"Eu Morri no Meu Casamento — Mas Era Mentira" PARTE 10
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São Paulo não dormia mais.
Mas naquela noite… ela também não acordava como antes.
Porque o que começou como um caso criminal…
agora era uma guerra institucional.
Nos telões da Avenida Paulista, uma única palavra dominava as manchetes:
FUNDAÇÃO NACIONAL DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIOS
Um nome limpo.
Quase nobre.
Mas por trás dele… o país inteiro começava a desmoronar.
Isabela estava em um centro seguro temporário no interior de São Paulo.
Não era mais hospital.
Não era mais tribunal.
Agora era isolamento.
Lucas não saía do lado dela.
Augusto Vasconcelos estava em outra sala, em silêncio absoluto.
E Celeste…
tinha desaparecido.
“Ela sumiu do sistema há 11 minutos”, Lucas disse.
Isabela levantou o olhar.
“Sumiu como?”
Lucas respondeu seco:
“Como se nunca tivesse existido aqui.”
Silêncio.
Na tela à frente deles, dados começaram a se reorganizar automaticamente.
Sem comando humano.
Sem permissão.
E então surgiu um novo nome central:
GRUPO VARGAS DE INFRAESTRUTURA GLOBAL
Lucas franziu a testa.
“Eu nunca vi isso antes…”
Augusto respondeu de trás da sala:
“Você não veria mesmo.”
Isabela se virou.
“O que é isso?”
Augusto caminhou lentamente até a tela.
“É o verdadeiro dono da Fundação de Incêndios.”
Silêncio pesado.
“Você acha que isso era sobre seguros… sobre controle urbano… sobre mortes isoladas?”, ele continuou.
Ele apontou para a tela.
“Isso sempre foi sobre mercado.”
Lucas não entendeu.
“Mercado de quê?”
Augusto respondeu com frieza:
“Reconstrução de cidades inteiras.”
Isabela ficou imóvel.
“Eles provocam incêndios para reconstruir depois?”
Augusto assentiu.
“E lucrar com cada etapa da destruição.”
Na tela, gráficos começaram a aparecer:
• contratos de reconstrução
• seguros ativados automaticamente após incêndios
• transferência de propriedades após mortes “acidentais”
Lucas murmurou:
“Isso não é crime… isso é sistema econômico inteiro.”
Isabela sentiu o estômago apertar.
“E Rafael?”
Silêncio.
Augusto respondeu:
“Operador de campo.”
Ela levantou o olhar.
“Então ele não mandava?”
Augusto negou.
“Ele executava.”
Naquele instante, um alerta vermelho surgiu no sistema.
LOCALIZAÇÃO COMPROMETIDA.
Lucas levantou imediatamente.
“Eles nos encontraram de novo.”
Augusto não reagiu.
“Não são ‘eles’.”
Ele olhou para a tela.
“É o sistema reagindo à exposição.”
Isabela respirou fundo.
“Então agora o sistema sabe que estamos vivos.”
Augusto respondeu:
“Não só vivos.”
Pausa.
“Perigosos.”
Na tela, uma nova camada foi desbloqueada automaticamente.
ACESSO NÍVEL 1 CONCEDIDO
E então…
um vídeo começou a rodar.
Uma sala de reuniões.
Luxuosa.
Homens e mulheres sem identificação clara.
E no centro…
um símbolo:
FUNDAÇÃO DE SEGURANÇA NACIONAL
Uma voz masculina ecoou no áudio:
“Qualquer sobrevivente do Protocolo Fênix deve ser neutralizado ou reintegrado.”
Isabela congelou.
“Neutralizado…”
Lucas fechou o punho.
Na tela, documentos começaram a aparecer.
Lista de nomes.
Vítimas.
Sobreviventes.
E no topo de uma seção:
ISABELA MONTEIRO VASCONCELOS — FASE 3
Isabela recuou um passo.
“Fase 3…”
Augusto fechou os olhos.
“Agora eles decidiram o que você é.”
Lucas olhou para ela.
“O que isso significa?”
Augusto respondeu:
“Que você não é mais uma testemunha.”
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Ele fez pausa.
“Você é um ativo instável.”
De repente, todas as portas do centro de segurança trancaram automaticamente.
Lucas se virou.
“Não de novo…”
Isabela olhou para a tela.
“Eles estão dentro?”
Augusto respondeu:
“Não precisam entrar.”
Naquele instante, o sistema de comunicação foi ativado sozinho.
E uma voz desconhecida surgiu.
“Isabela Monteiro Vasconcelos…”
Silêncio absoluto.
Lucas puxou a arma.
“Quem está falando?”
A voz continuou:
“Você não deveria ter chegado até aqui.”
Isabela ficou imóvel.
“Quem é você?”
A resposta veio calma.
Fria.
E devastadora.
“Eu sou o nível acima do Grupo Vargas.”
Silêncio total.
Augusto empalideceu pela primeira vez.
Lucas virou lentamente para ele.
“Existe acima disso?”
Augusto respondeu baixo:
“Eu não achei que ainda existisse acesso ativo…”
A voz continuou:
“Todos os operadores de campo foram desativados.”
Pausa.
“Exceto um.”
Isabela sentiu o corpo gelar.
“Rafael…”
A voz respondeu:
“Ele não é mais operador.”
Silêncio.
“Ele é testemunha viva do sistema original.”
Lucas sussurrou:
“Original?”
Augusto finalmente falou:
“Isso significa que o incêndio não começou com o Grupo Vargas.”
Ele olhou para Isabela.
“Começou com algo anterior.”
De repente, todas as telas mudaram.
E uma imagem apareceu.
Um incêndio antigo.
Muito maior.
Sem data oficial.
Sem localização clara.
E no meio das chamas…
três figuras.
Uma delas…
era Celeste.
Isabela deu um passo para trás.
“Ela estava lá…”
Lucas ficou em choque.
“Isso não é recente…”
Augusto murmurou:
“Isso é o primeiro Protocolo Fênix.”
Na tela, um arquivo foi aberto automaticamente.
TÍTULO:
“ORIGEM DO SISTEMA — PROJETO HELIOS”
Isabela leu em voz baixa:
“Projeto Helios…”
E então a voz voltou:
“Você não está dentro da investigação.”
Pausa.
“Você está dentro da repetição.”
Silêncio total.
Lucas gritou:
“O que isso quer dizer?!”
A voz respondeu:
“Que este caso já aconteceu antes.”
Isabela congelou.
“Eu já vivi isso?”
Resposta final:
“Não exatamente você.”
Pausa.
“Uma versão anterior.”
As luzes do centro começaram a falhar.
Augusto sussurrou:
“Eles ativaram o protocolo de reinicialização.”
Lucas virou para Isabela.
“Temos que sair agora!”
Mas a tela final acendeu sozinha.
E uma última frase apareceu:
“SE ISABELA VASCONCELOS SOBREVIVEU NOVAMENTE… O SISTEMA NÃO ESTÁ MAIS SOB CONTROLE.”
Silêncio.
E então…
todas as câmeras externas mostraram a mesma coisa:
Um helicóptero desconhecido se aproximando do centro.
Sem identificação.
Sem código.
Sem registro.
Lucas levantou a arma.
“Isso não é polícia…”
Augusto respondeu baixo:
“Não.”
“Isso é contenção de nível zero.”
Isabela olhou pela janela.
E sussurrou:
“Então eles vieram me apagar de novo…”
E na última imagem do sistema…
um rosto apareceu na transmissão do helicóptero.
Desconhecido.
Mas olhando diretamente para ela.
E dizendo apenas:
“Reinicialização iniciada.”
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