"O Preço da Obsessão" Capítulo 5
PUBLICIDADE
Capítulo 5:
O silêncio nos corredores da mansão Rosenburg após o confronto no escritório parecia mais espesso, como se as paredes estivessem retendo o ar de uma tempestade contida.
Beatriz, disfarçada sob a impecabilidade de seu uniforme de governanta, movimentava-se como um fantasma, ouvindo o que não deveria e vendo o que todos desejavam esconder.
Ela sabia que a chave para derrubar aquele império de mentiras não estava na força bruta de Kass, mas no colapso psicológico que Astor cuidadosamente orquestrava.
Naquela mesma tarde, ela encontrou a oportunidade perfeita enquanto Astor estava em seu jardim privado, deliberadamente distraído.
Beatriz acessou o terminal de comunicações da biblioteca, interceptando uma chamada criptografada entre o psiquiatra particular da família e o sistema de segurança da mansão.
A voz do médico, um homem que vendia silêncios a peso de ouro, ecoou pelo pequeno fone escondido no ouvido de Beatriz com uma clareza arrepiante.
"O senhor Astor Rosenburg não apresenta nenhum traço de fragilidade emocional ou episódios de surto," o psiquiatra declarou, desfazendo em segundos a imagem de "anjo vulnerável".
"Pelo contrário, ele exibe um nível de controle cognitivo e sociopatia funcional que é, para dizer o mínimo, formidável," continuou a voz fria e profissional.
Beatriz sentiu um calafrio percorrer sua espinha ao compreender a dimensão da farsa; Astor era o arquiteto da dor de todos naquela casa, e ele fazia isso com uma lucidez aterradora.
Ela não perdeu tempo, imprimindo rapidamente um prontuário médico falsificado, mas incrivelmente convincente, que sugeria exatamente o oposto: uma instabilidade mental degenerativa.
A governanta sabia que a verdade nua e crua não funcionaria com Kass, mas uma mentira que parecesse verdade seria o gatilho perfeito para ele buscar respostas por conta própria.
Ela deslizou o documento falso para dentro de um dos livros favoritos de Kass na biblioteca, deixando-o aberto em uma página que ele certamente folhearia antes do jantar.
Beatriz voltou para suas tarefas apenas segundos antes de Kass cruzar o corredor, seu rosto ainda marcado pelo hematoma do soco que ele dera em Elias.
Ele entrou na biblioteca buscando um refúgio para o turbilhão de pensamentos que o perseguiam desde o escritório, mas seus olhos foram imediatamente atraídos pelo documento sobre a mesa.
Kass leu o prontuário com uma descrença crescente, cada palavra descrevendo Astor como um homem que estava perdendo a batalha contra a própria mente — uma mentira construída para inspirar piedade.
"Isso não pode ser verdade," Kass murmurou para si mesmo, as mãos apertando o papel até que as bordas começassem a amassar sob a pressão de seus dedos.
A traição não era apenas de Elias; era de Astor, que fingia ser seu confidente enquanto, na verdade, era o responsável por todo o caos que envolvia suas vidas.
Kass sentiu o estômago revirar ao lembrar de quantas vezes havia buscado o conforto daquele "anjo" enquanto ele, secretamente, puxava os cordões de sua desgraça.
O peso daquelas páginas era imenso, contendo a história de uma infância distorcida e de uma mente que, segundo o papel, precisava de cuidados constantes e compaixão.
PUBLICIDADE
Ele guardou o documento no bolso da jaqueta com uma fúria silenciosa, um sentimento muito mais letal do que a explosão de raiva que tivera com Elias.
Foi então que Astor apareceu na entrada da biblioteca, caminhando com a mesma leveza de sempre, seus olhos claros fixos em Kass com uma candura calculada.
"Você parece abatido, querido Kass," Astor disse, parando a uma distância respeitável e observando o lutador com uma preocupação que agora parecia uma facada.
Kass sentiu vontade de avançar contra ele, de confrontá-lo sobre a farsa que sustentava sua própria existência naquela mansão sombria.
"Estou apenas cansado de certas pessoas nesta casa," Kass respondeu, mantendo sua voz estranhamente contida, os olhos fixos na expressão imperturbável de Astor.
Astor inclinou a cabeça levemente, como se estivesse tentando decifrar o enigma que Kass havia se tornado nas últimas horas.
"O cansaço é apenas o prelúdio da clareza," Astor afirmou, um sorriso quase imperceptível surgindo em seus lábios, como se ele estivesse testando a resistência de Kass.
Kass não deu trégua, mantendo o olhar firme e carregado de uma hostilidade que, pela primeira vez, não estava sendo disfarçada por nenhuma máscara de obediência.
"E o que acontece quando a clareza se torna insuportável?" Kass perguntou, sentindo o papel do prontuário falso queimar contra sua coxa através do bolso.
"Então, você finalmente entende que não há para onde correr," Astor respondeu suavemente, sua voz não sendo uma ameaça, mas uma confissão.
O confronto aconteceu em um silêncio absoluto, onde as palavras trocadas eram apenas a superfície de um oceano de segredos que ambos escondiam.
Kass percebeu que Astor não estava mentindo sobre a falta de saída, mas ele estava enganado sobre quem detinha as rédeas daquela situação.
Ele deu um passo em direção a Astor, forçando o homem a manter o contato visual até que o "anjo" da família desviasse o olhar pela primeira vez.
"Espero que você consiga dormir bem sabendo exatamente o que é, Astor," Kass disparou, virando as costas e deixando o salão sem olhar para trás.
Astor permaneceu ali, imóvel, observando o lutador se afastar, e um brilho de algo novo, talvez até respeito, surgiu em seu semblante.
Beatriz, escondida atrás de uma tapeçaria próxima, anotou mentalmente que o plano havia funcionado: a semente da discórdia estava plantada e Kass estava começando a pensar como um estrategista.
Ela sabia que o confronto de silêncios entre eles era muito mais perigoso do que a violência física, pois agora a confiança havia sido estraçalhada permanentemente.
À noite, a mansão parecia respirar com uma maldade contida, as luzes baixas projetando sombras distorcidas que pareciam seguir Kass em cada passo pelos corredores.
Ele estava sozinho em seu quarto, olhando o prontuário falso sob a luz da lua, enquanto os sons da mansão — passos distantes, o rangido da madeira, o vento na vidraça — pareciam sussurrar advertências.
A farsa da fragilidade de Astor era a arma de Kass agora, mas ele precisava ter cuidado, pois enfrentar um homem que fingia ser louco era como lutar contra um espelho quebrado.
Se ele quebrasse a peça errada, poderia ser ele mesmo quem terminaria cego ou destruído, mas Kass não era mais o lutador que aceitava ordens sem questionar.
PUBLICIDADE
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 11
MENINA DÁ METADE DO LANCHE A UM MENINO SEM-TETO... 25 ANOS DEPOIS, ELE VOLTA MILIONÁRIO
Aos nove anos, Gabriel Costa vivia nas ruas de São Paulo e esperava todos os dias diante do portão de uma escola particular. Foi ali que conheceu Valentina Almeida, uma menina rica que passou a dividir escondida metade do próprio almoço com ele. Quando Gabriel foi adotado por uma família de Curitiba, fez uma promessa antes de partir: "Quando eu crescer… eu volto para te buscar." Vinte e cinco anos depois, Valentina enfrenta a doença do pai, a falência do Grupo Almeida e um noivado que esconde interesses perigosos. É então que Gabriel retorna a São Paulo — não mais como o menino faminto do portão, mas como um empresário cuja fortuna ultrapassa R$ 950 milhões.Moderno13.8 mil palavras5 180 -
TerminadoCapítulo 11
MILIONÁRIO CHEGA MAIS CEDO À CASA DE CAMPO... E QUASE DESMAIA COM O QUE VÊ
Milionário chega mais cedo à casa de Campo e quase desmaia com o que vê. Alejandro para no jardim sem acreditar. Léo, seu filho, ri alto nos braços de Helena, a faxineira. O menino que diziam ser incapaz de sentir emoção, agora gargalha como nunca. Pela manhã, Carla insistiu em aumentar os sedativos, dizendo que Léo era um caso perdido. Mas ali, diante dos olhos do pai, a verdade aparece. Não era doença, era medo. Helena tenta soltá-lo, assustada, mas Léo se agarra a ela como proteção. Quando o carro de Carla surge na entrada, o sorriso some, o corpo do menino trava. Alejandro entende tudo naquele instante. Ele manda Helena agir normalmente e decide observar em silêncio. Aquela risada muda tudo. Naquela noite, ele jura proteger o filho, descobrir quem mentiu e acabar com o terror escondido dentro da própria casa. A guerra começa ali, no quintal, com um riso que salvou uma vida.Moderno13.7 mil palavras5 123 -
TerminadoCapítulo 12
Eles Pensavam Que Eu Era Uma Boneca Frágil… Até Ouvirem o Som do Gatilho
Na alta sociedade de São Paulo, Christian von Stock e Victória de Medeiros pareciam o casal perfeito: ele, um titã corporativo brilhante e irretocável; ela, uma herdeira gélida e deslumbrante. Mas o conto de fadas durou apenas até o momento em que a porta da imponente mansão se fechou. No segundo em que o último flash da imprensa sumiu, Christian revelou ser o seu pior pesadelo. Dono de uma mente brilhante e sádica, ele confiscou o passaporte, o celular e as contas de Victória, transformando-a em uma prisioneira na própria casa. Para garantir a obediência absoluta, ele escolheu a única fraqueza dela: Camila, sua irmã caçula com síndrome de down, agora vigiada de perto como refém. Aos olhos do mundo, eles eram a imagem da felicidade conjugal, com sorrisos ensaiados e jantares de gala. Entre quatro paredes, era uma guerra psicológica diária onde a respiração de Victória era controlada e a liberdade, uma lembrança distante. Christian acreditava ter quebrado o espírito de sua esposa, transformando-a em uma boneca dócil. O que ele não sabia era que, sob a pele da mulher acuada, Victória contava cada segundo, memorizava cada código de segurança e aguardava pacientemente o momento certo. Ela fingiu submissão. Ela jogou o jogo dele. E, quando o monstro finalmente cometeu o erro de subestimá-la, a frágil esposa sumiu. No lugar dela, emergiu a lâmina afiada pronta para destruir o império dele de dentro para fora. Uma mente brilhante, uma gaiola de ouro e um jogo de gato e rato onde a única regra é sobreviver para ver quem quebra primeiro.Outras|Aventura|Moderno15.3 mil palavras5 148 -
TerminadoCapítulo 10
Minha Mãe Deixou Minha Esposa Desmaiada no Chão
Arthur voltou de viagem dois dias antes e encontrou a mesa cheia, o filho de oito dias chorando e Elena desacordada no tapete. A mãe dele continuava cortando o jantar. Se você encontrasse sua esposa nessa situação e descobrisse que alguém da sua própria família havia falsificado sua assinatura, qual seria sua primeira atitude? Leia até o fimModerno10.3 mil palavras5 130 -
TerminadoCapítulo 11
Mostraram Suas Verdadeiras Faces… Sem Saber Que Eu Fingia Estar Paralisada
Fingi Estar Paralisada Por 10 Dias… Meus Filhos Disputaram Minha Fortuna, Mas A “Intrusa” Ficou... Aos 66 anos, Beatriz Montenegro Sampaio construiu um dos maiores impérios imobiliários de São Paulo. Rica, poderosa e acostumada a controlar tudo, ela acreditava conhecer os próprios filhos. Até ser envenenada durante sua festa de aniversário. Ao descobrir que sobreviveria sem sequelas permanentes, Beatriz toma uma decisão perigosa: fingir que ficou paralisada e sem conseguir falar para descobrir quem permaneceria ao seu lado quando ela não pudesse mais oferecer poder, dinheiro ou proteção.Moderno15.1 mil palavras5 352 -
TerminadoCapítulo 11
“Ela Não É Minha Filha”… Até o DNA Revelar Um Segredo Pior
No aniversário da pequena Sofia, Isabela presencia uma cena que muda para sempre sua relação com a poderosa família Montenegro. Mas o golpe mais cruel vem do próprio marido, Alexandre, que olha para a menina e declara diante de todos: "Ela não é minha filha." Isabela, porém, já conhece a verdade. Um exame de DNA confirma que Sofia é filha biológica de Alexandre com 99,9998% de probabilidade. Só que existe uma segunda página no resultado — e ela revela algo ainda mais devastador... Até onde sua própria mãe foi capaz de ir para proteger os segredos da família Montenegro?Moderno13.4 mil palavras5 287 -
TerminadoCapítulo 11
O Chefe da Máfia Mais Temido Viu Minhas Mãos Tremendo… E Fez Uma Única Pergunta
Isabela Oliveira Martins só queria sobreviver a mais um turno em um restaurante sofisticado nos Jardins, em São Paulo. Mas, ao servir a mesa 17, suas mãos começaram a tremer diante do homem que todos no salão pareciam temer: Dante Vasconcelos Montenegro, um poderoso e misterioso chefe da máfia. Quando Dante percebe as marcas no pulso da garçonete, segura sua mão e pergunta baixinho: "Quem fez isso com você?" Isabela não consegue responder. Porque o homem de quem está fugindo é Marcelo Ferraz, seu ex-namorado controlador, alguém que parece sempre saber onde ela está. O que Isabela ainda não sabe é que seu encontro com Dante está longe de ser uma coincidência do destino. Uma investigação começa a revelar que Marcelo se aproximou dela por causa de Antônio, seu pai, morto quinze anos antes em circunstâncias nunca esclarecidas. E quanto mais Isabela procura respostas, mais descobre que os Ferraz e os Montenegro escondem um passado construído sobre dinheiro, traições e silêncio. Até Dante guarda um segredo sobre a noite em que Antônio morreu. Agora, Isabela terá que descobrir em quem pode confiar — sem permitir que outro homem decida seu destino. Porque talvez seu pai não tenha morrido apenas por descobrir um crime.Bilionário|Máfia|Moderno14.3 mil palavras5 4104 -
TerminadoCapítulo 10
Três Dias Após o Funeral, Ouvi Meu Marido Planejar Minha Herança
Três dias depois de enterrar a mãe, Eliza ouviu o marido dizer ao telefone: “Assim que eu acessar as contas, a gente venceu.” Ela não desceu a escada nem exigiu explicações. Apertou o botão de gravar. Na manhã seguinte, o último vídeo de Margaret revelou que Garrett pesquisava a herança antes mesmo do casamento — e que Sienna, irmã de Eliza, havia aberto a primeira porta.Moderno9.7 mil palavras5 197 -
TerminadoCapítulo 10
A Menina Que Entrou Molhada no Baile
Com fome e encharcada, Lívia, de nove anos, entra escondida no baile beneficente do Hotel Imperial procurando a mãe. Helena Albuquerque, viúva de uma das famílias mais ricas de São Paulo, joga água no rosto da menina e a acusa de roubo. Quando Lívia cai, um colar de safira se solta de seu pescoço. Dentro da pedra existe uma fotografia que Helena não vê há vinte anos — e a prova de que a criança humilhada diante da elite é a neta que ela nunca soube que tinha.Moderno10.0 mil palavras5 110 -
TerminadoCapítulo 10
A Menina Deu Seu Último Remédio ao Temido Homem
Uma reação alérgica derruba Adrian Moretti dentro da própria mansão. Ellie Carter, filha de uma funcionária e portadora de alergia severa, usa nele seu último autoinjetor de epinefrina. Quando Adrian voltou a respirar, descobriu que aquela era a última dose dela. Minutos depois, a menina disse algo ainda mais impossível: viu um velho colocar “lágrimas azuis” no vinho. O que começou com uma injeção levou a uma chave costurada dentro de um coelho, ao assassinato encoberto de David e à filha que Adrian acreditava ter enterrado.Moderno|Romance10.1 mil palavras5 127