"Obsessão e Rendição" Capítulo 3
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Capítulo 3: O Beijo de Ódio
As portas do elevador se abriram com um estrondo metálico, revelando o estacionamento subterrâneo em penumbra.
Leandro, ainda com os punhos sangrando, saiu cambaleante, mas seus olhos encontraram imediatamente a silhueta de Isabella encostada em seu carro esportivo.
Ela não parecia surpresa em vê-lo ali, como se estivesse esperando que ele fosse o primeiro a tentar fugir.
"Você acha que pode simplesmente me prender aqui e tudo estará resolvido?" Leandro vociferou, avançando sobre ela como um animal encurralado.
Isabella nem piscou, mantendo a postura soberana enquanto ele entrava em seu espaço pessoal, exalando fúria e o cheiro forte de uísque.
"A prisão é apenas um detalhe, Leandro. O verdadeiro inferno é saber que o seu império já tem um novo dono."
Ele a encurralou contra a lataria fria do carro, prendendo-a entre seus braços, a respiração pesada misturando-se à dela.
"Quem está por trás disso? Qual é o nome do fundo? Diga-me quem te financiou para me destruir!"
Isabella ergueu o queixo, desafiadora, sentindo a vibração da raiva dele pulsar contra o seu corpo.
"Você realmente acha que eu preciso de um homem para me financiar? Você ainda não entendeu nada do que eu me tornei."
Leandro pressionou o corpo contra o dela, sua mão direita prendendo o pulso de Isabella acima da cabeça, a pressão subindo entre eles.
"Eu te conheço, Isabella. Eu conheço cada centímetro da sua pele e sei quando você está mentindo."
"Você conhece a mulher que eu fui," ela sussurrou, a voz carregada de um desprezo que o enlouquecia.
"A mulher que está diante de você agora é uma estranha, e você nunca terá acesso aos segredos dela."
O ódio em seus olhos era tão palpável quanto o desejo que, por um instante, silenciou o barulho daquelas acusações.
Leandro, num impulso que não conseguiu conter, selou a distância entre eles com um beijo brutal e voraz.
Não havia doçura ali; era um embate de línguas, um protesto físico contra toda a humilhação que ele sofrera naquela tarde.
Isabella inicialmente lutou, mas a própria necessidade reprimida durante anos explodiu em uma resposta impetuosa.
Suas mãos, antes cerradas, perderam a força e se enterraram nos cabelos de Leandro, puxando-o para mais perto enquanto a razão se dissolvia.
O ambiente gélido do estacionamento foi esquecido; a única coisa que importava era aquela colisão caótica de corpos e traumas.
Ele a beijou como se quisesse devorá-la, como se o contato físico pudesse apagar a traição que ela orquestrara.
Ela retribuiu com a mesma ferocidade, deixando claro que, mesmo no ódio, eles ainda falavam a mesma língua.
Mas, de repente, Isabella percebeu a loucura daquela entrega e a autopercepção atingiu-a como um choque elétrico.
Com um esforço sobre-humano, ela empurrou os ombros de Leandro, rompendo a conexão física com um solavanco.
O ar entre eles estava pesado, saturado com a eletricidade de um desejo que nenhum dos dois queria admitir.
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Isabella recompôs-se rapidamente, o peito subindo e descendo, mas o brilho em seus olhos era de uma fúria renovada.
Sem dizer uma única palavra de arrependimento, ela desferiu um tapa seco e ressonante contra a face dele.
O estalo do impacto ecoou pelas colunas de concreto, deixando uma marca vermelha e ardente na pele pálida de Leandro.
Ele ficou paralisado, a mão subindo involuntariamente para o rosto, sentindo o calor da bofetada enquanto o choque de realidade o atingia.
"Nunca mais se atreva a me tocar," Isabella disse, sua voz agora uma lâmina de gelo que cortou qualquer vestígio de calor.
"O seu beijo não apaga o fato de que você é um criminoso, e ele certamente não me fará desistir."
Ela afastou-se, alisando a lapela de seu terno, o rosto voltando à expressão de uma máscara de mármore.
Leandro a observou caminhar até o lado do motorista, sem conseguir dar um passo sequer para impedi-la.
Enquanto ela abria a porta do carro, um celular tocou em seu bolso interno; era uma mensagem de Thiago.
Isabella olhou para o visor e leu a notificação rápida: "O rastro da conta offshore está confirmado, a Polícia Federal está a caminho."
Um sorriso gélido e triunfante desenhou-se em seus lábios, um sorriso que Leandro não conseguiu ver, mas sentiu a gravidade.
Ela entrou no carro e ligou o motor, o rugido do motor esportivo rompendo o silêncio fúnebre do local.
"Isabella, espere!" Leandro gritou, a voz falhando em desespero enquanto ela engatava a marcha.
"O jogo ainda não acabou, Leandro," ela respondeu através da janela entreaberta, olhando-o pela última vez com um desprezo profundo.
"Eu já venci, você apenas ainda não teve a decência de aceitar."
O carro arrancou, deixando para trás apenas a marca dos pneus e o cheiro de borracha queimada no ar viciado.
Leandro ficou sozinho, observando a luz traseira do veículo sumir na rampa de saída.
Ele sentia o gosto do beijo dela ainda em seus lábios, misturado com o gosto de fel da derrota.
A cada segundo que passava, a realidade do que ela fizera ficava mais clara em sua mente torturada.
Thiago, o hacker silencioso que ela mantinha nas sombras, era o elo que ele nunca conseguiu prever.
Ele voltou para o seu próprio carro, tremendo, incapaz de decidir se sentia mais raiva dela ou de si mesmo por ainda desejar o que destruíra.
A batida de seu coração parecia um tambor de guerra, ditando o ritmo de uma sobrevivência que ele não tinha mais certeza se conseguiria manter.
Ele sabia que a polícia estaria esperando na saída, e não havia desculpa no mundo que pudesse salvá-lo daquela investigação.
O estacionamento, antes um local de domínio, agora parecia sua tumba.
Isabella não era mais a garota que ele podia silenciar; ela era o próprio sistema que o engolia vivo.
Ele tentou acender o painel do carro, mas suas mãos tremiam tanto que ele deixou as chaves caírem.
O som do metal batendo no chão pareceu um deboche, uma lembrança de sua incompetência frente à astúcia dela.
Ele fechou os olhos, tentando acalmar a tempestade em seu cérebro, mas só encontrava o eco do tapa que recebeu.
Aquele beijo, aquela breve faísca, fora o erro mais estratégico de sua carreira.
Ela o vencera na sala de reuniões, e acabara de humilhá-lo na escuridão.
Leandro Vicente, o homem que sempre teve tudo, estava perdendo a única coisa que realmente importava: o controle.
Ele saiu do estacionamento momentos depois, sabendo que as sirenes da polícia eram o som de sua sentença final.
Isabella já estava longe, traçando os planos para o dia seguinte enquanto ele lidava com os escombros de sua dignidade.
A noite de São Paulo começou a cair, iluminando o início de uma perseguição que ele jamais venceria.
Ele era um rei sem reino, um homem sem respostas, e o tempo dele havia acabado.
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