.
Pelo rádio no chão, a voz de Mateo tentava quebrar o silêncio da cena.
"Chefe? Limpamos a área externa. Devo entrar para fazer a varredura?" perguntou o Beta.
Leonardo não respondeu; ele nem sequer ouviu o comunicador chiando no asfalto molhado.
Sua mão subiu do peito de Alexis até apertar a mandíbula do prisioneiro, forçando-o a olhar diretamente em seus olhos dourados.
Os olhos azuis de Alexis refletiam o pavor de ver sua maior fraqueza exposta para o homem que mais o odiava no mundo.
A chuva continuava a desabar do lado de fora, mas dentro do galpão, o ar havia se tornado sufocante e perigoso.
"Que porra é essa, Alexis?" rosnou Leonardo, com a voz vibrando em uma frequência baixa e predatória. "Por que você tem cheiro de Omega?"
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