"Eu Morri no Meu Casamento — Mas Era Mentira" PARTE 8
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A igreja em Santo Amaro não parecia um lugar sagrado naquela noite.
Parecia um arquivo morto esperando para ser incendiado.
Os vitrais refletiam luzes vermelhas vindas de fora — não do sol, mas dos carros cercando o quarteirão.
O silêncio dentro do templo era artificial.
Como se o próprio ar estivesse esperando uma ordem.
Isabela entrou primeiro.
Lucas atrás dela.
Augusto Vasconcelos já estava lá.
E isso, por si só, já significava que nada era coincidência.
“Você escolheu esse lugar de propósito?”, Isabela perguntou.
Augusto não virou o rosto.
“Eu não escolhi. Eles sempre terminam aqui.”
Lucas observou as saídas laterais.
“Estamos cercados.”
Augusto respondeu seco:
“Sim.”
Isabela olhou para ele.
“Então isso é uma armadilha?”
Ele finalmente virou o rosto.
“É um espelho.”
Do lado de fora, motores desligaram ao mesmo tempo.
Silêncio coordenado.
Patrícia desceu do carro preto lentamente.
Ela não estava com pressa.
Não precisava estar.
Ela olhou para a igreja como quem observa uma operação concluída pela metade.
“Ele trouxe ela até o último cenário…”, murmurou.
Um dos homens ao lado perguntou:
“Entramos?”
Patrícia respondeu:
“Não ainda.”
Ela sorriu.
“Deixem o Rafael entrar primeiro.”
Dentro da igreja, Lucas puxou Isabela para trás.
“Tem gente vindo pela nave lateral.”
Augusto abriu um compartimento escondido no altar.
E retirou um pequeno dispositivo metálico.
Isabela viu.
“O que é isso?”
Augusto respondeu:
“Disruptor de protocolo.”
Lucas franziu a testa.
“Isso existe mesmo?”
Augusto olhou para ele.
“Existe quando você trabalha fora do sistema.”
De repente, um som metálico ecoou na porta principal.
Um impacto.
Depois outro.
Isabela deu um passo para trás.
“Eles chegaram.”
Lucas puxou a arma.
“Fiquem atrás de mim.”
Augusto não se moveu.
“Não vai adiantar.”
A porta da igreja explodiu para dentro.
Madeira voando.
Fumaça.
E então ele entrou.
Rafael.
Sem pressa.
Sem expressão.
Só controle absoluto.
Seus olhos encontraram Isabela imediatamente.
“Você sempre escolhe lugares dramáticos…”, ele disse.
Isabela sentiu o corpo congelar.
“Você tentou me matar.”
Rafael respondeu calmamente:
“Eu tentei corrigir um erro de sistema.”
Lucas apontou a arma.
“Mais um passo e eu atiro.”
Rafael nem olhou para ele.
“Você já foi útil demais, Lucas.”
Silêncio.
Lucas franziu a testa.
“Do que você está falando?”
Rafael sorriu levemente.
“Você trouxe ela exatamente onde precisava.”
Augusto deu um passo à frente.
“Chega.”
Rafael finalmente olhou para ele.
E pela primeira vez… sua expressão mudou.
“Você não deveria estar aqui, Augusto.”
Isabela virou o rosto.
“Vocês se conhecem?”
Silêncio pesado.
Augusto respondeu:
“Ele era meu operador.”
O ar pareceu cair da igreja inteira.
Isabela recuou.
“O quê?”
Rafael completou:
“No primeiro projeto.”
Lucas ficou imóvel.
“Projeto… qual projeto?”
Augusto respondeu:
“Projeto Fênix.”
Nesse momento, as luzes da igreja piscaram.
E o sistema interno de som ativou sozinho.
Uma voz feminina ecoou.
Clara.
Calma.
E impossível.
“Vocês estão todos atrasados.”
Isabela congelou.
“Celeste…”
Ela entrou pela lateral da igreja.
Sem correr.
Sem medo.
Como se já tivesse assistido aquela cena antes.
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Seus olhos passaram por todos.
E pararam em Isabela.
“Você finalmente está acordada.”
Rafael virou imediatamente.
“Você não deveria estar aqui.”
Celeste sorriu.
“Nem você.”
Lucas apontou a arma para Celeste.
“Quem é você?”
Celeste nem olhou para ele.
“Eu sou a parte que vocês tentaram apagar.”
Silêncio.
Ela caminhou até o centro da igreja.
E olhou para Isabela.
“Você não foi salva naquele incêndio.”
Ela fez pausa.
“Você foi transferida.”
Isabela sentiu o chão sumir.
“O que isso significa?”
Celeste respondeu:
“Significa que você não é a primeira versão.”
Augusto fechou os olhos por um segundo.
Rafael ficou rígido.
Lucas não entendia nada.
“Primeira versão de quê?”
Celeste olhou para todos eles.
“De sobrevivência controlada.”
De repente, o sistema da igreja foi ativado.
Portas trancadas automaticamente.
Saídas bloqueadas.
E um cheiro começou a subir.
Fumaça.
Isabela arregalou os olhos.
“Isso não é normal…”
Lucas gritou:
“Eles estão incendiando o prédio!”
Rafael olhou para o lado.
“Patrícia…”
Celeste respondeu calmamente:
“Ela decidiu acelerar o reset.”
Augusto pegou o dispositivo novamente.
“Temos poucos minutos.”
Isabela virou para ele.
“Minutos para quê?”
Ele respondeu:
“Para decidir quem vai sair daqui com identidade.”
Lucas olhou para Isabela.
“Isso está fora de controle.”
Rafael respondeu:
“Não. Isso é exatamente o controle.”
As chamas começaram a aparecer nas janelas laterais da igreja.
Pequenas.
Mas crescendo rápido.
Isabela recuou.
“Vocês vão nos matar aqui dentro?”
Rafael respondeu:
“Não.”
Ele fez pausa.
“Vamos escolher quem continua existindo.”
Celeste deu um passo à frente.
“Chega dessa mentira.”
Ela olhou para Rafael.
“Você sabe que isso saiu do controle no segundo incêndio.”
Rafael respondeu frio:
“Sem controle, não existe sistema.”
Augusto levantou o dispositivo.
“Última chance.”
Isabela olhou para ele.
“O que isso faz exatamente?”
Ele respondeu:
“Apaga o vínculo entre você e o sistema.”
Lucas deu um passo à frente.
“E o Rafael?”
Augusto olhou para ele.
“Ele já está dentro demais.”
Rafael levantou a arma pela primeira vez.
Apontando diretamente para Isabela.
“Não vamos permitir fuga.”
Silêncio absoluto.
Isabela respirou fundo.
E deu um passo à frente.
“Então atira.”
Lucas gritou:
“Isabela!”
Mas ela não recuou.
Rafael manteve a arma apontada.
Celeste observava em silêncio.
Augusto apertou o dispositivo na mão.
E então…
todas as luzes da igreja explodiram ao mesmo tempo.
Escuridão total.
E no meio do escuro…
um disparo ecoou.
Silêncio.
E depois, uma voz desconhecida dentro do sistema sussurrou:
“PROTOCOLO FÊNIX — FASE FINAL INICIADA.”
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