"A Vingança da Perfumista Exilada" Capítulo 3
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Capítulo 3: A Dança dos Espectros
A perfumista exilada estava prestes a pousar no território do inimigo, não para pedir o perdão que nunca deveu, mas para coroar a sua própria vingança com o aroma do colapso de Balthazar. O reflexo das luzes da pista de pouso internacional em São Paulo nas asas do jato de Matías marcava o início da contagem regressiva para o confronto.
O Palácio dos Cristais, no coração da zona sul paulistana, ostentava a opulência máxima da elite financeira da América Latina na noite do grande baile de gala corporativo. Lustres de cristal legítimo pendiam do teto monumental, iluminando centenas de magnatas, diplomatas e celebridades que aguardavam a chegada da misteriosa e lendária salvadora do mercado de cosméticos.
"O mercado está em polvorosa, Albuquerque, e se essa perfumista francesa não assinar com a sua holding hoje, as suas ações vão virar pó na abertura da bolsa amanhã" alertou um dos conselheiros seniores, ajustando a gravata borboleta com dedos suados.
"A Fiora Silva Corp vai assinar o contrato sob as minhas condições, porque ninguém neste planeta rejeita o capital e o poder de distribuição dos Albuquerque" respondeu Balthazar, com a voz carregada de uma arrogância que mal escondia a exaustão de seus olhos azul-escuro.
Ele mantinha os dedos longos firmemente fechados em torno de uma taça de champanhe de cristal, enquanto seus olhos vasculhavam obsessivamente o salão lotado.
Quatro anos de insônia e uma paranoia destrutiva transformaram o titã de São Paulo em uma máquina fria, mas aquela noite trazia um pressentimento sufocante que fazia seu peito arder.
"Todos os flashes estão apontados para a entrada principal, Balthazar, parece que a nossa rainha invisível acabou de cruzar os portões do palácio" sussurrou Gisele, a poderosa editora-chefe da maior revista de moda do país, aproxima-se com a elegância de uma predadora da mídia.
"Espero que o talento dela seja proporcional ao mistério que ela criou em Paris, Gisele, porque não tenho paciência para joguinhos teatrais" rebateu o bilionário, embora seu coração tivesse disparado uma batida de forma totalmente involuntária.
O burburinho dos violinos da orquestra silenciou subitamente quando as imensas portas duplas de jacarandá do salão principal foram abertas pelos seguranças em trajes de gala.
O silêncio que se instalou no recinto foi imediato e absoluto, como se o ar de São Paulo tivesse sido congelado por uma frente fria vinda diretamente do hemisfério norte.
Uma mulher solitária avançou pelo tapete vermelho, vestindo um longo de alta costura negro que abraçava suas curvas com uma sofisticação geométrica e minimalista.
Seus cabelos curtos, cortados em um bob focado na cor cold brown, emolduravam um rosto de traços nobres e aristocráticos que pareciam esculpidos em gelo puro.
Balthazar ergueu o olhar de forma displicente, pronto para encarar a rival francesa, mas o mundo ao seu redor simplesmente desabou quando ele focou no rosto da mulher. Suas pupilas azul-escuro se dilataram ao extremo e o ar sumiu de seus pulmões com tamanha violência que ele cambaleou um centímetro para trás.
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O cristal da taça de champanhe estourou na palma de sua mão esquerda com um estalo nítido, derramando o líquido caro e misturando-se instantaneamente ao sangue que começava a brotar de sua pele.
Ele não sentiu a dor dos estilhaços perfurando sua carne, pois toda a sua existência estava concentrada nos olhos de âmbar que brilhavam do outro lado do salão.
"Fiorella" balbuciou o magnata em um sussurro rouco e desesperado, com a voz falhando como se estivesse diante de um espectro ressuscitado do próprio inferno.
"Aquela é a Fiora, Balthazar, a mulher que colocou os maiores conglomerados da Europa de joelhos nos últimos dois anos" corrigiu Gisele, estreitando os olhos ao captar a corrente elétrica avassaladora que se acendeu entre os dois no primeiro segundo.
A perfumista caminhava com uma postura soberana, mantendo os olhos de âmbar fixos no horizonte, passando pelas maiores fortunas do país como se caminhasse por um jardim de estátuas sem vida.
Ela avistou Balthazar parado no centro do salão de gala, mas sua expressão não vacilou por um milésimo de segundo, tratando o ex-marido como puro oxigênio invisível.
A alma morta do bilionário reviveu instantaneamente com uma violência assustadora, dando lugar a uma possessividade insana e doentia que fez seu sangue ferver nas veias.
A mulher que ele jogara descalça na lama da tempestade estava ali, viva, deslumbrante e exalando um poder que empalidecia toda a árvore genealógica dos Albuquerque.
"Afaste-se, Gisele, eu preciso falar com a minha esposa agora mesmo" rosnou o tirano, avançando pelo meio da multidão de convidados como um trator blindado sem se importar com o sangue que pingava de sua mão no chão de mármore.
"Ela não é mais a sua esposa, Albuquerque, tente não causar um escândalo internacional sob as lentes da minha equipe" alertou a editora-chefe, observando o comportamento obsessivo do amigo com um misto de fascínio e horror jornalístico.
Fiora continuou seu trajeto em direção à área vip do palácio, conversando brevemente com embaixadores europeus com um sorriso social que nunca alcançava a frieza de seus olhos dourados.
Balthazar interceptou seu caminho com a brutalidade de um predador encurralado, postando-se a poucos centímetros dela e bloqueando qualquer rota de fuga com seu corpo de um metro e noventa.
"Como você ousa voltar para esta cidade com esse nome falso, Fiorella, depois de passar quatro anos se escondendo de mim no exterior?" questionou o CEO, com a respiração pesada e os olhos injetados de uma mistura de ódio, desejo e desespero.
"Por favor, dê um passo para trás, o senhor está bloqueando a passagem de luz e interrompendo a minha conversa com os investidores" respondeu Fiora, com uma voz aveludada e gélida que não carregava nenhum traço de mágoa ou reconhecimento.
"Não brinque comigo, você sabe perfeitamente quem eu sou e sabe que você ainda me pertence, não importa quantos prêmios tenha ganho em Paris!" rugiu o magnata, perdendo completamente o controle e segurando o pulso esquerdo dela com seus dedos manchados de sangue.
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O toque físico fez o ar ao redor estalar com uma tensão sexual sufocante, uma atração proibida e tóxica que ameaçava incendiar o palácio de cristais diante de centenas de testemunhas. Fiora não gritou, não chorou e não demonstrou a menor vulnerabilidade que Balthazar tanto esperava ver em seus olhos de âmbar.
Com um movimento preciso, rígido e de uma elegância cirúrgica, ela girou o pulso e se desvencilhou do aperto do bilionário sem o menor esforço, limpando discretamente a pele com um lenço de seda negra.
"Cuidado, senhor. Sou a Fiora" alertou ela, mantendo o tom de voz baixo e cortante como uma lâmina de bisturi que rasgava a masculinidade do ex-marido.
Balthazar deu um passo à frente, prestes a agarrá-la novamente pela cintura, mas seus sentidos foram subitamente invadidos por uma lufada de vento que trouxe a fragrância que emanava do pescoço da mulher.
O cheiro não era o jasmim doce e submisso do passado, mas sim um perfume provocante, gélido, metálico e obscuro que ele nunca havia sentido em toda a sua vida como mestre do mercado de cosméticos.
Era a essência do exílio, o cheiro de uma mulher que havia aprendido a sobreviver no inverno e que agora usava o próprio perfume como uma armadura de veneno contra ele.
"Esse cheiro é impossível, que tipo de fórmula você usou para criar essa monstruosidade que está me deixando sem respirar?" indagou o magnata, com a voz trêmula e os dedos vacilantes enquanto a fragrância invadia seu cérebro de forma obsessiva.
"É a fórmula da sua incompetência, senhor Albuquerque, uma nota olfativa que o seu nariz paranoico jamais será capaz de decodificar ou possuir" respondeu Fiora, com um olhar que reduziu o gigante a um mero pedaço de poeira comercial.
"Você não vai me deixar aqui falando sozinho, nós temos um contrato e uma história que você me deve explicações!" pediu Balthazar, tentando restabelecer sua autoridade enquanto sentia seus dedos tremerem de forma incontrolável pela abstinência do toque dela.
Fiora deu as costas ao corpo rígido e paralisado do ex-marido com uma indiferença mortal, caminhando graciosamente em direção ao camarote principal do evento.
Ela estendeu a mão enluvada para cumprimentar o vice-presidente da República que a aguardava com um sorriso aberto, deixando o dono da Albuquerque Holding isolado no centro do salão.
Balthazar permaneceu estático no meio dos flashes da imprensa, olhando para a própria mão coberta de sangue e champanhe, enquanto os dedos trêmulos tentavam inutilmente capturar o rastro do perfume gélido que Fiora deixara no ar de São Paulo.
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