"A Vingança da Perfumista Exilada" Capítulo 5
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Capítulo 5: O Pequeno Cavaleiro
Balthazar permaneceu estático no meio dos flashes da imprensa, olhando para a própria mão coberta de sangue e champanhe, enquanto os dedos trêmulos tentavam inutilmente capturar o rastro do perfume gélido que Fiora deixara no ar de São Paulo.
A insolência daquela mulher na sala de reuniões e seu olhar de desprezo eram insultos que o magnata não toleraria, empurrando-o a tomar uma atitude drástica logo nas primeiras horas da manhã seguinte.
O corredor do andar presidencial do Hotel Fasano reluzia sob a luz suave das arandelas de bronze, exalando o silêncio restrito que apenas os bilhões podiam comprar.
Balthazar avançou a passos largos, com o paletó de alfaiataria perfeitamente alinhado e o queixo rígido, dispensando os próprios seguranças antes de parar diante da imensa porta de jacarandá da suíte de Fiora.
Ele nem sequer bateu, pressionando o indicador na campainha eletrônica com a autoridade de quem acreditava ser o dono invisível de qualquer território naquela cidade.
A porta se abriu com um clique suave, mas o topo do batente revelou o vazio, forçando o bilionário a descer o olhar azul-escuro até colidir com uma silhueta inesperadamente pequena.
"O horário de atendimento corporativo da Fiora Silva Corp em território brasileiro se inicia apenas às nove horas da manhã, senhor Albuquerque" proferiu o pequeno Dante, postando-se exatamente no centro do vão da porta com os braços cruzados atrás das costas.
O menino vestia uma camisa de linho claro com as mangas milimetricamente dobradas e um colete de tricô azul-marinho que o fazia parecer um lorde britânico em miniatura.
Balthazar travou no lugar, sentindo o ar falhar em seus pulmões ao encarar os traços daquele rosto infantil que ostentava uma expressão de puro tédio aristocrático.
"Quem é você e onde está a sua mãe? Saia do caminho, garoto, eu tenho uma auditoria privada e urgente para realizar com ela" ordenou o CEO, tentando manter a voz firme enquanto uma sensação bizarra e inexplicável de calor subia pelo seu pescoço.
"Se o senhor estivesse de posse de suas plenas faculdades executivas, saberia que uma auditoria requer agendamento prévio com três dias de antecedência" rebateu a criança, alternando do português para um francês impecável e cortante com a naturalidade de um nativo de Paris.
"Eu não preciso de agendamento para entrar em um aposento que está sendo financiado indiretamente pelas ações da minha própria empresa" rosnou o magnata, inclinando o corpo para a frente para tentar intimidar o garoto com sua estatura imponente.
"O contrato de hospedagem deste andar foi liquidado através de um fundo de investimentos europeu sediado em Genebra, portanto, o seu capital de giro não tem jurisdição sobre este tapete" respondeu Dante, sem recuar um único milímetro e mantendo os olhos fixos nos dele.
Balthazar piscou, completamente atônito diante da audácia e da precisão cirúrgica com que aquele pirralho desarmava seus argumentos mais agressivos. Um sentimento duplo e contraditório começou a inflar em seu peito: a fúria por ser desafiado e um orgulho possessivo, involuntário e violento pela capacidade intelectual daquele menino.
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"Você fala demais para alguém que mal deve ter saído das fraldas, onde aprendeu esses termos técnicos?" questionou o bilionário, estreitando as pupilas ao notar a simetria assustadora da mandíbula do garoto com a sua própria.
"Eu leio os relatórios da Bloomberg enquanto o senhor provavelmente tenta gerenciar o colapso das suas ações na bolsa de valores de São Paulo" desdenhou o pequeno herdeiro, soltando uma risada curta que ecoou como um tapa no ego do tirano.
Nesse exato momento, o carrinho de prata do serviço de quarto foi empurrado pelo corredor por um garçom, trazendo o café da manhã que Fiora havia solicitado para o início dos trabalhos.
Dante fez um sinal sutil com a mão enluvada, assumindo o controle do bule de porcelana que continha o café expresso duplo, forte e escaldante.
"Já que o senhor insiste em permanecer no nosso espaço privado como um cobrador de dívidas inconveniente, permita-me oferecer uma cortesia da casa" proferiu o garoto, aproximando-se com o pires de forma extremamente graciosa.
Antes que Balthazar pudesse estender a mão para recusar o gesto, as articulações do menino pareceram falhar em um movimento falsamente desajeitado, inclinando o bule diretamente na direção do abdômen do magnata.
O líquido negro e fervente atingiu em cheio o terno cinza sob medida de cem mil dólares do CEO, espalhando-se pelo tecido nobre e manchando a camisa branca por baixo.
"Pelos deuses! O que você pensa que está fazendo, seu moleque insolente?!" esbravejou o bilionário, dando um salto para trás enquanto tentava sacudir o calor escaldante que queimava a sua pele através do pano.
"Oh, minhas sinceras desculpas pelo incidente técnico, senhor Albuquerque, parece que o meu cálculo de gravidade falhou diante da sua rigidez" justificou Dante, unindo as mãozinhas com uma cara de anjo que não carregava o menor arrependimento.
"Você fez isso de propósito, eu vi o brilho nos seus olhos antes de virar essa maldita xícara em mim!" acusou o tirano, a respiração descompassada e os punhos cerrados enquanto olhava para o estrago em suas roupas de grife.
"Desejo ao senhor uma excelente jornada corporativa de retorno ao seu escritório, e sugiro que use um removedor de manchas de base ácida na lavanderia" concluiu o garoto, exibindo um sorriso felino antes de dar as costas ao homem mais temido do país.
Balthazar, tomado por um impulso incontrolável de reter aquela criatura que o levara ao limite da sanidade em menos de dez minutos, estendeu os braços e ergueu Dante pelas axilas, suspendendo-o no ar.
O contato físico durou apenas um segundo, mas foi o suficiente para que a gola da camisa de linho do garoto se afastasse, revelando a pele alva de seu pescoço.
O magnata travou instantaneamente, com os olhos azul-escuro fixos em uma série de pequenas manchas avermelhadas e descamativas que começavam a brotar na base da nuca do menino.
Era a dermatite de contato por exposição ao aroma sintético das arandelas do hotel, uma reação alérgica raríssima, de origem estritamente genética, que assolara a infância de Balthazar e de todos os primogênitos da dinastia Albuquerque.
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"Solte o meu filho imediatamente, Balthazar, ou a segurança internacional deste hotel fará questão de retirá-lo algemado deste corredor" ordenou a voz de Fiora, surgindo do interior da suíte com um olhar de âmbar que emanava uma fúria assassina.
O bilionário colocou o menino no chão de forma mecânica, com os dedos vacilantes e a mente operando em um colapso completo de dados cruzados.
Ele encarou os olhos azul-escuro de Dante, que agora se postava ao lado da mãe com o mesmo olhar calculista e frio que o próprio Balthazar exibia diante de seus maiores inimigos de mercado.
"Esse menino... os olhos dele... a pele dele... Fiorella, o que você escondeu de mim durante esses quatro anos de exílio?!" questionou o magnata, com a voz rouca e trêmula, dando um passo em falso para trás enquanto o coração errava completamente a batida dentro do peito.
"Eu não lhe devo explicações sobre a minha vida ou sobre as pessoas que protegem o meu laboratório, saia daqui antes que eu cancele o contrato de fornecimento" respondeu Fiora, batendo a porta de jacarandá na cara do ex-marido com uma violência que ecoou por todo o andar presidencial.
Balthazar permaneceu estático diante da madeira maciça, ouvindo o som do trinco eletrônico se selar enquanto o suor frio escorria por sua testa.
Com os dedos trêmulos e a respiração totalmente cortada, ele enfiou a mão no bolso do paletó manchado de café e discou imediatamente o número de emergência de sua linha privada.
A linha chamou apenas uma vez antes que a voz firme, madura e guardiã dos maiores segredos de sangue da família atendesse do outro lado da capital paulista.
"Doutor Bruno falando, senhor Albuquerque, aconteceu alguma emergência médica com a sua saúde ou com a auditoria da holding?" questionou o médico de confiança da dinastia, percebendo a oscilação grave na respiração do paciente.
"Cancele todos os seus compromissos no hospital das clínicas e traga o kit de coleta de material genético mais avançado do seu laboratório para a minha sala agora mesmo, Bruno" ordenou o CEO, com os olhos fixos na porta fechada da suíte.
"O senhor suspeita de alguma fraude ou tentativa de envenenamento corporativo por parte dos novos fornecedores europeus?" indagou o médico, assumindo a postura de alerta máximo que a segurança dos Albuquerque exigia.
"Eu acabo de ver o meu próprio reflexo com quatro anos de idade no corredor do Fasano, e se o exame de DNA confirmar o que os meus olhos viram, eu vou quebrar o mundo para recuperar o que é meu" concluiu Balthazar, desligando o celular e caminhando em direção ao elevador com o rastro do sangue de sua linhagem fervendo nas veias.
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