"A Marmita Azul Que Revelou Meu Filho" Parte 7
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Daniel Augusto Almeida passou os dois dias seguintes tentando entender uma única pergunta.
Quem era Ana Beatriz Almeida de verdade?
A mulher que ele amou durante quinze anos.
A mãe do seu filho.
A pessoa que esteve ao lado dele nos momentos mais difíceis.
Mas também uma mulher que carregava uma vida inteira de segredos.
Depois da mensagem anônima, Daniel não conseguiu mais dormir tranquilo.
"Sua esposa não morreu sabendo toda a verdade."
A frase continuava voltando à sua cabeça.
Não era apenas uma ameaça.
Era uma confirmação.
Alguém sabia algo sobre Ana.
Algo que ele não sabia.
E essa pessoa estava esperando o momento certo para revelar.
Na manhã de segunda-feira, Daniel deixou Miguel no Colégio Santa Clara de Moema e seguiu direto para o antigo escritório da esposa na Vila Mariana.
Ele precisava descobrir tudo antes que outra pessoa contasse a história de Ana por ele.
Durante anos, ele evitou mexer nos arquivos dela.
A dor era grande demais.
Mas agora a dor tinha se transformado em necessidade.
Ele abriu cada gaveta.
Cada pasta.
Cada caixa.
Até encontrar um envelope antigo com documentos da Almeida Construções.
O nome da empresa fez seu coração acelerar.
Ana tinha investigado a própria empresa.
Ele sentou na cadeira.
E começou a ler.
Os primeiros documentos pareciam normais.
Relatórios financeiros.
Notas fiscais.
Contratos.
Mas depois encontrou algumas páginas marcadas com caneta vermelha.
Eram anotações de Ana.
Ela tinha comparado valores.
Datas.
Transferências.
Algumas despesas não faziam sentido.
Daniel ficou sério.
Ana não estava apenas trabalhando no Projeto Sementes de Amor.
Ela estava investigando algo dentro da empresa.
Algo que envolvia dinheiro.
Ele pegou o celular e ligou para Eduardo Martins.
O advogado atendeu rapidamente.
"Daniel, aconteceu alguma coisa?"
"Eduardo, preciso que você seja completamente sincero comigo."
Houve silêncio do outro lado.
"O que você encontrou?"
"Documentos da Ana sobre a empresa."
A respiração de Eduardo mudou.
Daniel percebeu.
"Você sabia?"
Alguns segundos se passaram.
Então Eduardo respondeu:
"Eu sabia que ela estava preocupada."
"Preocupada com o quê?"
"Com algumas movimentações financeiras."
Daniel levantou da cadeira.
"Por que você nunca me contou?"
"Porque Ana pediu."
A resposta deixou Daniel irritado.
"Minha esposa estava investigando a minha própria empresa e você ficou em silêncio?"
Eduardo respirou fundo.
"Daniel, sua esposa tinha medo."
"Medo de mim?"
"Não."
A resposta veio rápida.
"Ela tinha medo do que poderia acontecer se ela estivesse certa."
Daniel ficou em silêncio.
Aquelas palavras pesaram.
"O que ela descobriu?"
Eduardo demorou para responder.
"Eu não tenho todas as respostas."
"Então me diga o que sabe."
O advogado suspirou.
"Um dia antes da morte dela, Ana veio até meu escritório."
Daniel sentiu um arrepio.
"Um dia antes?"
"Sim."
"E o que ela disse?"
Eduardo ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois respondeu:
"Ela disse que tinha encontrado algo que poderia destruir pessoas importantes."
Daniel segurou o telefone com força.
"Quais pessoas?"
"Ela não falou nomes."
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"Por quê?"
"Porque ela disse que ainda precisava de provas."
Daniel olhou para os documentos espalhados na mesa.
A letra de Ana.
As marcações.
As suspeitas.
Tudo começava a fazer sentido.
"Eduardo, a morte dela foi um acidente?"
Do outro lado, silêncio.
Um silêncio longo demais.
Daniel sentiu o coração bater mais rápido.
"Eduardo?"
Finalmente o advogado respondeu.
"Eu nunca consegui acreditar completamente que foi apenas um acidente."
Aquelas palavras destruíram algo dentro de Daniel.
Durante três anos, ele tentou aceitar a morte da esposa.
Tentou acreditar que foi uma tragédia sem explicação.
Mas agora alguém estava dizendo que talvez Ana tivesse partido enquanto tentava proteger algo.
Ou alguém.
Depois da ligação, Daniel ficou sentado sozinho no escritório.
Ele olhava para uma foto de Ana sobre a mesa.
Ela sorria.
Como sempre.
Mas agora ele via algo diferente naquele sorriso.
Determinação.
Ana sabia que estava entrando em uma situação perigosa.
E mesmo assim continuou.
Porque era assim que ela era.
Quando acreditava em algo, não desistia.
Naquela tarde, Daniel decidiu procurar mais informações sobre os últimos dias da esposa.
Ele foi até o Hospital Santa Catarina.
O hospital onde Ana havia sido atendida depois do acidente.
Ele conseguiu conversar com uma antiga funcionária do setor administrativo.
Uma mulher chamada Renata.
Ela lembrava de Ana.
"Ela era muito querida aqui."
Daniel assentiu.
"Eu preciso saber sobre o dia em que ela veio para cá."
Renata ficou séria.
"Existe alguma coisa específica?"
"Qualquer coisa diferente."
A mulher pensou.
Depois abriu alguns registros antigos.
"Naquele dia, ela recebeu uma ligação antes de sair."
Daniel se aproximou.
"De quem?"
Renata olhou os registros.
"Não aparece o nome. Apenas o horário."
"Que horário?"
"Dezessete horas e vinte minutos."
Daniel sentiu um aperto.
Ana morreu naquela noite.
Pouco tempo depois.
"Ela parecia preocupada?"
Renata ficou em silêncio.
"Agora que você pergunta... sim."
"Como assim?"
"Ela estava olhando muito para o celular."
Daniel ficou imóvel.
Ana tinha recebido uma ligação.
Pouco antes de morrer.
Mas de quem?
Quando voltou para casa, Daniel passou horas analisando o celular antigo de Ana.
Ele tinha guardado aquele aparelho em uma caixa.
Nunca teve coragem de mexer.
Agora precisava.
Com ajuda de um especialista, conseguiu recuperar alguns dados antigos.
Mensagens.
Fotos.
Registros de chamadas.
Cada informação parecia abrir uma nova ferida.
Até que encontrou.
A última ligação feita por Ana antes da sua morte.
Daniel esperava encontrar seu próprio número.
Ou o de Eduardo.
Ou alguém da empresa.
Mas não.
Ele ficou olhando para a tela sem conseguir acreditar.
O último número chamado por Ana pertencia a uma pessoa que ele conhecia.
Uma pessoa que estava no centro de toda aquela história.
O nome apareceu na tela.
Isabela Santos Ribeiro.
Daniel sentiu o mundo parar.
Por que Ana ligaria para Isabela naquela noite?
O que as duas conversaram?
Por que Ana nunca contou nada?
Naquele momento, Daniel percebeu que a mulher que ele tentou ajudar nos últimos dias talvez não fosse apenas alguém que sua esposa conhecia.
Ela poderia ser a pessoa que sabia exatamente o que aconteceu antes da morte de Ana.
Na manhã seguinte, Daniel foi até a Penha.
Ele precisava ouvir a verdade diretamente de Isabela.
Quando chegou ao prédio, encontrou a porta do apartamento aberta.
Ele bateu.
Ninguém respondeu.
"Lívia?"
Nenhuma resposta.
Daniel entrou apenas alguns passos.
Sobre a mesa havia um envelope.
O nome dele estava escrito na frente.
A letra não era de Isabela.
Nem de Ana.
Era uma letra desconhecida.
Daniel pegou o envelope.
E antes que pudesse abrir, seu celular tocou.
Era Eduardo.
A voz do advogado estava diferente.
Assustada.
"Daniel, você precisa sair daí agora."
Daniel olhou para o envelope.
"Por quê?"
A resposta de Eduardo fez o sangue dele gelar.
"Porque a pessoa que apagou as provas da Ana descobriu que você está procurando a verdade."
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